Adam fala sobre saúde e o futuro do U2 no podcast The Real Health | U2 Brasil
29 de junho de 2018 · Adam
Adam fala sobre saúde e o futuro do U2 no podcast The Real Health
RubensPostado por Rubens

Adam Clayton, baixista do U2, esteve no podcast irlandês The Real Health (A Saúde Real, em português) para falar um pouco sobre seu estilo de vida durante as turnês e também quando não está nelas. Falar sobre o trabalho da banda não foi o ponto central da entrevista, no entanto Adam comentou que não há planos para a continuação da turnê “eXPERIENCE + iNNOCENCE” em 2019 e, talvez, seja um novo momento para o grupo repensar no futuro.

A conversa foi conduzida pelo jornalista Karl Henry, além de perguntas enviadas por e-mail previamente pelos ouvintes do podcast. Durante a entrevista, o baixista do U2 frisou diversas vezes sobre o novo estilo de vida que vem adotando para estar em forma, tanto fisicamente, quanto mentalmente. “Hoje é mais fácil voltar para um hotel após um show para 20 ou 80 mil pessoas. O silêncio e a calmaria são bem-vindos. Há 30 anos, durante a Joshua Tree e Achtung Baby, era esquisito voltar para o hotel e tentar relaxar. Mas hoje, eu odeio admitir isso, eu volto para casa, tomo um chá para dormir, assisto algum noticiário e então estou pronto”, disse Clayton.

Quando perguntado sobre a rotina da banda fora dos palcos, ele mencionou as diversas vezes que os integrantes da banda ficavam acordados até de madrugada após os shows e acordavam tarde, sempre indispostos no dia seguinte para as novas apresentações. “Nossos dias eram diferentes. Ficávamos acordado até às 04h da manhã e depois dormíamos até meio dia e quando íamos para o palco era como uma tarde de uma pessoa comum. Mas isso mudou bastante. Eu acordo muito cedo, eu não bebo, não tenho mais nenhuma atividade que me faça ficar acordado até tarde, e eu tenho agora uma rotina mais regular. Eu faço exercícios, então minhas manhãs são importantes”.

Um dos pontos mais curiosos da conversa foi quando Adam Clayton admitiu estar trabalhando seu corpo para ser vegetariano. “No momento estou tentando ser vegetariano, estou lendo como é danoso a produção de carne. Eu fiz teste de sangue e meu nível de mercúrio está muito alto, então parei de comer peixes, eu acabo me focando mais nestes detalhes por ter mais informações disponíveis hoje”.

Perguntado se durante as turnês ele se exercita regularmente, o baixista respondeu que tenta manter uma rotina de alongamentos e corridas matinais. “Eu tento e faço pelo menos cinco vezes por semana, parte porque é bom para minha cabeça sair um pouco e ter estas endorfinas”.

As consequências de estar em palcos e viajando por mais de 40 anos

Este foi um dos temas abordado pelo programa, no qual Adam Clayton faz menções sobre os danos que o seu corpo sofreu. “É um pouco surpreendente como coisas que você nunca pensou antes, agora você tem que lidar, talvez porque agora eu me exercito, eu gasto um tempo com corridas, antes do show eu tenho uma sessão de fisioterapia para me relaxar, até mesmo 10 anos atrás isso não era um problema. Mas agora eu sinto, carregar um instrumento por 2 horas e meia, eu sei que meus ombros, costas e pescoço precisam de trabalho. Eles ficam travados e é um risco ocupacional para ser trabalhado”.

Larry Mullen Jr., baterista e fundador do U2, também foi mencionado pelo baixista, sobre os danos que seu instrumento já o causou. “Larry teve situações piores. Ser um baterista por 2 horas por tanto tempo traz problemas, ele teve problemas com as juntas e músculos, e hoje ele precisa de muito trabalho, antes e depois dos shows. É como um trabalho de atleta, você não deveria mais fazer isso, mas com a medicina moderna e técnicas de fisioterapia, você pode continuar fazendo o que faz”.

Saúde mental

Conhecido por ser um dos membros do U2 que mais tivera problemas com vícios, Adam Clayton se uniu a campanha Walk In My Shoes, uma iniciativa sobre conscientização de problemas mentais, iniciado na Irlanda. Durante a entrevista, Clayton diz repetitivamente que é importante trabalhar com o conceito de conscientização, pois são doenças muitas vezes discriminadas. Sobre o que faz para trabalhar com a saúde mental, ele relata que pequenas coisas o ajudam muito, como meditar num carro em movimento. “No momento que temos um tempo livre, nós checamos nosso telefone, e isso faz a gente perder um tempo valioso. Eu gosto de sentar num carro e apenas olhar pela janela, meditar um pouco, sem ter que mandar textos ou atender ligações”.

Ainda sobre a necessidade de trabalhar o corpo e a mente ao mesmo tempo, Adam Clayton conta que quando criança, ele não tinha nenhuma vocação para esportes, e que na verdade ele classifica esta antiga aversão como alergia a exercícios físicos. “Quando eu parei de beber e fumar, eu comecei a ter uma relação diferente com o meu corpo. Eu acho que não importa quão desenvolvido são nossos cérebros, o nosso corpo é quem controla a gente. Se nossos corpos estão em boa forma, você consegue esquecer as preocupações ou problemas, mas se você lutar contra seu corpo, é uma luta que você irá perder”.

Futuro do U2

Com o encerramento da turnê “eXPERIENCE + iNNOCENCE” em novembro, na cidade natal, Dublin, a banda estará completando quase quatro anos ininterruptos de trabalhos. Tudo começou em 2014, com o lançamento do álbum “Songs Of Innocence”, com shows na América do Norte (Canadá e Estados Unidos) e Europa durante 2015; no final de 2016, a banda decide colocar em prática a turnê comemorativa, The Joshua Tree, em referência aos 30 anos do álbum icônico, iniciando de fato os shows pelos estádios nos Estados Unidos, Europa e América do Sul em 2017. E, por fim, desde maio de 2018, a banda está em arenas pela América do Norte, com shows até 03 de julho, em Uncasville, Connecticut (EUA), retornando aos palcos somente dia 31 de agosto, em Berlin, na Alemanha, no início da parte europeia. “Esta é a primeira vez que iremos ter quase dois meses no verão de folga nos últimos anos. Estamos trabalhando muito. Todos dizem que devemos ter uma boa pausa desta vez para ficar com nossas famílias”. Adam continua sobre a ideia de encerrar este ciclo, iniciado em 2015. “[Os últimos shows da turnê em novembro em Dublin] é o final de um ciclo de quatro anos de trabalho e nós realmente não temos planos para 2019. Nós chegamos a um momento que este é um ponto final deste projeto. Estamos vendo o próximo ano como um momento de reinício”.

Ouça o podcast na íntegra abaixo:


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