No Line On The Horizon – Horizonte infinito | U2 Brasil
4 de maio de 2015 · Especial Álbuns
No Line On The Horizon – Horizonte infinito
VictorRuyzPostado por VictorRuyz

Durante 2005, a turnê Vertigo viu o U2 se apresentando para pouco mais de 3 milhões de pessoas. Isso com certeza foi um número alto, mas a próxima tour faria isso parecer pouca coisa. Ainda neste ano, no verão, foram responsáveis por ser a banda de abertura, em um festival visto por metade da população do planeta. Vinte anos após se apresentarem no Wembley Stadium para o Live Aid, a banda faria um belo trabalho tocando “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, ao lado de Paul McCartney, abrindo os shows do Live 8.

Em 2006, novas múltiplas platinas para os irlandeses, graças à coletânea “U218Singles”, que vendeu 2 milhões de cópias apenas na Europa, dando chance à nova geração para conhecer 16 momentos incríveis da carreira – junto com a coleção estavam duas músicas novas, gravadas em Abbey Road naquele mesmo ano.

Se por um lado o U2 sempre diverte a si mesmo, assim como à sua plateia, ao surpreender com algumas versões covers durante seus shows, por outro, um remake aparecer em algum CD é coisa rara. Mas deram vida para “The Saints Are Coming” – uma música dos heróis escoceses do new wave, Skids – juntamente com o Green Day. Sempre em frente de causas nobres, o lucro obtido com o single foi para a fundação de caridade Music Rising, fundada por The Edge, em prol de New Orleans, após o desastre dos furacões Katrina e Rita. A outra faixa era uma composição inédita, “Window In The Skies”, que veio acompanhada de um impactante vídeo que incluía ícones como Louis Armstrong, David Bowie, Keith Richards e Jimi Hendrix.

Chegando em 2007, o U2 já estrava gravando novamente, para o que lhes seria o 12° álbum de estúdio. A primeira locação utilizada por eles era diferente e exótica – Fez, em Marrocos -, e teria forte influência quanto ao experimentalismo que seria usado ao longo da produção. Contavam com a ajuda de seus fieis produtores, Brian Eno e Daniel Lanois, que dessa vez também ajudariam nas composições – sete das 11 faixas seriam creditadas com seus nomes.

O trabalho continuou por vários estúdios ao redor do mundo, desde Hanover Quay em Dublin, a Platinum Sound em Nova Iorque. Correriam uma milha extra em busca do lançamento e parariam em Olympic Studios, famoso por já ter sido usado por Jimmy Hendrix, Rolling Stones, The Beatles, e alguns outros.

Nesta parte da jornada – 2008 – um outro velho aliado se juntaria a eles: Steve Lillywhite. Este, adicionaria toques finais na produção. A satisfação pelo término do álbum foi ofuscada pela triste notícia da morte de Rob Partridge, um velho aliado da banda que trabalhava em Island Records, em seus primórdios, nos anos 1970. “No Line On The Horizon” foi delicadamente dedicado a ele.

Um outro membro da família U2, o fotógrafo e cineasta Anton Corbijn, adicionaria outra dimensão à experiência já criada, produzindo o longa metragem “Linear”, que seria lançado em vários formatos.

Em Fevereiro de 2009, nas semanas prestes ao aparecimento do álbum, o U2 revelou “Get On Your Boots” em premiações. Tocariam ela, neste mês, no Grammy, BRITS e Arias. Eles também causariam tráfico ao fazer uma mini apresentação na BBC’s Broadcasting House, em Londres. Fariam ainda algumas paradas na TV americana, para o Late Night With David Letterman.

O resultado seria o U2 pela sétima vez em primeiro nas paradas dos Estados Unidos, e a décima no Reino Unido, ultrapassando as marcas de Madonna e Rolling Stones. Somente Elvis e The Beatles tinham conseguido mais que isso. Três nomeações ao Grammy aconteceram, e a revista Rolling Stone classificou o trabalho como o melhor álbum da banda desde “Achtung Baby”.

“No Line On The Horizon” foi um trabalho maduro, capaz – em níveis infinitos – de criar rock em alta escala, como se é visto em “Magnificent”, “Stand Up Comedy” e “Breathe”. Mas também capaz de criar reflexões, resultadas após 30 anos de experiências, como “Moment of Surrender” e “White As Snow”.

Logo após o lançamento, Bono comentou ao jornal Guardian sobre a letra de “Cedars Of Lebanon”. “Escolha seus inimigos com cuidado, pois eles irão definir quem você é”, dizia a canção. “Como um insight para nossa banda, isso é a coisa mais importante. Isso explica muito, de muita coisa. O U2 escolhe trajetos mais interessantes do que qualquer outra banda. Nossas próprias hipocrisias. Nossos vícios. Mas não o óbvio. O ego. Acho que fizemos nossos inimigos de um modo bem interessante.”

Dia 30 de Junho, 2009, foi o início de outro espetáculo. A turnê 360°, devidamente nomeada, proporcionaria os mais imersivos concertos até então. Um revolucionário palco circular, pontes móveis, telões LED em forma de torre, e garras gigantes que pareciam saídas diretamente de uma página de um HQ vintage. The Claw fora o apelido mais famoso desta incrível estrutura. Spaceship e Space Station também. Os fãs estavam mais perto da banda do que nunca antes.

“Esta turnê é um passo marcante de escala global. Desde a produção do palco, até os elementos de vídeo, tudo é perfeitamente executado. E o mais importante, o U2 soou maravilhoso, por todo o mundo”.
Billboard.

Ao todo, 110 shows, que incluíra uma noite de sexta-feira no festival de Glastonbury, transmitido para 30 países ao redor dos cinco continentes. A audiência totalizou mais de 7 milhões de telespectadores.

Lá estava o segredo que lhes pertenceu por tantos anos: ter os meios e a bravura para fazer o melhor possível, e assim permanecer. Com certeza isso envolve ego. De fato, demanda dele. E foi isso o dito, com uma grande exuberância, em uma entrevista ao Guardian:

“A necessidade para ser amado e admirado não surge de um lugar particular. Mas as pessoas tendem a fazer coisas maravilhas com ele. Ego, sim, ele faz com que todo ser humano faça tudo aquilo que é capaz. Sem ego, as coisas seriam entediantes.”
Bono.

Fonte:

udiscovermusic


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