Pop - Uma divisão celular | U2 Brasil
15 de abril de 2015 · Especial Álbuns
Pop – Uma divisão celular
VictorRuyzPostado por VictorRuyz

No fim de 1993, prestes a completar 78 anos, o projeto “Duets”, de Frank Sinatra, havia sido colocado à venda. Nele, Bono fazia uma participação em “I’ve Got You Under My Skin”, de Cole Porter. O álbum venderia mais de três milhões de cópias nos Estados Unidos.

Em 1994, Bono apresentou a indução do falecido Bob Marley ao Rock and Roll Hall of Fame, em Nova Iorque; em Maio, seria prestigiado com um prêmio especial da Ivor Novello Awards, em Londres. Em Outono, o U2 interpretaria “Can’t Help Falling in Love” durante um programa de televisão, em tributo a Elvis Presley.

Um ano depois, “Zoo TV – Live From Sydney” ganharia o Grammy; os irlandeses fariam parte da trilha sonora de Batman Forever, com a canção “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”.  Ainda em 1995, Bono e The Edge – juntamente com Brian Eno – sob o nome de “Passengers”, cantariam “Miss Sarajevo”,  em um concerto de Luciano Pavarotti; Adam Clayton e Larry Mullen Jr. regravariam o tema de Missão Impossível para a sequência do filme estrelado por Tom Cruise.

Em 1996, se preparariam para o retorno. As sessões de gravação haviam começado. Hanover Quay, The Works, e Windmill Lane, foram os estúdios utilizados com mais frequência, além de South Beach Studios, em Miami. Durante tais sessões, a banda anunciaria planos de sair em uma turnê mundial, no ano seguinte.

Mark Flood Ellis, que havia sido co-produtor em “Zooropa”, agora produziu o álbum – ao lado de Howie B e Steve Osborne.  As sessões resultaram na maior variedade de sons, samples, riffs e ritmos, já ouvidos em algum trabalho do U2. O primeiro single teria o nome de “Discotheque”, mas o álbum não seria um disco dance convencional.

Foi um salto diferença dado por uma banda decidida a permanecer no topo, por muito tempo. A adrenalina está evidente em “Mofo” e “Last Night On Earth”. “O álbum ‘Pop’ é mágico. Ouço ele e encontro muitas formas de sonoridade; muitos tipos de batidas. Me alegro por saber que fiz parte disso.”
Howie B.

A revista NME, entre outras, disseram que o U2 havia “ido dançar”, porém a verdade era muito mais complexa. A banda estava, certamente, assimilando mais as influências da cultura “club”, mas “Pop” estava longe de ser definido tão facilmente. Ele era repleto de demasiadas dimensões. “Staring At The Sun”, por exemplo, tinha toques acústicos e uma guitarra com texturas psicodélicas; “Miami” era contida e espacial; “The Playboy Mansion” tinha a personalidade de um funk suave; “If You Wear That Velvet Dress” era deliberadamente introvertida.

“Novos sumo sacerdotes da pós-modernidade”.
Revista NME.

“Estamos em uma divisão celular. Você pega uma música e deixa que esta seja interpretada por alguém que respeita, como David Holmes, David Morales ou Howie B. Estão fazendo mesclas de melodias, com aspecto dance. Isso é o que o Jazz costumava ser.”
Bono.

“Discotheque” apareceu no topo das paradas da Irlanda, Itália, Noruega e Nova Zelândia, e foi a terceira música do U2 a figurar de número 1 no Reino Unido. Um mês mais tarde, “Pop” estaria no topo da lista de 35 países. Então, de volta à estrada…

O anúncio da nova turnê foi feito durante uma conferência celebrada em uma loja de lingerie, em Nova Iorque. Nasceria então a PopMart World Tour que, como prometido pela banda, contaria com o maior telão do planeta. Haviam prometido visitar 20 países. Subestimaram-se. Visitariam, ao todo, trinta e um.

Os shows começaram em Las Vegas, na primavera de 1997. Estariam na Europa, no verão, e voltariam para a América do Norte no Outono. No começo de 1998, o U2 estava na América do Sul se apresentando em lugares acessíveis somente à gigantes: Morumbi, em São Paulo, e o estádio do River Plate, em Buenos Aires.

Por fim, passaram pela Austrália, Japão e África do Sul.

Em todos os lugares, a plateia tornava-se estática ao presenciar os grandiosos concertos dos irlandeses.

Depois de vinte anos após seu início, em Dublin, suas aventuras tomaram, definitivamente, proporções globais, que fizeram Larry Mullen Jr. refletir: “Passamos muito tempo juntos. Outras bandas, após tanto tempo, enfrentam conflitos e problemas de ego. Temos sido sortudos – ou sábios – e podemos dedicar nossa energia para manter o U2. Temos muita sorte e confesso que foi apenas durante essa turnê que comecei a me dar conta disso, diariamente.”

Fonte:

udiscovermusic


Compartilhar notícia