The Edge fala sobre "Songs of Experience" à Rolling Stone | U2 Brasil
22 de setembro de 2017 · Songs of Experience · The Edge
The Edge fala sobre “Songs of Experience” à Rolling Stone
Postado por Vicky
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Os últimos 3 anos têm testado o U2 de diferentes maneiras, da reação negativa recebida por presentear o álbum de 2014, Songs of Innocence, a todos os usuários do iTunes, até o acidente de bicicleta devastador sofrido por Bono, que o deixou com diversos ossos fraturados e o braço esquerdo despedaçado. Mas essas adversidades não se comparam a outra crise enfrentada por Bono no ano passado. “Ele teve uma experiência com a mortalidade, ” disse The Edge, escolhendo suas palavras cuidadosamente (a banda não entra em detalhes no assunto). “Ele definitivamente teve um momento sério, que o levou a refletir sobre várias coisas.”

O episódio levou a banda a repensar Songs of Experience, álbum que acompanha Songs of Innocence e no qual a banda tem trabalhado por mais de 2 anos. O resultado final possui menos da produção refinada que definiu Innocence, em favor de uma fórmula mais clássica: guitarras roqueiras propulsivas e baladas introspectivas. “Eu queria que as pessoas ao meu redor que eu amava soubessem exatamente como me sinto,” disse Bono. “Então muitas das canções são como cartas – cartas para (minha esposa) Ali, cartas para meus filhos e filhas.”

No dia após o show no Lucas Oil Stadium em Indianápolis, Indiana, The Edge ligou para a Rolling Stone para falar sobre o longo percurso até Songs of Experience e para refletir sobre a turnê do álbum que ocorrerá em grandes arenas no ano que vem.

Eu vi que vocês apresentaram “You’re the Best Thing About Me” ontem à noite. Como foi a estreia?

Eu não diria que foi a nossa melhor performance dela, mas foi bom. Nós não tínhamos tocado lá recentemente e a plateia estava realmente curtindo. Acho que foi um dos melhores shows.

Vocês iniciaram Songs of Experience em 2014, e alguns dos shows ocorreram muito antes disso. O mundo mudou bastante desde então. Como esses fatores externos mudaram o foco e o escopo do álbum?

O que queríamos fazer era sentar e ver como nos sentíamos sobre ele sair em um mundo que havia subitamente ido para outra direção. Nós não assumimos que iríamos precisar começar novamente e, na verdade, não precisamos. As mudanças que ocorreram foram predominantemente nas letras, e em alguns casos elas foram bem sutis. Algumas canções mudaram sutilmente para meio que enfatizar um aspecto ou melhor expressar o que estávamos sentindo e as ideias que queríamos colocar nelas. Mas do ponto de vista musical, o que aconteceu com esse atraso, que foi meio que incrível e ótimo, foi que tínhamos todas essas canções prontas e a maior parte delas gravadas ao ponto de estarem prontas para serem lançadas em Setembro do ano passado. Mas 1 ano atrás tivemos a sensação que queríamos explorar outras formas de produção e outras formas de arranjar e tocar aquelas canções. Sentimos que a química da banda não era representada como talvez devesse ser.

Então na primavera do ano passado voltamos para um local como uma banda, inicialmente sem Bono e então ele se juntou a nós por alguns dias no fim daquele período, e simplesmente tocamos as canções. Nós as tocamos meio que como elas poderiam ser tocadas ao vivo. Parte da razão para fazermos isso é que sempre tivemos esse tipo de rotina onde gravávamos o álbum, o lançávamos e então as rearranjávamos ao vivo. Então nossos produtores apareciam na metade da turnê e eles ficavam tipo, “Oh, droga, cara, essa música está soando muito legal agora. Eu realmente desejo que tivéssemos esse arranjo no álbum, ” Steve Lillywhite costumava dizer, “ Vocês deveriam terminar o álbum, ir em turnê, aprender, entender as canções completamente, e então voltar para o estúdio e regravar em uma semana.”

Não fizemos bem isso. Não conseguimos tocar para um público, mas ao voltarmos para o espaço de ensaio e então ao estúdio para regravar algumas das canções fomos capazes de encontrar uma síntese das performances cruas da banda e algumas das coisas que havíamos criado anteriormente. Importávamos as performances do teclado e pequenas ideias que gostamos de versões anteriores e encontrávamos um jeito de incluí-las. Se tornou meio que o melhor da química da banda mixada com o melhor da tecnologia de produção do século 21. O que resultou em uma estética interessante.

