Resenha do The Guardian - O fantástico retorno à forma | U2 Brasil
5 de dezembro de 2017 · Songs of Experience
Resenha do The Guardian – O fantástico retorno à forma
Postado por Rubens

No último verão europeu, o U2 fez uma turnê mundial, performando triunfamente pela primeira vez o álbum de 1987, The Joshua Tree. Bono e The Edge fez mais do que música e dança sobre não ser um evento nostálgico, mas houve um pouco de dúvida se os shows soariam saudosistas de uma era distante, quando a banda fez uma passagem diferente de um era estranha pós-punk para se tornarem a maior banda do mundo sem maiores esforços. Claro, teve um trabalho árduo, mas o U2 sempre deixa de lado este senso que o destino foi generoso com a ascensão da banda, este plano grandioso estava funcionando bem. E isso é um tipo de coisa da banda que parece incomodar muito as outras pessoas.

Estas pessoas podem obviamente encontrarem milhares de outras coisas que os incomodam em relação à banda nos dias atuais. Dentre várias coisas que você pode acusar o U2 nos últimos anos, parecer ser fáceis não é uma das coisas delas. Eles passaram muito da última década continuando algo como se eles não soubessem o que queriam ser, ou como se eles de fato soubessem como ser a maior banda. Sucessão de álbuns confusos – No Line on the Horizon, Songs of Innocence – e ações de marketing sem sucesso: a coisa mais educada que você pode dizer sobre receber no iTunes automaticamente o álbum Songs of Innocence, que parecia ter sido uma boa ideia na época.

Se você estava procurando por um símbolo dos esforços atuais do U2, então Songs of Experience parece um candidato ideal. É um compilado que envolveu nove diferentes produtores e 15 engenheiros de áudio: todos tiveram uma função, das mãos do experiente Steve Lillywhite ao atual compositor pop Ryan Tedder, e à Andy Barlow, produtor dos eletrônicos Lamb. A gravação foi interrompida, resumida e reconsiderada durante três anos, devido a ambos períodos de reflexão de ascensão de Donald Trump e o misterioso “encontro com a mortalidade” encarado por Bono. O álbum é preenchido com letras de autodúvidas, algumas abertamente ponderando se o U2 tem mais algum futuro. “A dinosaur wonders why it still walks the Earth / a meteor promises it’s not going to hurt”, assim abre The Blackout.

Há alguns passos estranhos para a contemporaneidade – o Auto-Tune (software que corrige e/ou transforma vozes) nos vocais de “Love Is All We Have Left”, um riff de guitarra em “Red Flag Day” que nos remete à zilhões de riffs contemporâneos no mainstream pop – e momentos quando você pode ouvir o esforço de fazer músicas à “prova de bala”, como The Edge recentemente mencionou, mas por algum motivo teve um efeito contrário. “You’re the Best Thing About Me” soa estranhamente descolada, como se o refrão de uma música fosse colocado no verso de outra: “Love Is Bigger Than Anything In Its Way” clama em seu desejo para ser a música de estádio, com braços balançando no ar, e termina parecendo Coldplay – não é algo que todos querem ou precisam do U2 para fazer.

Mas apesar dos erros, Songs of Experience é audivelmente melhor do que os antecessores. Por uma coisa, nem todos seus erros são enormes – se o Auto-Tune está um pouco exagerado, o arranjo da música ainda é ótimo. E há outro ponto, quando o U2 se acalma e se permite ser eles mesmos, os resultados são frequentemente fantásticos, como “Get Out of Your Own Way”, que é extremamente linda e parece um longo e aliviado respiro. Frequentemente parece como se os momentos que lidam com o supramencionado encontro com a mortalidade fossem os mais naturais e agradáveis, como se preocupações com um potencial falecimento do vocalista causassem a todos uma pausa para não se preocupar com o lugar do U2 entre a cena contemporânea e focasse na música. Se gabando de uma parte atmosférica da guitarra e discreta até mesmo pelos padrões dos anos 80 de The Edge, a música final “13 (There Is a Light)” é delicadamente afetiva; o pedido de desculpas de Bono à Ali Hewson, em “Landlady”, alcança precisamente o tipo de tom emocional de “Love is Bigger Than Anything In Its Way” que ela tem para atrair; “Lights of Home” une a distorção da guitarra e um refrão ‘gospel’ para algo fantástico. “The Showman”, enquanto isso, é audível e autenticamente engraçada; uma reflexão nas contradições e momentos ridículos de um trabalho de um rock star que mostra infinitamente mais autoconsciência do que uma crítica que poderíamos dar à Bono.

Para os erros de Songs of Experience, U2 pode compreensivelmente rebater que há coisas piores que uma banda na posição deles poderia fazer do que pensar demais; se você estivesse 40 anos de carreira e suas últimas três turnês tivessem arrecadado U$ 1 bilhão, você provavelmente estaria inclinado a não pensar para valer. Mas há uma diferença notável entre tentar e tentar arduamente. Quando Songs of Experience opta pelo passado do que o presente, U2 soa mais como uma banda que você suspeita de quererem ser mais do que têm em uma década.

Nota: 4/5

Fonte: The Guardian


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  • Simon Batista Gomes

    Concordo com a crítica, esse álbum é muito bom! Supera SOI e NLOTH.