Bono e The Edge dão entrevista para a Rolling Stone Índia | U2 Brasil
28 de setembro de 2019 · Bono · The Edge · The Joshua Tree Tour 2019
Bono e The Edge dão entrevista para a Rolling Stone Índia
VickyPostado por Vicky

Com o anúncio do show inédito em Mumbai, Bono e Edge concederam uma extensa entrevista para a Rolling Stone Índia, onde discutem questões existenciais, sua estreia no país e o futuro da música na era digital.

“Nossa ambição criativa no momento é escrever a melhor música de todas”, diz Bono quando pergunto a ele que tipo de objetivos uma banda com sucesso como o U2 pode ter hoje. Acontece que, mesmo após uma gloriosa carreira de 43 anos, ainda há muito a provar. “Você escreve uma música e tenta manter um padrão de pungência criativa, e isso não é algo fácil”, acrescenta The Edge.

Estamos no estúdio A, no lendário Electric Lady Studios, em Nova York, e os músicos, sentados à minha frente em um sofá de couro vintage, estão em casa. O estúdio, construído por Jimi Hendrix em 1970, é um lugar familiar para o U2 – eles gravaram e mixaram suas músicas aqui no passado e até se apresentaram no telhado em 2013.

O significado cult do Electric Lady na história da música, sem mencionar suas paredes caleidoscópicas no estilo dos anos sessenta, serve como um excelente cenário para nossa própria conversa vibrante e livre. O U2 estará fazendo sua primeira visita à Índia em dezembro na data final de sua icônica turnê Joshua Tree em Mumbai. É um grande momento para a famosa banda de rock irlandesa e seus fãs no país. Quando pergunto a eles por que demoraram tanto tempo, Bono brinca que ele não tinha certeza se havia uma “audiência grande o suficiente na Índia”. “As pessoas continuavam dizendo: ‘Não, não, você definitivamente tem pessoas em todo o país que curtem a sua música.’ Mas neste momento, mesmo que essas pessoas não estejam nos dizendo a verdade, estamos chegando! Será uma emoção!

A turnê Joshua Tree está sendo levada à Índia pelo BookMyShow e produzida pelos antigos parceiros da banda, Livenation. A venda geral se inicia em  1º de outubro e as pré-vendas para os membros do fã-clube oficial da banda começaram no dia 24 de setembro.

Nesta entrevista exclusiva, colocamos os cérebros de Bono e The Edge para encarar a nova face do ecossistema global da música, e discutir os sucessos e medos do U2.

Primeiro, como é ser uma banda que tem um efeito tão incrível nas pessoas ao redor do mundo – do tipo que eu provavelmente estou sentindo agora?

The Edge: Bem, você sabe, não é algo no que você pensa muito!

Bono: Como é ser o Edge, Edge? (Risos). Vamos, sério, você acorda, Edge!

The Edge: Eu tento não pensar sobre isso. Quando estamos fazendo os shows, é uma ótima sensação. Quando você está lá, você está perdido em suas músicas e então vê todos na plateia perdidos na mesma música. Você percebe que todo mundo está lá por causa da música. Realmente, sentimos um grande privilégio de ser as pessoas que ajudaram essas músicas a ganhar vida. Mas, na verdade, sabemos que não somos mais os seus donos. Elas agora pertencem aos nossos fãs. Para nós, é uma grande emoção – subir no palco, tocá-las e ver a reação da multidão. Mas nós mesmos somos algumas vezes como os fãs e ficamos confusos sobre de onde essas músicas vieram. A origem delas às vezes é muito misteriosa para nós.

“Toda vez que você cria um álbum, quando escreve uma música, tenta manter um padrão de potência criativa para o trabalho, e isso não é algo fácil.” – The Edge

Bono: Você está dizendo, The Edge – desculpe-me, estou fazendo o trabalho de Nirmika (nome do jornalista que estava os entrevistando) – que The Edge é a parte menos interessante de ser The Edge?

The Edge: Algo assim.

Bono: Definitivamente, estou dizendo isso de mim mesmo e é um segredinho sujo que é barulho de uma multidão, aqueles gritos, gritos, esses lamentos não são realmente para nós, são para o apego das pessoas às músicas. E você se curva, diz muito obrigado, mas, na verdade, o que está acontecendo é muito mais particular. As pessoas namoraram, tiveram intimidade com suas músicas, se casaram com suas músicas, terminaram com suas músicas, perderam seus entes queridos e essas são as coisas reais às quais as pessoas se apegam… É apenas uma coisa engraçada, alguns não admitem isso, mas é meio que verdade. A música é muito mais interessante que o músico.

