Especial Pré-Tour: Elevation Tour | U2 Brasil
1 de maio de 2015 · Especial Pré-Tour
Especial Pré-Tour: Elevation Tour
Postado por Aleh

A Zoo TV e a PopMart foram turnês grandiosas. Cheias de efeitos visuais, personasalternativas de Bono, declarações polêmicas dos membros da banda, e uma ironia refinada, essas duas turnês levaram o U2 a um patamar inovador nunca antes visto. E se a crítica e os fãs pensavam que as inovações iriam continuar, a banda irlandesa surpreendeu a todos – novamente – com uma turnê sem grandes artifícios visuais, mas com grande aproximação com o público e performances passionais no palco. Era o U2 de volta às arenas.

Larry: Eu estava feliz por estar de volta às arenas. Esse álbum era para deixar as pessoas saberem que o experimento do ‘Pop’ tinha acabado, e o essencial do U2 ainda eram os quatros membros da banda. As arenas pareciam o lugar perfeito para se fazer isso. Nós fizemos algumas apresentações em alguns clubes para nos preparar para a turnê, uma coisa que não fazíamos desde o começo, The Man Ray Club em Paris, The Astoria em Londres e no Irving Plaza em Nova York. Tocar para cinqüenta mil pessoas é mais fácil do que quando comparado a tocar para duzentas e cinqüenta pessoas, quando o público consegue ver o branco dos seus olhos, eles podem ver o seu medo, eles podem ver tudo. Isso é assustador. A nossa música é feita para lugares grandes. Nós passamos o início da nossa carreira tentando nos livrar dos lugares pequenos.

Com os shows em arenas novamente, o U2 conseguiu voltar ao tempo em que tocava em pequenos clubes, o máximo que o status de gigante do rock conseguiu fazer. As novas músicas e as músicas antigas se completavam. Era a reentrada da banda a fim de se conectar de modo íntimo novamente com a platéia de fãs que os aguardavam todas as noites. Enquanto a banda fazia seus shows pelos Estados Unidos, Bono permanecia atormentado pelo fato de que seu pai estava com a saúde se deteriorando rapidamente, o que fez com que ele pegasse diversas vezes o avião depois dos shows, especialmente durante a turnê europeia, para visitá-lo no hospital.

Edge: Ele decidiu que ia continuar com a turnê e passar o maior tempo que pudesse com o seu pai. Então, houve vários vôos de volta para casa em Dublin após os shows pela Europa, para ficar ao lado da cama com o seu pai. Ele passava alguns dias no hospital e depois voltava para estrada. Isso foi muito difícil para o Bono. Eu realmente senti muito por ele. Eu acho que os shows se tornaram a oportunidade para ele liberar suas emoções. De alguma forma, foi onde nós vivemos por muitos anos e é quase um processo natural para gente lidar com esses sentimentos através da música e das apresentações. Nós estávamos prontos para fazer o que ele quisesse. O legal foi que ele conseguiu ficar um bom tempo com o seu pai, só eles. E eu acho que isso, o tanto quanto foi possível devido o caráter do seu pai, houve uma sensação de aproximação e paz, e as coisas se tornaram mais compreensíveis entre eles. Eles tinham um amor muito grande entre eles, mas ao mesmo tempo, as formas de cada um de se comunicar estavam em mundos completamente diferentes. Não levando em conta as diferenças de gerações.

Bob Hewson faleceu em 21 de agosto, bem no meio de uma série de shows em Londres, no entanto, mesmo que pudesse cancelá-los, Bono decidiu que o melhor a fazer era tentar consolar sua tristeza no meio de milhares de pessoas: seus fãs, seu público, seus amigos. Os shows em Slane Castle começaram no dia após o funeral. Vinte anos depois, U2 volta a tocar em Dublin e se apresentar para milhares de pessoas. Entre tantas emoções, aconteceu que os shows foram memoráveis, e ficariam, mais tarde, eternamente gravados em DVD.

Após a segunda leg, um outro acontecimento, dessa vez não de cunho pessoal, mas global, abalou a estrutra da banda, assim como de milhões de pessoas: os atentados de 11 de setembro. E, de modo quase mágico, parecia que o álbum havia feito para situações como aquelas. As letras emanavam uma sensação de esperança que era tangível, e era como se soubesse o que estava para acontecer, sendo feitas para darem um pouco de alento a um coração partido pela dor.

Paul: De um modo estranho, a turnê do U2 se tornou uma espécie de símbolo daquilo que a América era. Os shows após o 11 de setembro tiveram um caráter completamente diferente, foram transformados pelo que tinha acontecido. Os americanos gostam muito de olhar para o próprio umbigo, se preocupam muito com si próprios. E nessa época enfrentaram um abalo pelo qual o resto do mundo irá pagar até o fim dos tempos. Aqueles shows eram como cerimônias religiosas e fabulosos espetáculos de rock’n’roll. Uma extraordinária corrente de energia e sentimento passa através da banda, através do público e do material. As pessoas vivem indiretamente por meio daquelas músicas e de quem as toca, e isso se tornou bastante explícito nos meses que sucederam o atentado às Torres Gêmeas. Foi fascinante presenciar tudo. Noite após noite, ver músicas subitamente transformadas e carregadas de novos significados.

Os shows do U2 após o 11 de setembro mudaram completamente, e, se já eram energéticos antes, a paixão e o fluxo de sentimentos intensos puderam ser tangíveis naqueles concertos. Enquanto “Walk On” tocava no palco, todas os nomes das pessoas desaparecidas foram lidos em voz alta, e o U2 se tornou a trilha sonora de um país que estava em luto.

E em 3 de fevereiro de 2002 a banda terminou a turnê de uma forma completamente diferente de todas as outras: com o histórico show no intervalo do Super Bowl, uma atuação que foi considerada o melhor show de todos os tempos da renomada competição.

Depois da “Elevation Tour”, U2 tocou o mundo novamente. Não com grandes produções, nem com letras intricadas, cheias de ironias e metáforas, mas com criações cruas e puras. U2 abriu seu coração para o público, e recebeu de volta carinho e amor. E, novamente, estávamos diante da maior banda de rock do planeta, a qual alcançou esse status com apenas duas armas: três cordas e a verdade.


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