Especial Pré-Tour: PopMart | U2 Brasil
29 de abril de 2015 · Especial Pré-Tour
Especial Pré-Tour: PopMart
Postado por Aleh

Não só os fãs e as críticas que viram com um certo descontentamento o novo som do U2, a própria banda expressou seu descontentamento com o resultado do trabalho, como visto nesses trechos do “U2 by U2”:

“Bono: Pop é o som do U2 tentando fazer uma homenagem à cultura club sem usar as ferramentas da música dance, que são repetição de sons, bateria automática e sons pré–fabricados. A sessão rítmica foi posta de lado. Eu achava que podíamos ter feito, mas eles realmente não queriam nada eletrônico. Eles certamente apontaram que isto não era o que nos tornava únicos ou extraordinários. Eu odeio quando o senso comum interfere no caminho de um bom conceito. Em certo momento, ouvindo novamente algumas sessões bastante longas e comuns, Nellie virou para mim e disse, ‘Isto não é Thriller, é, Bono?’ A coisa a se fazer teria sido parar, reorganizar e continuar com as músicas em um nível mais alto. Mas nós não fizemos isto. E, pior, nosso empresário conversou conosco sobre o mais perverso dos crimes: o agendar a turnê. O prazo final estava se aproximando ameaçador. Pop nunca teve tempo para ser acabado apropriadamente. Esta foi realmente a sessão demo mais cara da história da música.”

“Adam: O Bono tinha bons e maus dias. Algumas vezes a sua voz estava presente e era ótima e outras vezes estava irritada e acabava indo embora por nenhuma razão aparente. Pessoalmente, eu acho que o problema podia ser o estúdio. Nós estávamos bem próximos à uma fábrica de concreto e se você deixasse alguma coisa do lado de fora, depois de alguns dias estaria coberto de poeira. Eu acho que se você tem cordas vocais sensíveis, provavelmente poeira de concreto não é uma boa coisa.”

Um álbum de rock, com o nome “Pop”, uma turnê imersa em referências PopArt e ironia requintada, em um ambiente grunge. Junta-se a isto o fato de não ter havido ensaios com as novas tecnologias usadas no palco, e com a reestruturação das músicas, e tem-se a receita quase desastrosa,  o que foi aquele show em Las Vegas no início da PopMart. Os críticos, e a massa, já estavam descrentes com relação ao “novo estilo” da banda, e o fato de noticiarem em larga escala que o U2 estava se vendendo para grandes redes coorporativas (sem veicular, no entanto, que era justamente a ironia da turnê), determinou-se que o começo da PopMart tenha sido um período bastante turbulento para a banda.

Depois que alguns shows, no entanto, a turnê começou a ser colocada em prática de um modo a dar a volta por cima de todas as críticas que a haviam lançado. Na verdade, como sempre reitero, esta é uma das grandes qualidades do U2: o fato de que eles conseguem se reinventar e contornar uma situação que está praticamente perdida. Eles passaram da descrença dos primeiros shows da turnê, para shows que ficariam marcados na memória de muitos.

Um dos grandes momentos de toda a turnê, e até mesmo de toda a carreira do U2, foi o show realizado em Saravejo. Ora, o momento parecia não ser o mais propício, com soldados da OTAN por todos os lugares, tentando manter uma paz que parecia se segurar por uma fina linha de algodão. O que iria fazer, neste lugar, uma banda de rock, com ideologias políticas e muita ironia desconcertante? Obviamente, todos imaginavam que não havia lugar para U2 ali em Saravejo. Mas o U2 sabia que aquele era o momento certo.

Contudo, no dia do show, Bono acordou sem voz. O único dia que não poderia acontecer, aconteceu. No entanto, isso levou ao concerto um grau emocional extremamente fonte, visto que a multidão teve que cantar não com o U2, mas para o U2.  E apesar dos pesares, o show da banda em Saravejo foi o marco da volta à normalidade de um local maculado por guerras e ataques.

Quando foi a vez de trazer a turnê para a América do Sul, a situação já tinha sido completamente revertida. E se para a banda os shows foram inacreditáveis, assim também o foram para o público. Mesmo os inúmeros problemas que aconteceram durante a passagem da turnê pelo Brasil, não eclipsaram o brilho da tão aguardada vinda do U2 pela primeira vez. Os problemas, foram especialmente estressantes no Rio de Janeiro, com a troca do local do show, e o acesso ao mesmo, que culminou com várias pessoas que não conseguiram chegar, ou chegaram tarde.  A parte logística da passagem do U2 pelo Brasil rendeu não apenas uma grande dor de cabeça para a banda e o público, como também um grande processo, cuja ação foi ajuizada pelo Franco Bruni.

No entanto, como dito em linhas anteriores, o show do U2 no Brasil foi um dos grandes momentos daquele ano, e, para quem esteve presente, momentos que marcaram a memória, de uma vinda tão esperada, quanto a da banda. Certamente, todos que participaram dessa grande festa brasileira, têm guardado na memória um dos melhores e mais emocionantes dias de sua vida. E não é para menos. Como tudo o que fazem, a banda imprimiu um carinho especial nesse País, que os acolheu com seu sol, sua alegria, e seu amor.

Portanto, não se pode negar que  U2 se reinventou novamente com a chegada de “Pop”, uma reinvenção que havia começado desde o – também controvertido – “Zooropa”, mas que atingiu seu ápice com “Pop”, um álbum que conseguiu juntar a batida sonora das músicas dançantes, com a densidade lírica das letras. Uma junção que apenas o U2 poderia fazer.


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