No passado, houve muitos rumores sobre vocês irem à Índia. Por que demorou tanto para finalmente fazer isso acontecer?

Bono: Adoramos ir a novos lugares, e a Índia estava na nossa lista de desejos. Mas as turnês são agendadas com base em uma série complexa de decisões, baseadas em muita logística e financiamento. Esta foi a primeira vez que houveram planos sérios, concretos e definitivos para irmos à Índia. Antes disso, era apenas uma incógnita. Mas desta vez, está acontecendo. Quaisquer que fossem os rumores antes, isso agora vai ser real.

The Edge: No passado, houve muitos problemas logísticos que impediram, mas desta vez estávamos tão determinados a resolver tudo isso. Então, com a ajuda de Livenation e Arthur [Fogel, fundador], houve uma verdadeira força tarefa para que isso acontecesse.

Bono: Todas as pessoas – elas foram realmente úteis – Ashish [Hemrajani, CEO e fundador da BookMyShow] e BookMyShow, todas essas pessoas. Nós sentimos que muitas pessoas fizeram isso acontecer. Só para você entender, nossos shows têm sido bastante técnicos ao longo dos anos. A fim de diminuir a distância entre a banda e o público, desenvolvemos tecnologias e o transporte para elas que podem acabar aumentando o preço dos ingressos e estávamos muito preocupados em aumentar o preço dos ingressos no país.

“A música é muito mais interessante que o músico.” – Bono

U2 na capa da edição de Setembro da Rolling Stone Índia

Neste ponto da carreira no qual vocês escalaram todas as alturas possíveis e conquistaram todos os elogios possíveis, quais permanecem sendo os seus maiores objetivos criativos?

The Edge: Toda vez que você cria um álbum, quando escreve uma música, tenta manter um padrão de potência criativa para o trabalho, e isso não é algo fácil. Portanto, é uma linha tênue constante e sempre presente que estabelecemos para nós mesmos, em primeiro lugar. Não é uma crítica externa, é nossa crítica interna e acho que a música e a cultura estão continuamente avançando, então para nós, como banda, sempre foi um foco nosso – tentar permanecer de alguma forma conectado com essa conversa e a cultura. Então, essas duas coisas: nossos próprios padrões e, de alguma forma a nossa conexão com o que está acontecendo – esse é o ponto. Ainda temos ambição de fazer outras coisas, mas acho que é o foco principal, certamente para mim, de forma criativa.

Bono: É interessante para escritores, poetas ou cineastas, ter mais de 40 anos nunca é um problema. Mas para músicos, parece mais difícil. Falando de um dos maiores artistas do mundo, como Prince, por exemplo. Estou tentando me lembrar de algumas músicas nos últimos 20 anos de sua vida e não consigo me lembrar de tantas. Você começa a procurar para os maiores fãs de Prince e parecem que não existem. Mas alguns artistas refutaram isso – artistas como Miles Davis, Bob Dylan, você sabe…

The Edge: Leonard Cohen.

Bono: Leonard Cohen, meu Deus! E David Bowie voltou, ele vagou  por um momento, mas todos nós já o fizemos. Eu deveria saber disso (risos) . Então eu acho que a ambição criativa, para responder sua pergunta, é escrever a melhor música de todas. Com “Every Breaking Wave” em Songs Of Innocence , chegamos às nossas cinco melhores músicas. E “Ordinary Love” – ​​eu estou tentando pensar no último álbum – e “Love Is Bigger Than Anything In Your Way” certamente tem a reação de “Pride (In The Name Of Love)” anos e anos depois.

 “As 10 melhores memórias que as pessoas tem em suas vidas geralmente incluem um show.” – Bono

Bono, aqui está uma pergunta existencial. Você falou no passado sobre como sente o desejo compulsivo de escrever músicas. Conte-me mais sobre isso – por que você sente a necessidade de criar?

Bono: Eu acho que é verdade, eu tenho escrito sobre isso recentemente, que há pessoas que cantam para viver e há pessoas que vivem para cantar, e você sabe, você se amarra a coisas que possam te manter na linha e permitir que você finja que é uma uma pessoa normal. Bem, não existe uma pessoa normal. Mas aos artistas geralmente está faltando alguma coisa. Há um vazio na vida do artista que ele tenta preencher e é daí que a música vem. Então, sim, essa é uma resposta muito existencial para sua pergunta. Tudo bem?

