Achtung Baby – A grande surpresa | U2 Brasil
11 de abril de 2015 · Especial Álbuns
Achtung Baby – A grande surpresa
VictorRuyzPostado por VictorRuyz

No começo de 1990, foram, pela terceira vez consecutiva, nomeados como Melhor Banda Internacional, pela Brit Awards, receberam inúmeras premiações da Rolling Stone e fizeram um cover de “Night and Day” de Cole Porter, para o álbum “Red Hot + Blue”, em suporte contra a AIDS.

Para a banda, a questão era sobre por onde seguir após o imenso impacto que fora “Rattle and Hum”. O que surgiu fora um álbum repleto com os mais variados sons e estilos, que acrescentaria músicas à coleção de hinos do U2 e, recalibrando a banda, lhes daria mais força ainda para o começo da década. Seriam conquistados mais dois Grammys, o de Melhor Performance Rock e o de Produtor do Ano – ganho por Daniel Lanois e Brian Eno.

Era rock, mas de uma maneira que ninguém estava acostumado. A distância entre a música de “Rattle and Hum” – que remetia à raízes norte-americanas – trouxera elementos mais escuros para o quadro. Independente da mudança, o álbum era, como os anteriores, composto por canções que podiam conquistar arenas e estádios de todo o mundo.

 “O U2 faz algo único aqui. A banda não apenas se reafirma outra vez, mas também se reinventa. Depois de ‘Rattle and Hum’, alguns pensaram que a banda teria chegado em seu limite e se manteria limitada à própria ambição. ‘Achtung Baby’ restaura o U2, e dá algo novo para a banda. Atingem o topo novamente.”
Jay Cocks, em resenha para a Time.

As sessões iniciais de gravação ocorreram em Hansa, Berlin, e em Elsinore, no subúrbio de Dalkey – Dublin. Mas foi no estúdio já conhecido da banda, Windmill Lane, onde as discussões iniciais dariam lugar à sonoridade sensual e sombria que adorna o álbum. Bono intitulara tal fase como “um novo começo”.

Nos créditos, o nome de Daniel Lanois agora aparece como único produtor de cinco canções. Brian Eno, seu colaborador e mentor, em três álbuns anteriores, fora creditado com ele em outras cinco. Viu-se o senso inato da banda a respeito de continuidade das coisas com o retorno de Steve Lillywhite – produtor dos três primeiros álbuns dos irlandeses -, que produziria, juntamente com Lanois e Eno, as outras duas faixas do álbum.

“Eu diria que tivemos algumas discussões bastante interessantes e extensas durante a gravação deste álbum, e que estas acabaram sendo positivas para o resultado final”, dissera Lanois para a revista Vox, durante o lançamento do disco. “…acredito que o U2 precisava caminhar pelo exotismo europeu.”

“A gravação em Berlim foi uma decisão boa. Queriam usar Hansa  por causa de tudo que já fora gravado ali e eles respeitam e amam. Me refiro ao muito influente ‘Lust for Life’, de Iggy Pop, e aos discos que Bowie fez acompanhado de Eno. Suponho terem pensado que uma parte dessa história podia infiltrar-se pelas paredes, e foi justamente assim que aconteceu”.

O primeiro pedaço que se ouviu dessas sessões foi “The Fly”, onde já se via a falta de medo que tinham em oferecer uma sonoridade diferente. Era mostrado um U2 mais abrupto, soando quase que indie, longe das raízes do rock presentes em “The Joshua Tree” e seu sucessor.  Seus devotos fãs, aos milhões, embarcaram com a banda nessa viagem.

“The Fly” aterrissou nas paradas britânicas no topo, em Outubro de 1991 – no Reino Unido, era a primeira vez que o U2 alcançara tal posição de imediato. A canção soava fresca, vívida – o aperitivo perfeito para o que viria um mês depois.

Desde os primeiros segundos, na guitarra de The Edge e na bateria de Mullen, em “Zoo Station”, encontrava-se facetas previamente nunca mostradas pelo U2. “Eu estou pronto para o que está por vir”, cantava Bono. “Pronto para a confusão, pronto para negociar, pronto para largar a mão do volante”.

Nada menos  que cinco músicas seriam usadas como singles. “Mysterious Ways” e “Even Better Than The Real Thing” tinham dimensões previamente conhecidas, suficientes para agradar o grande público, mas agora com fragmentos de música eletrônica e do hip-hop.

A elegante “One” surgira como uma das melhores baladas do U2. A versão gravada pela banda, anos mais tarde, acompanhados pela rainha do hip-hop, Mary J. Blige, confirmou a emotividade sendo o núcleo da canção. Mais adiante estava “Who’s Gonna Ride Your Wild Horses”. “Uma canção de amor não correspondido”, segundo Adam Clayton.

A revista Time, que havia colocado o U2 em sua capa, quatro anos antes, foi direta em suas palavras, e descreveu o disco como “arrojado e exigente. Preenchido com uma guitarra misteriosa.”

A turnê anterior, Lovetown, havia levado o U2 para a Australia, Nova Zelandia e Japão, em 1989. Regressaram para a Europa logo no fim da década. Dentre as quatro noites de shows em Point Depot, na Irlanda, houvera uma celebração de fim de ano. Começariam 1990 com “Where the Streets Have no Name”.

No começo de 1992, quando voltaram aos palcos, acompanhados de “Achtung Baby”, o fizeram equipados com uma nova experiência multimídia para a aclamada turnê “Zoo TV”. Noite após noite, durante nada menos que cinco temporadas de turnê, a banda levou seu novo som, e visão, para milhões de pessoas, de Meadowlands até Earls Court; do Giants Stadium, em Celtic Park, até Dublin RDS Arena. Adotaram um novo estilo nas últimas datas de shows, e voltaram para Nova Zelândia (“New Zooland”).

Foi um cenário magnífico – merecido – para o catálogo do U2. Bono disse: “Há mais um disco parecido por vir, que complementará ‘Achtung Baby’, assim como ‘Rattle and Hum’ complementa ‘The Joshua Tree’. Já até consigo ouvi-lo em minha cabeça”. Logo, ouviríamos também…

Fonte:

U2gigs
udiscovermusic 


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