Falei com Bono alguns meses atrás e ele disse que sentiu que faltava em Songs of Innocence uma coerência na produção e que ele deveria ter sido mais cru.

Há essa dicotomia nos padrões de produção atualmente onde o ouvinte está acostumado a arranjos simples e precisos, de forma que as imprecisões de uma banda tocando em um local onde tudo converge no ambiente ao seu redor não são mais apreciadas. Isso soa, me permita dizer, antiquado. Amamos quando isso funciona para nós e amamos aquela sensação de pessoas tocando em um local, quando soa fresco. Mas acho que estamos cientes do fato que isso é associado a um som de 20, 30 anos atrás. Precisamos ter certeza, de como sempre tivemos, que somos parte de uma conversa atual que está acontecendo na cultura da música em termos de produção, composição, estrutura melódica, todas as coisas que mantém a cultura evoluindo.

O que não queremos é sermos pegos pelo que descrevo como a correnteza cultural onde os outros estão avançando e você está fielmente fazendo o que sempre fez, mas que agora se tornou anacrônico e parte de uma forma histórica ao invés de ser parte do que está movendo as fronteiras, avançando o fluxo do mercado. Tentaremos pegar o nosso bolo e comê-lo. Queremos ambos: a marca da banda clássica, que está se tornando mais e mais rara, mas também não queremos ser percebidos, e não queremos ser, uma banda veterana sem contato com a cultura, desatualizada. É uma dança. É um equilíbrio. Se permitíssemos que o álbum fosse um extremo ou outro seria errado. Encontrar esse balanço entre o que fazemos como uma banda naturalmente e o que ainda podemos fazer no estúdio. E o estúdio ainda é uma ferramenta de composição para nós e o processo de produção ainda é um processo de composição assim como de produção.

Acho que esse balanço é a razão pela qual vocês trouxeram tantos produtores diferentes para esse álbum.

Sim. Quer dizer, eles não trabalham necessariamente em todas as canções. Acabamos trazendo Steve Lillywhite, com quem tínhamos um maravilhoso relacionamento no sentido de entrarmos em um local e trabalharmos arranjos e as minúcias das partes da bateria e da guitarra. Steve é simplesmente um facilitador incrível para todos nós termos ideias e refinarmos nossas coisas. Também temos Jacknife Lee, com quem temos trabalhado por vários anos.  Ele tem essa fascinação com a produção do hip-hop e também trabalha com bandas baseadas na guitarra, então ele tem um pé em diferentes campos.

Então você tem Andy Barlow. Ele é um produtor focado na música eletrônica e no uso de sintetizadores que não está acostumado a bandas e guitarras, mas ele é incrível de outras formas. Ryan Tedder é um colaborador incrível e seu senso melódico é muito forte. Quando estamos perto do Ryan as canções ficam melhores e melhores. Os refrãos melhoram. Os ganchos melhoram. Os arranjos ficam mais simples e focados. E Jolyon Thomas é um grande produtor de rock moderno no sentido que ele entende e ama bandas. Ele entende e ama guitarras, mas ao mesmo tempo entende qual é o som certo da guitarra de forma que não pareça que você não está atualizado. Há coisas sutis as vezes, apenas a diferença entre um som de guitarra do White Stripes e um do Led Zeppelin. De algumas formas é algo sutil, de outra estamos falando de algo bem diferente.

Steve ainda é próximo? Você o traz no final para ver tudo?

Hmm… Sim e não. Eu acho que, neste caso, foi mais para o lado orgânico do álbum. Ele entrou para trabalhar nisso. Às vezes, tivemos versões quase rivais. Tínhamos músicas como “The Blackout”, das quais tínhamos praticamente duas versões dela. Havia uma versão mais orgânica e, em um outro estúdio no andar de cima, tínhamos outra versão pouco mais do século XXI, um pouco mais despojada. Nós analisamos o álbum faixa a faixa. “Bem, essa pode ser um pouco mais orgânica porque essa é um pouco mais disciplinada  de forma sônica.” Você provavelmente percebeu que a versão de “You Are The Best Thing About Me” que lançamos é bastante diferente daquela que estamos tocando ao vivo, e o mix final ainda está a seis semanas de distância.

Como vocês fazem a escolha entre as músicas? Como é o processo?