Ah, sim, e falando do artista preenchendo lacunas, no passado, você também abordou como deseja ser útil como artista, o que é interessante, porque a maioria dos artistas se preocupa mais em criar arte do que em ser útil. Eles também podem ter um senso de direito de que sua arte também deve ser celebrada…

Bono: Ter um sentimento, deve ser o tipo de coisa importante, não?

Sim…

Bono: Sim, temos que ter cuidado com isso.

Não se fala muito da utilidade da arte.

The Edge: E esse é o propósito, não é? Qual é o objetivo do trabalho? Um objetivo pode ser simples, você sabe, ganhar a vida com sua família – não há nada de errado nisso. Mas eu acho que para nós, desde a fase inicial como uma banda, vimos além da coisa direta de ter uma carreira, ter fãs e colocar comida na mesa para algo um pouco mais ambicioso.

E eu acho que isso se deveu em parte aos artistas que estávamos ouvindo… Bandas como The Clash que saíram daquele movimento [político], eles estavam tentando se opor ao movimento de extrema direita que estava acontecendo na Inglaterra na época e que era na ascensão da frente nacional, que era um movimento fascista na juventude da Grã-Bretanha… Então, para nós, acho que além dessas influências e algumas de nossas próprias crenças espirituais e talvez, não sei ainda um pouco da nossa experiência irlandesa – nós apenas queríamos impulsionar na  nossa música ainda mais e queríamos que isso significasse alguma coisa.

Bono: Ouvi Sinead O’Connor cantando um hino irlandês, uma oração: “Faça de mim um canal de sua paz” (suspiros) e isso literalmente me deixou de joelhos. Antes de tudo, ela é uma das maiores cantoras que já existiram, mas essa é a nossa prece – sermos úteis. Você sabe, pense em paz e amor, que surgiu nos anos sessenta e no rock & roll, no Western, foram fortemente influenciados pelos indianos. Ficou um pouco conceitual, e acontece que amor e paz não são pensamentos elevados. São coisas para as quais você deve voltar em sua luta diária, sua disciplina diária, sua prática diária – a maneira como você honra alguém, a maneira como trata seu parceiro, a maneira como trata seu vizinho, a maneira como trata as pessoas com quem você discorda é provavelmente o princípio mais desafiador, não estarmos sempre com  as pessoas com quem concordamos.

As bandas de hoje, na era digital, provavelmente nunca terão o tipo de jornada que vocês tiveram – de desenvolver seu som ao longo do tempo. Hoje, os artistas têm um tempo de desenvolvimento mais curto e precisam ser suas melhores versões da noite para o dia, caso contrário eles estão fora da corrida. E por isso também há um problema de descoberta. O U2 seria…

Bono: Seríamos descobertos até hoje?

The Edge: Essa é uma pergunta interessante.

Bono: Poderíamos ter existido nesta era?

The Edge: Nós realmente nos tornamos o U2 não tanto em nossos discos, mas em nossos shows. E acho que é para onde temos que rumar nesses dias. Para os artistas que têm longevidade real e significam algo – Chance the Rapper, que eu amo, você sabe que ele não tem um contrato com a gravadora. Ele começou a tocar em shows e construiu sua reputação e seguidores a partir disso. Eu acho que é uma forma muito melhor, como você diz que a música na vida de muitas pessoas é uma mercadoria. É como água da torneira. Você quer um pouco, fecha a torneira e aí está, e quando a fecha, você não ouve. Acho que esse fator de conveniência foi ótimo em um certo nível.

Mas também, em outro nível, tornou a relação com o artista menos profunda, e é mais sobre conveniência e é um pouco mais trivial. Mas se você gasta tempo para ir a um show, para ver a banda tocar ao vivo, é um compromisso. E você está lá por duas horas no show deles, e essa conexão dá ao artista e ao público a oportunidade de construir algum tipo de compreensão e profundidade reais. Então eu acho que, provavelmente, esse é o futuro do desenvolvimento de novos artistas.

Bono: Ao vivo é onde moramos. É aí que o U2 existe – nesse meio, mais do que em qualquer outro.

The Edge: É engraçado como você descobre suas músicas quando as toca na frente de uma plateia ao vivo. A música que você gosta em uma sala como essa, você está ouvindo a música em uma situação perfeita e, às vezes, pode se sentir muito bem com ela e, então, você a tira desta sala e a coloca em um palco. Diante de uma plateia ao vivo, e então descobre o que realmente tem. Às vezes é humilhante e às vezes você tem uma grata surpresa – você entende como uma música tem uma ressonância para o público que você não entendeu ou imaginou primeiro.

