A história por trás da gravação de "In God’s Country" | U2 Brasil
12 de abril de 2017 · The Joshua Tree Tour 2017
A história por trás da gravação de “In God’s Country”
Postado por Thiago Dos Santos

Enquanto faziam The Joshua Tree, o deserto incendiava a imaginação do U2 – especialmente de Bono. A letra de uma canção (“Where the Streets Have No Name”) já tinha sido inspirada pelo deserto Etíope, e então o vocalista utilizou as terras desertas do Sudoeste Americano como fonte de inspiração. Não por acidente o LP possui o título e imagens de um deserto dos E.U.A.

Mas Bono também se interessou pela ideia do deserto como uma metáfora para a política da era Reagan. A percepção estava nos olhos de quem via. No pior dos casos, o deserto é uma terra abandonada, infrutífera, sem vida. Mas se você escolher pensar de uma forma mais positiva, ele é uma grande tela em branco cheia de possibilidades.

Aí que entra “In God’s Country”, com seu “céu do deserto”, “rosa do deserto” e rios que talvez “venham a secar em breve”. Embora Bono não tinha certeza inicialmente se ele estava escrevendo sobre a América ou a Irlanda, o deserto Sudoeste o guiou, assim como um ícone Americano.

“Eventualmente eu dediquei a canção para a Estátua da Liberdade, ” ele disse em uma entrevista de rádio em 1987. “Eu queria escrever sobre a América e você sabe…. o sonho. O sonho Americano. E eu me questiono: onde estão as pessoas que vão assumir esse desafio? Você sabe, onde estão os novos sonhadores? ”

Quando discute a canção e a política presente nela, Bono geralmente aponta para a terceira linha: “Nós precisamos de novos sonhos hoje”. “In God’s Country” se tornou uma reação contra os antigos ideais, contra o cínico e o corrupto.

“Eu acho que na época eu estava falando sobre, todas as pessoas dizendo (adota um sotaque Americano), ‘Eu sou um homem Marxista-Leninista, você sabe, eu curto Reagan, a economia de Reagan’, ” Bono disse. “Eles são todos velhos, essas são ideologias velhas, eles são velhos, e eu pensei, fora com o velho, que venha o novo. Onde estão os novos sonhos – onde estão os novos sonhadores?”

Combinando palavras e sons, a banda fez de “In God’s Country” uma das canções de The Joshua Tree mais orientadas pelo rock, com explosões da marcante guitarra do Edge. É também a mais curta do álbum, durando menos de três minutos – notável em um disco cheio de músicas épicas.

“’In God’s Country’ tem uma grande sensação de alta velocidade,” disse o produtor Daniel Lanois a Hot Press sobre a canção. Talvez tenha sido essa qualidade única que a levou a ser escolhida como o quarto (e último) single do álbum na América do Norte no Outono de 1987.

Embora ela tenha chegado ao 44° lugar e sido um marco na turnê de 1987 da banda, “In God’s Country” rapidamente perdeu a admiração da banda. Bono gostava das palavras, mas disse que o Edge não entregava algo que seja sonicamente apropriado para acompanhar sua letra. O grupo a toca em shows esporadicamente desde então, em uma versão acústica bem mais simples que a original.

“In God’s Country” ganhou uma nova vida mais de uma década após The Joshua Tree em função de um filme que envolvia tanto o deserto quanto a política Americana (dessa vez no Iraque). “Três Reis” de David O. Russel terminava com a canção do U2, que refletia os novos começos – novos sonhos? – dos personagens principais interpretados por George Clooney, Mark Wahlberg e Ice Cube.

“Eu tenho essa sensação de começar novamente, que as coisas chegaram ao seu fim, e também essa noção que enquanto as pessoas sempre falam sobre se unirem em função de desejos e aspirações em comum, eu penso o contrário. Descobrindo que estamos unidos pelo desespero, ” Bono disse a Mother Jones em 1989. “Eu não sei, eu volto para a linha da nossa canção ‘In God’s Country’: ‘Nós precisamos de novos sonhos hoje.’ O trabalho é sonhar um mundo no qual você desejaria viver.”

Fonte: diffuser.fm


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