O processo é que, lentamente, começamos a colocar as músicas como pedras angulares no lugar e depois vamos circulando em torno dessas músicas, e colocando alguma cola para criar a identidade geral do álbum. Para mim, uma das músicas mais inovadoras foi “The Lights in Front of Me”, que agora se chama “The Lights of Home”. Tivemos muitos versos rock & roll que soavam muito realmente ótimos, mas um pouco retrô. Nós meio que sabíamos que estava funcionando porque nós simplesmente a amamos muito, e então Jacknife (Jacknife Lee, produtor musical) fez um arranjo mais despojado. A bateria era uma espécie de questão em aberto, então veio Larry entrou e tocou, e então parecia uma produção muito contemporânea, mas depois com essa incrível, lindamente tocada bateria humana em cima dela. E eu acho que por ela ter sido tocada por conta própria pode ocupar o espectro do som que ele fez. Ainda parece muito moderno, mas quase parece que tem uma influência do hip-hop ou, ao contrário, uma influência  de R&B maior ainda do que a de rock. De qualquer forma, essas pequenas dicas fazem você seguir, “OK, uau, essa é a síntese do que estamos tentando alcançar aqui.”

No caso de “You’re the Best Thing About Me”, ficamos muito entusiasmados com o mix que realizamos há seis semanas. Em seguida, nós começamos a falar sobre como iriamos tocá-la ao vivo e então eu voltei há algumas versões demos mais antigas e encontrei o que tínhamos feito naquele ponto, quando estávamos experimentando com diferentes ideias de arranjos. Era um experimento no qual não havíamos seguido e pensei: “Essa seria uma boa abordagem se tocássemos ela ao vivo.”, o que nós fizemos no programa de Jimmy Fallon. Foi uma abordagem desenvolvida com algumas novas guitarras.

Então Bono chegou no estúdio para ouvir e foi como, “OK, algo está acontecendo aqui. É uma música melhor agora. Não posso explicar o porquê, mas estou sentindo algo assim.” Então nós entramos em pânico, com a gente trabalhando furiosamente dois dias antes dela virar single e a levamos a todos para que fosse escutada. Acabamos por concordar com a simplicidade, a crueza que ao mesmo tempo oferece um contrapeso para a letra e a melodia, que é muito clássica. É uma canção de amor e isso a leva de uma forma mais convincente. De alguma forma, a música parece melhor, e isso foi feito totalmente no último momento.

Vocês agora concluíram o álbum novo?

Levando em consideração que temos uma lista de faixas, o título, mixes acertados com minúsculas, pequenas nuances onde queremos fazer pequenas mudanças. Então sim, está absolutamente pronto para seguir em frente. Estamos muito felizes com isso.

Quais são os últimos ajustes?

Só alguns detalhes, nada muito substancial. Nada que ninguém além da banda, pudesse notar, porque nós temos esses mixes e estamos tentando encontrar os nossos favoritos. Podemos gostar do mix, mas talvez haja alguma mudança lírica que não tenha sido colocada nele… Realmente são os pequenos ajustes finais.

Você me falou um pouco sobre o “flerte do Bono com a mortalidade”. Você poderia nos explicar melhor.

Nós estávamos em meio ao processo de criação do álbum, e isso que influenciou um pouco a criação das letras e onde ele acabou indo. Foi retirado de uma citação de Brendan Kenelly. Ele é um poeta irlandês, que nos deu uma vez um conselho, que sempre achou útil escrever como se estivesse morto. A interferência é que isso nos liberta de ter que justificar mais tarde ou ser delicado, ou ser qualquer outra coisa senão uma expressão pura de sua essência e do que é crucial para você.

Bono seguiu essa citação, essa ideia, e ele escreveu muitas dessas letras como cartas para certas pessoas, que são pessoas muito importantes em sua vida, os fãs do U2 são alguns deles, a sua família é outra, amigos, quem quer que seja. Estes se tornaram como um série de letras no fundo da sua cabeça. Ele estava pensando: “Se eu não estiver por perto, o que eu gostaria de deixar pra trás?” E essas letras têm um certo poder para elas. Eu acho que claramente o trouxeram para um lugar onde ele queria escrever sobre as coisas essenciais. Claro que, no momento em que terminamos o álbum, o aspecto político começou a ser trazido novamente , então se tornou uma síntese de letras muito pessoais com referências políticas e sobre o que está acontecendo.

Eu ouvi “Summer Love” que é claramente sobre os refugiados.