“As sociedades hierárquicas não vão vencer no século XXI. E embora a Índia possa ter começado dessa maneira, uma das mudanças mais milagrosas é esse tipo de cultura empresarial anárquica. ”- Bono

Você já ficou com medo do fato de que algumas das músicas que você escreveu nunca serão ouvidas, ou que elas se perderão na confusão da Internet?

Bono: Sim…

The Edge: Não vou dizer que é um medo, mas certamente é uma ansiedade de que seja muito mais difícil capturar a atenção das pessoas. E eu sei, estávamos conversando sobre isso com o nosso bom amigo Bruce Springsteen, e ele tem uma música…

Bono: “There Goes My Miracle”

The Edge: É uma ótima música!

Bono: Está no Top 10…

The Edge: Mas certamente será muito mais difícil para alcançar os fãs do que com as músicas de seus álbuns anteriores, onde os canais para as pessoas ouvirem novos álbuns e novas músicas eram muito mais claramente definidos e artistas como Bruce tinham uma clareza de que sua música encontraria em seu público. Agora está mais difícil.

Enquanto você diz que no ao vivo é onde você mora, hoje muitas bandas também têm a chance de estourar sem ter realizado um único show ao vivo.

Bono: Eles saem do quarto, estão no computador…

Sim, e eles ainda encontrarão o público…

Bono: Bom para eles! Quero dizer, alguns deles são incríveis. Quando você pensa em Billie Eilish e no que ela fez com o irmão Finneas [O’Connel] e eles estão apenas trabalhando em casa, e a próxima coisa que você descobre, é que então ganha alcance mundial. Mas ela é esperta, aí, tentando se descobrir ao vivo… Ela sabe o que está fazendo.

Porque você está certo, você não pode ser apenas uma criatura da gravação, então eu acho que omo Chance The Rapper ou Billie, você tem que ir lá. Você vê se as pessoas realmente têm o que quer que seja, e isso nós descobrimos ao vivo. Você não pode se esconder… E a outra coisa é que as 10 melhores lembranças que as pessoas terão em suas vidas geralmente incluem um show. Porque acho que há algo sobre uma experiência comunitária, mais do que em filmes. Os filmes não aparecem nas 10 melhores memórias das pessoas. Não sei porque. Porque acho que é assim que o cérebro recebe. Este show será o nosso último, em Mumbai. Não temos planos de fazer mais shows depois disso. Então, você sabe, será um grande momento.

Você vê esse novo relacionamento com a Índia inspirando seu trabalho?

The Edge: Bem, estou fascinado com a ideia de que a Índia é essa combinação dos muito antigos e dos super modernos. Que é a maior democracia, lidando com tantas questões que outras democracias precisam. Além disso, mas a Índia é multiplicada por 100 (sic). Então, eu estou interessado em ver como ela funciona e as lutas e desafios que existem lá. E apenas aprender. Eu acho que é algo que me empolga mais – aprender sobre esse incrível subcontinente. Subcontinente – nem sequer é um país, é um subcontinente!

Bono: Eu também – antigo e moderno, eu gosto disso. Sociedades hierárquicas não vão vencer no século XXI. E embora a Índia possa ter começado dessa maneira, uma das mudanças mais milagrosas é esse tipo de cultura empresarial anárquica – para resolver problemas de software, é preciso pensar de maneira diferente. É preciso uma certa coragem, e acho que é por isso que os irlandeses são bons em resolver problemas de código e software – nós temos isso. Sociedades estratificadas, como você pode chamar, é mais difícil para elas entrarem no século XXI. Nas sociedades em que você precisa saber seu lugar… Você sabe, a Inglaterra é estratificada pela França.

Mas você sente que, na Índia, há apenas um caldeirão de ideias. Agora, obter às pessoas acesso igual para seguir essas ideias é uma tarefa monumental. E eu entendo que todos vocês estão frustrados com isso. Mas você fizeram um progresso incrível. Estou apenas começando a jornada para tentar conhecê-lo, conhecer este lugar, este lugar antigo e moderno.

Existem artistas indianos que vocês têm entrado em contato ultimamente?

The Edge: Estou ansioso para fazer um mergulho profundo, porque, para ser honesto, não é algo que eu saiba bem. Então, para mim, parte da emoção de ir será fazer isso.

Bono: AR Rahman, todo mundo conhece. E isso é um nível completamente diferente. Mas há coisas interessantes acontecendo no hip-hop, há artistas femininas interessantes que são muito inspiradoras. Eu acho que a primeira vez que viajei para a Índia foi no “Filhos da Meia-noite” (livro de Salman Rushdie) (risos).

