As 10 melhores performances de iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour, leg 1 | U2 Brasil
As 10 melhores performances de iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour, leg 1
Postado por VictorRuyz

10 – Song For Someone

Antes de a turnê começar, a banda declarou que só saberia se o novo álbum deu certo quando as músicas fossem tocadas ao vivo. “Song For Someone” foi uma das que provou que Songs Of Innocence teve muito êxito.

Imagens em computação gráfica deram vida a um garoto que aparecia sentado na beira de uma cama, com um violão. Este garoto era Bono, em plena adolescência. Nas paredes do quarto há pôsteres de bandas que o vocalista já revelou terem sido suas grandes influências musicais.

“Este sou eu, na minha casa, enquanto era um adolescente, tentando fazer uma canção… para impressionar uma garota chamada Ali Stewart. Até hoje eu tento fazer essa canção”.

No fim da música Bono encara ele mesmo. No telão aquele jovem garoto fica de pé, olhando em direção a si mesmo, décadas mais velho.

A inocência olhando de frente para a experiência, e vice-versa.

“And there is a light
Don’t let it go out”

Como diria Bono em City of Blinding Lights: “Time won’t take the boy out of this man” (o tempo não tirará o garoto de dentro deste homem)

9 – All I Want Is You

Uma das canções mais românticas do U2 deu as caras em iNNOCENCE + eXPERIENCE. Foram apenas 5 apresentações, mas o suficiente para se tornar marcante na memória de quem presenciou.

Em Inglewood foi a única vez que a banda tocaria a canção sem que convidasse alguém da plateia. Nos outros quatro shows sempre alguém subia e tocava a música com a banda.

Particularmente, no primeiro show em que tocaram-na, Bono mostrou o poder que sua voz tem. Foi uma completa entrega. Uma declaração de amor que, para ser completada, necessita que Bono se doe ao máximo.

“All I Want Is You.
All I Want Is You.”

8 – The Troubles

“The Troubles” apareceu discreta na nova turnê. Nunca havia sido tocada antes da agenda de shows se iniciar (exceto por um ensaio especial, dias antes). Foram apenas 4 apresentações – Vancouver (14-05), Inglewood (03-06), Montreal (16-06) e New York (27-07) – mas todas elas executadas de forma primorosa.

Assim como no álbum, o dueto de Bono com Lykke Li permaneceu e, embora a cantora sueca não tenha aparecido pessoalmente nos shows, gravações belíssimas dela apareceram no telão.

Das novas canções, essa era uma das que podia ter aparecido muito mais.

7 – Every Breaking Wave

Para alguns, essa versão nem se compara com a original. Para outros, “Every Breaking Wave” equivale a uma “Miss Sarajevo”, e causa arrepios a cada execução. Mas o fato é que show após show piano e voz criaram algo tocante.

Talvez a orquestra, juntamente com Adam, e Larry aparecendo no final, como na apresentação do MTV EMA, tenha feito falta, mas Bono conseguiu suprir a ausência desta com uma voz carregada de emoção e honestidade.

A cada noite de show, a expectativa para ouvir como o último refrão seria executado, estava presente em todos. Algumas vezes faltou fôlego, em outras faltou voz, mas em todas as vezes o vocalista presenteou os fãs, se não com uma potência vocal única, com uma emoção verdadeira.

6 – Bullet The Blue Sky 

Após a parte mais serena e emocionante do show, o completo contraste: A parte mais agressiva de iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour.

É bem verdade que “Bullet The Blue Sky” já “deu o que tinha que dar”, para alguns fãs, assim como é bem verdade que a banda, mais uma vez, conseguiu transformar a canção e dar-lhe uma nova roupagem. A guitarra de The Edge, impecável. O instrumental excelente. E Bono mais furioso do que nunca.

Desta vez, no fim da música Bono chegava a conversar consigo mesmo. Encarnava a persona de si mesmo quando mais jovem. A inocência encontrando com a experiência, e perguntando se ainda é lembrada.

“Ei, Bono… Você se esqueceu de quem você é? Se esqueceu de onde veio?”

E do meio do itinerário da tour em diante, Bono inovou um pouco mais, e adotou o uso de um megafone durante a canção. Tem forma melhor para se fazer um intenso discurso político?

Espetacular.

5 – One

Poucas bandas na história conseguem criar algo tão espetacular e fazer com que – décadas depois – o público cante isto, sozinho, do começo ao fim. Foi assim nos últimos shows dessa primeira leg da turnê.

Emblemático.

Não necessita maiores explicações.

4 – Iris (Hold Me Close) 

A canção “Iris (Hold Me Close)” certamente foi uma das recentes que mais agradou ao vivo. Desde o primeiro show a canção já caiu nas graças do público.

