Adam Clayton fala sobre projetos, futuro e a amizade do U2
Adam Clayton fala sobre projetos, futuro e a amizade do U2
17 de dezembro de 2020
Adam Clayton fala sobre projetos, futuro e a amizade do U2
Em entrevista à publicação francesa Le Parisien, Adam falou sobre os planos para o futuro da banda e os reflexos desse ano.
Rubens
Newsposter e colunista do U2 Brasil

Adam Clayton, baixista do U2, conversou por um longo tempo com o portal Le Parisien, da França, sobre os planos do U2, o relançamento de 20 anos do álbum All That You Can't Leave Behind, e a escolha de "One" para homenagear o assassinato de Samuel Paty, professor decapitado em Paris em 16 de outubro de 2020. Adam, assim como Bono e The Edge, já fizeram algumas aparições públicas durante a pandemia do novo coronavírus, dando entrevistas para rádios, TVs e portais. A única coisa que a banda não fez ainda neste momento diferente da humanidade foi fazer uma aparição juntos, nas famosas lives.

Leia abaixo a tradução feita da entrevista realizada por Eric Bureau.

Como você está no confinamento? 

Muito bem, obrigado. Eu estou em Dublin. Por sorte, nós somos em três, porque nós vivemos no campo e é fácil de observar as regras. No confinamento, eu assisti bastante televisão, Netflix, li biografias de músicos, Madness, Blondie, o fantástico livro do Elvis Costello, reescutei muitos álbuns dos anos 70.

O U2 trabalhou esse ano?

Nós passamos um bom tempo juntos no sul da França. É uma das regiões mais mágicas do mundo, aonde nós temos casas de 2o a 30 anos, e eu sempre fico feliz de sair com eles. Mas nós não gravamos nada.

O grupo tem projetos para o futuro?

Para o ano que vem, gostaríamos de gravar e terminar um trabalho começado no ano passado. Mas eu acho que a indústria da música vai mudar pós-Covid. Nós estamos mais do que nunca conscientes que temos sorte de poder lançar álbuns e tocar para o público. Para os membros do U2, é extraordinário sempre fazer aquilo que descobrimos quando tínhamos 16 ou 17 anos, dos bairros de Dublin para percorrer o mundo.

O que representa para você o álbum "All That You Can't Leave Behind"?

Esse álbum chegou no meio de nossa jornada musical. Meu Deus, nós vamos festejar quarenta anos de banda, nós que pensávamos que iríamos lançar somente um, dois ou três álbuns talvez. O ponto forte do grupo é a amizade que nos liga. Para este álbum, tínhamos decidido de nos reencontrarmos para tocar novamente na mesma sala (estúdio). E ajudou muito ter nesta sala Brian Eno e Daniel Lanois (produtores dos álbuns 'The Joshua Tree' e 'Achtung Baby'). As cores que eles nos trouxeram nos rendeu algo mais interessante do que um grupo banal de rock.

O que vocês tiveram que provar?

Nós queríamos ser relevantes. Depois de 20 anos de carreira, nós tínhamos duas opções: fazer um álbum para os nossos fãs ou um álbum ambicioso, difícil. Nós aplicamos para o trabalho de melhor grupo do mundo. Olhando para trás, foi um pouco arrogante, mas pelo menos o trabalho estava claro. Nós queríamos ser julgados pela qualidade de nossas músicas.

A gravação aconteceu entre Dublin e o Sul da França...

Foi longa e 80% do tempo gasto nas múltiplas versões de "Beautiful Day". Nesta reedição do álbum, há uma música extra chamada "Always", que contém a primeira ideia de "Beautiful Day". "Stuck in A Moment", tocada por Edge no piano, é incrível. Ele passou todo o verão tocando piano em sua casa, em Eze (Sul da França).

É uma homenagem ao cantor do INXS, Michael Hutchence, morto em 1997?

A música fala de arrependimentos e das dificuldades da pessoa que sofre com depressão. U2 e INXS foram próximos. E Michael tinha uma casa no Sul da França aonde nós íamos frequentemente. Infelizmente, o seu final foi trágico. Na época, as doenças mentais eram menos abordadas.

A foto da capa do álbum foi tirada no aeroporto de Roissy.

Este lugar é sinônimo para nós de verão e férias. O que é ótimo sobre o Anton Corbjin (fotógrafo) é que ele não tem assistente de iluminação, e ele nos levou até ao aeroporto em uma época em que não havia muitas pessoas. A gente conversava enquanto aguardava o avião e a gente não percebia que ele nos fotografava. Isso nos fez querer voltar ao aeroporto para gravar o clipe de "Beautiful Day".

No dia 21 de outubro, "One" acompanhou a homenagem nacional feita ao professor de história assassinado, Samuel Paty. Vocês viram?

Sim, e é um momento extremamente forte que vivenciamos, todos nós do grupo. Não só porque nós aproveitamos da maravilhosa hospitalidade francesa devido as nossas residências, mas porque a morte desse professor marcou um ponto sem retorno do governo francês e do presidente Macron. Assistir a esse cerimônia e ouvir nossa música se tornar parte da história francesa, nos torna humildes.

Depois dos atentados de novembro de 2015, o grupo foi até em frente ao Bataclan e dedicou dois shows às vítimas.

No dia dos atentados, nós estávamos em Paris com nossas famílias para um show na arena Bercy. Tínhamos acabado o ensaio quando soubemos dos ataques. Fomos colocados com segurança nos carros e nos dirigimos ao hotel. Mas alguns tinham as esposas ainda andando pela cidade e foi um momento realmente assustador de incerteza. Por todas estas razões, nós estamos associados emocionalmente a esse outro momento da história da França e de Paris. Tivemos que cancelar dois shows, mas queríamos retornar à Paris o quanto antes. Nós filmamos o show o qual convidamos Eagles of Death Metal. Tínhamos que filmar esse momento poético, depois de uma grande tragédia. Mais recentemente, teve um ataque em Nice, que está em nossos corações... nós prestamos condolências a todas as vítimas.

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