A história por trás da gravação de “Exit” | U2 Brasil
7 de maio de 2017 · Notícias
A história por trás da gravação de “Exit”
Postado por Thiago Dos Santos

“Essa canção é sobre um homem religioso… que se tornou um homem muito perigoso, e que não conseguiu entender o mistério das mãos do amor”, disse Bono introduzindo “Exit” em um show da Joshua Tree tour no Los Angeles Memorial Coliseum em 1987. O vocalista da banda estava sem dúvida preparando a casa cheia para uma canção que não possui um início, meio ou fim feliz. Ela permanece como uma das mais pesadas do catálogo da banda.

O ponto inicial de “Exit” pode ser encontrado na maldade que estava presente nos livros que retratavam os homicídios no coração da América nas décadas anteriores. Especificamente as mortes cometidas por Gary Gilmore em Utah em 1976, e um massacre que ocorreu no Kansas em 1959 quando Richard Hickock e Perry Smith assassinaram a família Clutter.

“Eu tinha lido ‘The Executioner’s Song’ de Norman Mailer e ‘A Sangue Frio’ de Truman Capote”, disse Bono no livro U2 by U2. “’Exit’ foi minha tentativa de escrever uma história dentro da mente de um assassino. Não para focar na América e sua violência presente em uma política externa agressiva, mas para realmente entender que você tem que ir fundo na sua própria escuridão, a violência que todos nós possuímos dentro de nós”.

“Violência é algo que eu sei bastante sobre”, o vocalista continuou. “Eu tenho um lado meu que, encurralado, pode ser bem violento. É o lado menos atraente de qualquer pessoa e eu queria assumir isso”.

O guitarrista, The Edge, disse a Rolling Stone que o título inicial da canção era “Executioner’s Song”, e continuou, “Nós estávamos utilizando muita literatura como nosso ponto de início para as canções buscando levar nosso trabalho para uma direção um pouco diferente”.

Graeme Thomson, em seu livro, “I Shot a Man in Reno: A History of Death by Murder, Suicide, Fire, Flood, Drugs, Disease and General Misadventure, as Related in Popular Song”, desenhou paralelos entre a letra de “Exit” e o filme “O mensageiro do diabo” de 1955. Nele, Robert Mitchum interpreta um reverendo misógino que também é um serial killer. É uma história onde a luz e a felicidade são cobertas pelas sombras.

A escuridão nas estrofes de “Exit” – falando sobre um homem torturado que “se perdeu” e encontrou a si mesmo com uma mão em seu bolso segurando uma pistola – é exacerbada pela falta de remorso e uma certeza de que algo ruim irá acontecer preparado primeiramente pelo baixo ameaçador de Adam Clayton, explodindo eventualmente em uma parede de dissonância vinda da guitarra do Edge.

“’Exit’ veio de uma jam da banda”, Clayton disse em U2 by U2. “Ela era bem longa no início e tocamos uma vez e Brian Eno cortou até que ela alcançasse a forma final”.

Embora inicialmente ela fosse começar com a linha de baixo de Adam Clayton, um número desconhecido de CD’s foram impressos ao longo dos anos iniciando a canção com Bono cantando a capella, “Ó grande oceano / Ó grande ar / Corra para o oceano / Corra para o mar”, que na verdade é a seção que conclui a canção anterior, “One Three Hill”.

Uma nota trágica conectada a canção foi a afirmação de Robert Bardo dizendo que ela serviu como a inspiração que o levou a perseguir e posteriormente matar a atriz Rebecca Schaeffer no verão de 1989. Durante o julgamento, de acordo com o Los Angeles Times, quando a canção foi tocada no tribunal, Barco ficou visivelmente animado, chegando a dublar as palavras “a pistola pesando”. É uma história assustadora visto que ele tinha atirado na atriz de 21 anos na porta de seu apartamento na Califórnia. Após essa revelação perturbadora vir à tona, a banda parou de tocá-la ao vivo, o que pode ter sido mera coincidência. Quando perguntado anos depois pela Hot Press se ele se sentia responsável pelos terríveis eventos que se seguiram, Bono respondeu, “De jeito nenhum”.

“Isso soou para mim como um bom advogado trabalhando para seu cliente”, ele disse. “Mas eu ainda acho que você deve caminhar por essas ruas na sua música. Se esse é o rumo em que o tema está te levando, você tem que continuar  nele – pelo menos na imaginação. Eu não tenho certeza se eu quero viver nesse local. Você pode fazer uma caminhada, e tomar um drink com o diabo, mas eu não vou morar com ele”.

Fonte: diffuser.fm


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