Na turnê Vertigo, a canção feita para o pai de Bono, “Sometimes You Can’t Make it On Your Own” fora uma das que apareceu em exatos todos shows. A chance do mesmo ocorrer agora, com uma música em homenagem à mãe, é grande. Talvez seja a entrega com que Bono cante, ou talvez seja simplesmente a qualidade da música em si, mas o fato é que Iris é poderosa.

Em duas das 36 apresentações, Bono usou “Mofo” (outra canção feita inspirada em Iris) como snippet, na introdução. Se dependesse dos fãs, tal snippet teria ocorrido em todos os shows. Com certeza tal fato deixou a canção mais pessoal para Bono e especial para os fãs.

3 – Cedarwood Road 

“Vamos rever alguns amigos, reencontrar alguns inimigos…”

A estrutura gigante suspensa acima da passarela entre os dois palcos da nova tour não é apenas um telão “dupla-face” em LED com animações fantásticas e muitas cores, mas é um meio a mais para a banda interagir, tanto com o público quanto consigo mesma.

Essa estrutura formidável da nova turnê pôde ser testemunhada em grande parte do setlist, mas é durante Cedarwood Road que a mágica acontece.

Os três integrantes permaneciam no palco I enquanto Bono caminhava inocentemente – entre os dois telões – pela rua em que morava quando pequeno (cujo nome intitula a música). Cada detalhe do vídeo é magnífico. Até mesmo uma “blossom tree” que havia na casa de um vizinho (fato já citado pelo vocalista) aparece.

E vale citar que a cada show Bono se superava, principalmente na parte final da música.

“And a heart that is broken, is a heart that is open, open!”

2 – Until The End Of The World

“Justiça para os esquecidos” é a mensagem nos telões entre o fim de “Raised By Wolves” e o começo de “Until The End Of The World”. Outra ligação entre as duas músicas era Bono suplicando por conforto: “Confort Me” era seu pedido. Após a morte de Dennis Sheehan, Bono incluiu, no mesmo dia, tal frase, nos shows.

Desta vez, The Edge fica entre os dois telões, enquanto a figura de Bono aparece neles através de uma projeção. O vocalista, direto do palco “e”, “interage” com Edge, antes que a fúria tome conta do espetáculo e a lâmpada – representada em “The Miracle (Of Joey Ramone”) – que antes iluminava o quarto de Bono, quando criança, explode com o impacto de um tiro. Assim a “iNNOCENCE” do show se encerra, dando início a uma enchente que inunda a juventude dos quatro garotos de Dublin (Cedarwood Road, por onde Bono percorrera minutos atrás, aparece agora no telão sob a violência natural da água – que talvez seja a representação da violência natural a qual o ser está submetido a enfrentar conforme cresce, para assim atingir a “eXPERIENCE”).

Para selar tal divisão do show, surge o muro de Berlim.

1 – Where The Streets Have No Name

Sem dúvidas, um dos mais poderosos hinos do U2. Tanto em estúdio quanto ao vivo, é impossível não arrepiar-se com a introdução de The Edge e os versos intensamente cantados por Bono. Após a turnê The Joshua Tree, a canção consegue ter um brilho especial a cada excursão em que a banda se aventura. Isso é de praxe. Mas durante a iNNOCENCE + eXPERIENCE, a banda adotou um modo diferente de introduzir a música. Com trechos iniciais de Mother and Child Reunion, cantados por um Bono acompanhado da guitarra de The Edge,  trazia-se à tona uma causa nobre como o combate à AIDS (no telão o nome da organização RED aparecia com destaque).

Logo ouvíamos o tão impactante som atmosférico que anuncia “Where The Streets Have No Name”.

“Remember a sadder day…”

Mas foi durante o penúltimo show da primeira leg que tal momento tornou-se mais especial que de costume.

O de sempre estava acontecendo, com Bono, suavemente, entoando os versos… surge então no palco ninguém menos que o responsável pela música que acompanhara o U2 em todos os shows. O sorriso no rosto de Bono é estampado. Paul Simon, num misto de timidez e incerteza, pega o microfone e apenas termina a frase cantada por Bono anteriormente e logo depois oferece o aparelho ao vocalista do U2. Bono, ainda sorrindo, acena de modo negativo, pedindo para que Paul continue cantando. Bono faz o mesmo para The Edge (que já se preparava para executar a introdução de “Streets”). O guitarrista retorna para os acordes de antes.

O criador de “Mother and Child Reunion” canta por completo a segunda parte do primeiro verso da música.

I know they say let it be
But it just don’t work out that way
And the course of a lifetime runs
Over and over again

A cena de Paul Simon entregando o microfone para Bono, que se curva em sinal de respeito e admiração, e ao fundo o dedilhado mágico de The Edge, teve, de tão belo, um toque místico.


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