Especial Boy 40: Paul McGuinness
Especial Boy 40: Paul McGuinness
28 de julho de 2020
Especial Boy 40: Paul McGuinness
Conhecido por décadas como o quinto membro do U2, Paul McGuinness tornou-se empresário da banda em 1978. Mas no começo, Paul não se animou muito com a ideia.
Rômulo
Editor-chefe do U2 Brasil

Poucos empresários estão intimamente ligados com um artista como Paul McGuinness esteve com o U2, um grupo que ele levou de uma banda de músicos amadores tocando nos bares de Dublin para serem considerados hoje uma das maiores bandas do mundo. Até meados de 1978, quando conheceram Paul McGuinness, quem desempenhava a função de empresário do U2 era o próprio baixista, Adam Clayton. Tudo mudou quando o jornalista Bill Graham, da revista irlandesa Hot Press, apresentou os quatro músicos a McGuinness, que prontamente aceitou ser manager da banda, mantendo-se como tal até 2013. Mas no começo, Paul não se animou muito com a ideia.

Aos 27 anos, Paul McGuinness já tinha uma vida movimentada e atualmente trabalhava na produção de filmes com locações na Irlanda. Ele já tinha empresariado um grupo chamado Spud, que havia feito um relativo sucesso fora da Irlanda, mas que se separou por terem juntado inúmeras dívidas. Paul tinha um sonho. Ele queria "achar uma banda nova, com talento e que precise de ajuda. Mas não quero uma banda onde os garotos estejam já preocupados em pagar empréstimos da compra da casa ou andando com suas jovens esposas grávidas. Quero uma 'baby band', com meninos que tenham vontade de trabalhar duro e talentosos." 

Quando seu amigo Bill Graham falou sobre um novo grupo de meninos promissores, Paul foi meio relutante. Em sua cabeça seria apenas mais uma banda punk e Paul odiava a estética e o som que os punks faziam, excessivamente alto e berrado. "Você precisa ouvi-los, Paul. São muito crus ainda, mas promissores," dizia Graham. Mas Paul não estava tão certo assim.

Adam Clayton era empresário em tempo integral do U2, ainda que não tivesse a menor ideia de como agia um. Um dia, Adam resolveu ligar para Paul McGuinness. Ele o convidou para uma conversa informal. Paul disse que poderia, mas em outra oportunidade, pois estava muito ocupado em uma filmagem e preferia que Clayton voltasse a telefonar dentro de uma ou duas semanas.

Como Paul não respondeu ao convite de Adam, Bill Graham insistiu novamente para que ele fosse ver a banda. "Eles são o que você procura, Paul". Mas McGuinness continuava hesitado e só depois de consultar sua esposa Kathy, é que aceitou o convite. Foram então Bill, Kathy e o amigo Tom Saunder conferir a tal "baby band" que Bill garantia ser a que Paul procurava. Na verdade, Paul já havia dado o cano no U2 duas vezes, causando a ira de todos que já queriam tirar de Adam Clayton a responsabilidade de ser o empresário. Adam tentou convidar Steve Averill, para ser o empresário. Steve agradeceu, mas recusou. Foi apenas no dia 25 de maio de 1978 que McGuinness decidiu ir assistir ao grupo. Nesse dia, o U2 tocaria no Project Arts Centre, abrindo para os Gamblers.

A primeira banda a subir ao palco foi o Virgin Prunes e logo Paul torceu o nariz. O grupo tocava tendo Larry, The Edge e Adam como músicos de apoio. McGuinness abriu um jornal e começou a ler, rezando para que logo pudesse estar em casa. E então aconteceu: o U2 subiu ao palco. Paul fechou o jornal e começou a reparar nos quatro garotos: o baterista era bonito e sabia tocar. O guitarrista tinha um bom estilo e jeito para o instrumento. Mas o que mais chamou sua atenção foi Bono. Ele o considerou extraordinário, mas não como vocalista, pois Bono não sabia cantar, mas por sua performance teatral, sem querer parecer "cool". Paul adorou o que viu, pois eram jovens, talentosos e diferentes.

Terminada a apresentação, Paul foi conversar com eles. A banda começou a fazer dezenas de perguntas, querendo saber se trabalharia em tempo integral, se ele tinha dinheiro para bancar shows e como eles viveriam. McGuinness argumentou que eles tinham uma grande presença no palco, que a vida na estrada realmente seria muito dura e que precisariam firmar um compromisso desde o início. Os garotos então pararam de falar e o escutaram atentamente e concordaram em fazer tudo o que ele havia pedido. A banda não queria o estrelato imediato, preferiam primeiro escrever suas canções e começar lenta, mas progressivamente sua escalada. Não havia grande urgência, desde que o progresso acontecesse, ainda que de forma gradual.

"Então temos um empresário?", perguntou Adam, o porta-voz da banda. "Sim", respondeu Paul. A banda ficou eufórica, e ao contar a notícia para Guggi e Gavin, ouviram uma sonora risada. "Esse panaca é o empresário de vocês? Meu Deus!", zombou Gavin.

A partir daquele dia, McGuinness tornou-se o quinto membro do U2, desempenhando papel fundamental para que o grupo trilhasse o caminho do sucesso. Em 2013, ele deixou o cargo de empresário do U2, passando a se dedicar ao cinema. Em comunicado, a banda agradeceu:

"Paul nos salvou de nós mesmos muitas vezes e não seríamos o U2 sem ele."

Via U2 Sombras e Árvores Altas

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