Há varias coisas nela, mas o ponto de partida foi uma história na CNN sobre o jardineiro de Aleppo. É sobre esse cara que cuidava de um jardim em Aleppo, e que o manteve durante toda a guerra. Foi uma declaração política para todo o mundo que ele mantivesse esse jardim. Ele era esse personagem profundamente filosófico e par ele era um ato de desafio cultivar flores no meio de Aleppo. Ele acabou sendo morto em um ataque aéreo, então foi um final muito triste, mas Bono foi realmente inspirado pelo seu desafio. Quando olhamos aquela música,  decidimos que deveríamos focá-la geograficamente.

As primeiras linhas de “The Blackout” são “Um dinossauro se pergunta o porquê de ainda caminhar sobre a Terra”. Vocês estão cantando sobre como é ser uma banda de rock em 2017?

Acho que é isso, mas também estamos falando sobre para onde estamos indo daqui e nisso eu acredito que tem mais um aspecto político e também uma referência a Donald Trump. O que é engraçado sobre alguma dessas músicas, é que é como  se elas fossem duas músicas acontecendo em paralelo.

Esse álbum vai ser lançado da forma tradicional?

Eu acho que neste momento, eu estou muito comprometido em lançá-lo em cooperação com todas as partes interessadas no negócio de lançamento de música, ao invés de tentar como fizemos da última vez, encontrar uma única saída e acabar por ficarmos para trás com isso. Parte da razão pela qual eu acredito nisso para esse momento é que, embora a indústria da música esteja tão fragmentada porque há tantas formas de venda e tanto barulho em torno disso, com o lançamento de tantos álbuns, é o momento para nós encontrarmos uma coalisão de parceiros que possam estar interessados nesse trabalho.

Nós fizemos muito contato com as rádios, porque o rádio mesmo que você possa argumentar que tenha sido ultrapassado pela internet e as redes digitais, sociais e tudo isso, na realidade ele ainda é um meio dedicado ao formato musical. O contato humano é algo que realmente nos inspira com aqueles que trabalham nas estações de rádio. Há pessoas como nós, que são apaixonadas por música e acabam encontrando um caminho de trabalhar em um mundo dedicado a ela, então acabamos por conhecer várias pessoas. Foi muito divertido. Eu acho que vai ser interessante acompanhar como vai ser o lançamento do álbum. Eu acho que vai caminhar pela divulgação boca a boca dentre aqueles que são realmente apaixonados por música.

Então no “dia 1” já vai estar disponível no Spotify, Apple, Tidal…

Sim, nós estamos trabalhando com todos. É o nosso mantra agora. Nós estamos preparados para trabalhar com todos.

Eu sei que vocês retornarão às arenas na turnê do próximo ano. Vocês já estão pensando sobre o setlist? Com a chegada das novas músicas, vocês tocaram diferentes antigas das que estão tocando agora na “Joshua Tree Tour”?

O que nós temos agora são apenas fortes especulações e tentativas sobre o trabalho, em vez de um plano propriamente firmado. Sim, a forte tendência é que iremos tocar em arenas no próximo ano promovendo o álbum. Vamos tocar na América do Norte e Europa, e provavelmente mais além. Nós estamos no estágio do planejamento agora e falando sobre a produção e essas coisas, então isso é o que eu espero que façamos. Mas é claro, até que tenhamos um plano realmente traçado e tudo isso seja realmente idealizado, eu ainda não sei.

Vocês já pensaram muito sobre o setlist a ser definido ou isso ainda está muito distante?

Nós ainda não chegamos nessa fase, mas estaremos pensando sobre isso logo logo. O que é interessante nisso é que nós temos esses dois álbuns que são lançamentos complementares: Songs of Innocence e Songs of Experience. O que quer dizer, nós poderíamos fazer uma turnê apenas com esses dois álbuns. O que poderia ser uma proposta interessante. Provavelmente não é o que vamos fazer, mas há opções muito interessantes para se explorar. Nós vamos tocar apenas músicas desse novo álbum e alguns dos clássicos do U2, ou vamos tocar também algumas músicas de Songs of Innocence, também? De alguma maneira, eu gostaria de tocar Songs of Innocence novamente porque nós não fizemos tantos shows da última vez quanto poderíamos, e eu acredito que isso no palco realmente funcione. Eu gostaria de tocar um pouco mais. Nesse ponto, nós temos a liberdade de fazermos o que quisermos.

Vocês podem não tocar músicas do Joshua Tree desta vez, apenas para contrabalancear a turnê deste ano?

