Crônica: A primeira noite da The Joshua Tree Tour 2017 | U2 Brasil
14 de maio de 2017 · The Joshua Tree Tour 2017
Crônica: A primeira noite da The Joshua Tree Tour 2017
Postado por Marina

Ao final de cada show, o U2 publica em seu portal uma crônica do show que acabou de realizar. As canções mais emocionantes, a participação do público, peculiaridades do lugar, o significado do momento – tudo é revisto no texto publicado. Nesse primeiro show da The Joshua Tree Tour, o U2 revelou o significado de alguns elementos do palco, das projeções no telão e o sentido da tour na carreira da banda.

Noite de Abertura

A tour se iniciou em Vancouver (Canadá) esta noite, com a banda tocando o álbum ‘The Joshua Tree’ inteiro. Chegando no palco com ‘Sunday Bloody Sunday e encerrando com uma fresquinha e ainda não lançada canção – ‘The Little Things The Give You Away’ – o coração do show foram as 11 canções do ‘The Joshua Tree’, 30 anos após a banda fazer a primeira tour com esse álbum.

Há dois anos, quase no mesmo dia, desde que a ‘Innocence & Experience Tour’ se iniciou na Rogers Arena, o estádio vizinho recebeu a estreia da ‘The Joshua Tree 2017’. Essa tour irá tocar para uma multidão total de 1,7 milhões de pessoas em apenas 33 shows, entre hoje e 01 de agosto.

Então essa foi a primeira vez em que Larry Mullen, e também The Edge, Bono e Adam Clayton caminharam para assumir suas posições iniciais de trabalho em um segundo palco, relativamente pequeno, que receberia cinco aberturas de seleções.

“Aqui estamos nós de novo”, disse Bono, “tentando encontrar alguma mágica nesse templo de concreto”. Pelas duas horas seguintes, foi exatamente o que aconteceu. O que nós testemunhamos foi algo inerentemente diferente do espetáculo de 2015, em um show em que às vezes eram menos importantes os tons e as texturas, mas que era um pouco mais dinâmico e envolvente.

O segundo palco participou como uma sombra perfeita da gigante prateada Joshua Tree, que cresce fora do centro, customizada e construída com uma tela, que é a maior tela de LED de alta resolução conhecida já usada em uma produção de turnês. Na última visão do diretor criativo Willie Williams, o edifício de 60 metros de altura por 13 metros de largura fica esperando para vir à vida e o palco B testemunharia performances principais do U2 como ‘New Year’s Day’ e especialmente ‘Pride (In The Name Of Love)’.

Neste modesto cenário, a visceral e não-envernizada potência de quatro músicos simbióticos era tangível. Então o palco principal explode em cores vivas como se a árvore tivesse alcançado a maturidade em questão de segundos. Para uma grande aclamação, representações visuais renovadas e surpreendentes da Joshua Tree, elaboradas pelo primeiro colaborador visual e de longa data, Anton Corbijn, aparecem em uma alta definição de tirar o fôlego, acompanhadas de ‘Where The Streets Have No Name’.

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As canções de abertura do álbum são tocadas, como elas foram feitas na gravação, como se fossem uma fotografia de um set de grandes sucessos do U2, com ‘I Still Haven’t Found What I am Looking For’ e ‘With Or Without You’ seguidas de uma furiosa ‘Bullet The Blue Sky’. Um destaque da noite vem com a primeira performance da nova mixagem de Steve Lillywhite para  ‘Red Hill Mining Town’, que brevemente será encontrada na reedição deluxe do álbum.

The Edge, mente inventiva sobre os teclados e a guitarra, foi excepcional em ‘One Tree Hill’, que foi seguida de uma inspiradora descoberta: um clip original da edição de 1958 da série americana ‘Trackdown’ em que um trapaceiro conta que ele pode salvar o mundo construindo um muro. Por alguma louca coincidência, seu nome é Walter Trump.

No final, inicia-se uma fase “pós-Joshua” do show, com uma animada ‘Beautiful Day’ e uma elegante ‘Ultra Violet (Light My Way)’, dedicada às mulheres pioneiras em todos os caminhos da vida – “Herstory”(a História Delas). Esta exibição visual pede respeito a todas, de Rosa Parks a Pussy Riot e de Rosetta Tharpe a Grace Jones. A peça aparece em apoio à organização ONE e à campanha em andamento “Poverty is Sexist” (a pobreza é sexista).

Conduzindo à canção ‘One’, Bono pede ao público apoio em um apelo pelos nossos tempos: “O poder do povo é muito mais forte do que pessoas no poder”. ‘Miss Sarajevo’ foi diferente, mas sempre preenchida por uma dor relevante, especialmente acompanhada por um filme do artista francês J.R., filmado no campo de refugiados Zaatari na Jordânia, onde cerca de 80.000 sírios estão sendo forçados a ficar temporariamente.

O final foi da nova canção ‘The Little Things That Give You Away’, uma reflexiva e promissora previsão da nova aventura do grupo nos estúdios. “Às vezes o final não está chegando, o final está aqui”, cantou Bono. Infelizmente era verdade, mas esta foi uma ocasião em que, de maneira eloquente, fundiram-se o passado e o futuro do U2.

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Nota: este texto é uma reprodução do original publicado no U2.com. Para conferir o setlist, fotos e vídeos dessa primeira noite, clique aqui.


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