“Acho que as perguntas que estamos fazendo em Joshua Tree ainda são importantes.” – The Edge

A turnê de Joshua Tree é especial por muitos motivos e as músicas continuam sendo relevantes até hoje…

The Edge: O show realmente nasceu do sentido de que as músicas haviam desenvolvido uma nova pungência. E a política mundial quase que completou e, portanto, essas músicas voltaram a ter certa relevância. Eu acho que as perguntas que estamos fazendo nesse álbum ainda são questões importantes a serem respondidas agora e os princípios em que nossa banda sempre acreditou estão um pouco ameaçados, você sabe – direitos humanos, questões de justiça e, portanto, achamos que é um álbum importante, certamente para nós e para nossos fãs.

Bono: Ele refere-se principalmente à paisagem da América e, de certa forma, erotizou a paisagem da América. Não apenas isso, uma espécie de América mitológica – porque não é apenas um país, é uma ideia, especialmente para o povo irlandês, que essa era uma tábua de salvação e, portanto, temos esse relacionamento com ela. O que acontece na América, sentimos que temos interesse, e éramos fãs e críticos, e parecemos querer nos safar na América porque somos irlandeses.

E sim, a Índia é a maior democracia da Terra. É uma conquista estupenda, é inspiradora. E acho que você tem uma democracia funcional. Mesmo que você discorde do eleitorado, ninguém sente que não são os desejos do eleitorado em um mundo de democracia disfuncional, e isso acontece em todo o mundo. A democracia está encolhendo em todo o mundo, mas na Índia, não. É realmente importante para nós que vocês prosperem, que continuem seguindo em frente como você são, conheceremos um lugar não apenas para fazermos uma tour, mas também para visitar, investir e um lugar para termos grande estima. Mas tenham muito cuidado, porque a democracia não é algo que deveríamos tomar como garantido. Na história da civilização, é um pontinho e não uma certeza. Então, trate-a com cuidado.

Você já viu todos os níveis de fama. O que você gostaria de dizer aos artistas de hoje sobre a fama – especialmente aqueles que se tornam populares da noite para o dia e ganham milhões de seguidores?

The Edge: Eu realmente não posso falar com eles diretamente, mas o que eu diria sobre minha própria experiência foi a importância de quando se trata de seus velhos amigos, sua família, é deixar tudo isso na porta. É uma tendência terrível para as pessoas que lutam para se tornarem conhecidas que realmente começa a mudá-las, e nós crescemos na Irlanda e a Irlanda é uma comunidade muito pequena, então a fama realmente não opera na Irlanda como tal. Você só pode ser famoso na Irlanda, porque todo mundo conhece todo mundo. Então isso nos ajudou a manter os pés no chão. Mas no final, é como – você pode manter todos os seus amigos originais? Você e sua família se tornam âncoras cruciais, você sabe. Esses relacionamentos são tão importantes para impedir que você mude e se torne alguém de quem se arrependa mais tarde.

Bono: Meu único conselho para o meu filho, que partiu para fazer música, é: não ouça seu pai. E ele está seguindo esse conselho! (risos) Ele é levemente asmático e chamou a banda de ‘Inhaler’ (Inalador). Preciso dizer mais (risos)!

Eu acho que a única coisa, em um nível sério, é entender que a fama é uma moeda e decidir  como você a gasta, o definirá. Você pode gastá-lo consigo mesmo, você pode gastá-lo com os outros. Esteja ciente de que é uma moeda e acho que isso é  uma obscenidade – oops, palavra grande! [Há] algo sobre a fama que é um tanto nocivo.

E acho que isso meio que altera a ordem das coisas de Deus, que é, você sabe, enfermeiras ou eu não sei, serviços de emergência ou mães – essas pessoas são heróis, verdadeiros heróis. Atores, músicos – você sabe, somos super recompensados ​​e superestimados e fazemos o que amamos quando ninguém mais consegue fazer o que ama. Isso não nos qualifica como heróis. Eu apenas sinto que a fama e a cultura de celebridades podem torná-lo interessante porque você é bonito. Você sabe, essas coisas são apenas riqueza herdada. Até talento – isso é apenas riqueza herdada. Não tem nada a ver com você – veio através do seu DNA. Isso deve torná-lo muito humilde. Mas não tem no meu caso (risos).

Você mencionou sobre AR Rahman, e como você tem conferido a música dele. E quando muitos artistas globais vêm para a Índia, muitas colaborações se materializam…

Bono: Oh, eu adoraria colaborar com ele!

Você poderia?

Bono: Absolutamente!


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