Eu acho que ficou bem claro que tocaríamos essas músicas no verão (do Hemisfério Norte) e na maior parte do ano, se você pensa nisso, seria uma boa tirar uma pausa disso.

Seria inusitado fazer um show sem ao menos “Where The Streets Have no Name”?

Sim, acho que talvez possamos fazer uma turnê sem “Where The Streets Have no Name” no set. Eu não diria que seria inusitado, mas seria incomum. Mas eu não descartaria isso. Temos muitas músicas e gostamos de dar férias a elas as vezes, porque podem chegar em um ponto que perdem a sua ressonância mais profunda. O aspecto emocional de qualquer música do U2 é o seu ponto de partida. Você nunca quer estar em uma situação que está apenas tocando uma música por tabela.

Caminhando para o final aqui, este ano é o 20º aniversário do Pop. Você sabe que o culto ao redor dele aumento no meio da comunidade dos fãs do U2?

Bem, isso é algo sobre o qual eu tomei conhecimento recentemente. Eu amo o álbum e eu acredito que tem coisas muito boas nele. Mas no momento do lançamento, foi algo que nos escapou, talvez porque tenhamos nos apressado. Nós logo nos comprometemos com a turnê, se tivéssemos tido mais tempo, penso que ele poderia ter sido plenamente realizado. Começamos a tentar fazê-lo como um álbum de cultura dance, e em seguida percebemos, que no final, nós podemos fazer coisas que nenhum artista ou produtor de dance pode fazer, então tentamos seguir em frente nos dois sentidos. Nesse caso, acabamos provavelmente indo muito longe e em outra direção. Nós provavelmente precisávamos permitir que a música eletrônica tivesse sobrevivido um pouco mais.

Eu acho que músicas como “Please” e “Gone” envelheceram muito bem.

Eu amo ambas. Eu gosto também de “Wake Up Dead Man”. Eu amo essa música. Uma das músicas que eu estava tentando persuadir a todos a tocar na última turnê era “Playboy Mansion”. Mas eu acho que “Pop” é um grande disco. Eu estava muito orgulhoso disso até o final da turnê. Finalmente nós percebemos quando lançamos o DVD. Foi um show maravilhoso do qual eu me orgulho muito.

Uma pergunta totalmente aleatória, mas há alguma chance de algum dia vocês tocarem “Lady With The Spinning Head” ao vivo? Eu amo essa música e os fãs simplesmente enlouqueceriam.

(Risos) Poderia sim (soando distante). Quer dizer, é engraçado. Essa melodia é a primeira na qual trabalhamos quando estávamos fazendo nossas primeiríssimas demos (para Achtung Baby). Eu estava muito inspirado pelo que vinha de Manchester na época. Havia essa nova sonoridade, essa nova sensibilidade rítmica que era a sinestesia absoluta do rock & roll e  cultura club de Hacienda, com bandas como Happy Mondays e Charlatans e o New Order.  Foi uma época tão incrível na música, então, quando entramos no estúdio, usava máquinas de ritmos e estava tentando encontrar um caminho para uma abordagem mais rítmica. “Lady With The Spinning Head”, foi uma música protótipo e passamos pelo processo do que chamamos de divisão celular. Tornou-se “The Fly”, tornou-se “Zoo Station” e tornou-se “Light My Way”. Acabou sendo três músicas no Achtung Baby.

Nós continuamos tocando “Light My Way” nessa turnê. Mas sim, eu gosto dessa música. É a versão crua  com todas as texturas que acabaram aparecendo em músicas que se tornaram monstros, mas é o DNA para muito daquele álbum.

Finalmente, eu vi que vocês fizeram um snippet de “Drowning Man” durante “One” nos últimos shows. Isso deixa mais próximo do meu sonho de ouvir toda ela ao vivo.

Tínhamos pego uma parte dela durante a 360. Eu acho que é sobre encontrar a configuração certa para algumas músicas. Embora chegássemos perto de fazê-lo ao vivo, era algo que simplesmente não se encaixava no momento e na produção. Eu acho que algum dia definitivamente vamos tocá-la ao vivo, talvez seja necessário que ela esteja em um ambiente mais íntimo, talvez com instrumentos adicionais. Mas eu adoraria fazer isso. Eu me lembro de ter pensando na época, “Oh, talvez isso seja um single”. Eu realmente a amo, e tenho um verdadeiro ponto fraco com isso.

Fonte: Rolling Stone


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