Bono fala da expectativa para o show na Índia à Hot Press
Bono fala da expectativa para o show na Índia à Hot Press
13 de dezembro de 2019
Bono fala da expectativa para o show na Índia à Hot Press
Cantor falou da influência de Gandhi sobre a banda e da expectativa para sua viagem à Índia.
Victor Ruyz
Colunista do U2 Brasil

Em um artigo especialmente escrito para a milésima edição da revista irlandesa Hot Press, Bono fala da expectativa para o primeiro show do U2 na Índia em 15 de dezembro.

Pouco antes do Natal, o U2 tocará na Índia pela primeira vez. É uma de uma série de estreias para nós - incluindo Cingapura, Filipinas e Coreia do Sul. Mas levar a Joshua Tree Tour para Mumbai - Bombaim como era - será uma espécie de peregrinação a um subcontinente que deu ao mundo quatro grandes religiões: hinduísmo, budismo, sikhismo e jainismo.

Não temos aquela paixão mística louca da Índia dos anos sessenta, mas estamos encantados com a geografia e a história. Uma história que confunde as expectativas daqueles que estão de fora - que subestimam a sofisticação da maior democracia do mundo; e os que estão em casa - que despertariam o velho animus que contradiz a tradição indiana de Ahimsa, sua inspirada não-violência.

Mesmo com as preocupações atuais, é difícil para um ativista não recuar na admiração por um país que tirou o máximo de pessoas da pobreza no menor tempo possível de qualquer democracia.

Isso era impensável quarenta anos atrás, a primeira vez que nossa banda apareceu na capa da Hot Press. A primeira vez que apareceu na capa de qualquer coisa.

Resultado de imagem para U2 Come of Age – A Story of Boys in Control

‘U2 Come of Age – A Story of Boys in Control’ foi a manchete e, olhando pela capa, quatro garotos cujas vidas estão prestes a mudar tão radicalmente quanto as minhas calças de xadrez. Na foto de Hugh McGuinness, pareço Jack olhando para o gigante, pronto para arrancar os dentes - ou ser comido. Ambos eram verdadeiros, como se vê. Pensávamos que estávamos no controle, mas mesmo com grandes sonhos e grandes cabeças, nenhum de nós podia conceber o pé de feijão em que estávamos escalando, uma subida alimentada em parte pela fé desta revista em nós, numa época em que éramos mais atitude do que aptidão.

Ao longo de quatro décadas, não há muitos lugares para onde esse combustível não tenha nos levado, mas a Índia parece diferente. Ainda nos consideramos estudantes e, indo para a Índia, ainda há muito a aprender. A logística explica, em parte, por que uma visita nos levou tanto tempo, mas também o medo de me apaixonar pelo lugar e voltar a mudar demais. Acontece.

Visitar a África na Etiópia nos anos 80 virou meu mundo de cabeça para baixo (ou mais precisamente, do lado certo para cima), então fiquei com um pouco de medo de abordar a vastidão e complexidade da Índia. Como muitas crianças da minha época, minha apresentação foi via Rudyard Kipling, e eu também ouvi histórias do Raj do pai de minha tia que serviu no exército britânico. Mas foram os Filhos da Meia-Noite de Salman Rushdie que me convenceu de que eu tinha que ir. Salman retratou um mundo magicamente real, onde a história da Índia e sua modernidade estavam tanto em uma misturadora de cimento quanto em uma coqueteleira.

Bono em visita à Etiópia em 1985

Se o interesse for pela linguagem, Salman é um banquete: explorações extravagantes e sérias, selvagens personagens fictícios nos quais você acredita, ou aqueles que são, de fato, reais. Com mais de 720 dialetos na Índia, linguagem se torna música com tantas tonalidades. Eu amo a música de AR Rahman, compositor de “Quem quer ser um Milionário?”, e eu me senti grato ao ver a veracidade usada por Danny Boyle para retratar a pobreza da população que vive por lá.

Como o grande Arundhati Roy disse, “Um mundo diferente não é só possível, está a caminho. Em um dia calmo, posso ouvir a respiração.”

Em Mahatma Gandhi, Índia ofereceu ao mundo uma das almas mais límpidas, um homem que usou sua religião para desafiar sua religião – e a nossa. Ele disse uma das coisas mais inteligentes sobre o cristianismo: Eu gosto do seu Cristo, não gosto dos Cristãos. Seus Cristãos são tão diferentes de Cristo”.

O novo testamento foi uma grande influência para Gandhi, principalmente ao que tange seu princípio de não-violência. Ele dizia que o sermão da montanha é tudo de que você irá precisar.

Por isso, Índia deu ao mundo uma força maior do que a energia nuclear, maior do que o império britânico, mais poderosa do que a força em si mesmo. A ideia de não-violência. Como outras gerações, a filosofia de Gandhi influenciou-nos como uma banda, e vemos isso com líderes como Dr King - e os direitos civis aos americanos negros - e o notável John Hume.

A Índia e o mundo precisam da sabedoria de Gandhi mais do que em qualquer época. Violência está em alta, e a divisão política fica forte como um clube de líderes nativos que confundem a população usando populismo como se fosse patriotismo. Estamos acostumados com isso na Irlanda e precisamos pensar a respeito disso caso, como resultado do Brexit, o inesperado acontecer e as coisas saírem do controle.

Quando Gandhi viveu em Londres ele estudou nossa independência irlandesa, semelhante a muitos movimentos da independência da Índia. Apesar de toda nossa diferença de tamanho, cultura e religião, temos muito em comum.

Mesmo assim, não faço ideia do que esperar de nossa viagem. Talvez ninguém nos ouvirá! A energia, movimento, e cor, da música no cenário Bollywood é hipnotizante – e um pouco intimidador. Há vários DJ’s e mixers que estou curioso para conferir.

U2 no aeroporto de Mumbai

Podem quatro cidadãos de Dublin, com guitarras, um gorro e kit de bateria, combinar com isso? Daremos o nosso melhor pela Irlanda. Adam estará lá para chacoalhar as mãos e seu brinquedo de quatro cordas; Larry estará lá com sua maré; e Edge, eu ouvi, está trabalhando em seus movimentos de dança. Bollywood, aqui vamos nós!

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