Resenha da equipe U2BR sobre "Songs of Experience" | U2 Brasil
3 de dezembro de 2017 · Songs of Experience · U2BR
Resenha da equipe U2BR sobre “Songs of Experience”
Postado por VictorRuyz

Com o recém lançamento do álbum “SONGS OF EXPERIENCE“, completa-se o ciclo “inocência + experiência” prometido pelo U2.

Não poderíamos deixar de trazer nossas resenhas sobre cada uma das canções deste belíssimo álbum.

Então, juntamos alguns membros da nossa equipe, apertamos o PLAY e nos envolvemos com letra e música, para trazer até vocês nossas opiniões.

Esperamos que curtam!

01. Love Is All We Have Left

Talvez esta seja a primeira vez que o U2 abre um álbum com uma música sombria, repleta de sintetizadores e com um tom de melancolia tão forte. “Love Is All We Have Left” tem Bono e Edge em um pouco mais de dois minutos de música conversando com quem ouve do outro lado. Especialmente Bono vem com uma letra forte, sombria, como se não restasse mais nada para acreditar ou viver, somente o amor. Em termos de musicais, tanto os acordes, quanto os efeitos aplicados, lembram The Killers e Coldplay, dois grupos discípulos dos irlandeses. Sem dúvidas é a abertura mais ousada dos últimos álbuns da banda, assim como a canção mais bela do álbum.

(Rubens Filho – Nota: 10/10)

02. Lights Of Home

Aos 56 anos de idade, The Edge se rendeu aos grupos mais modernos ao emprestar os riffs de “My Song 5”, da banda Haim, para “Lights Of Home”. A canção também pega emprestado o swing de “Cedarwood Road” ambientada em “Love and Peace or Else”, contudo a letra é uma continuação de “Love Is All We Have Left”: densa, sombria e também assustadora. Bono parece buscar desesperadamente pelo lar que ele se diz distante; e nos entrega, logo no primeiro verso, a impactante frase “não era para eu estar aqui, era para eu estar morto”. “Lights Of Home” só se assemelha à primeira canção do álbum por causa da letra, no entanto não acompanha nos acordes e nas batidas o que a letra quer passar. Embora as meninas do Haim tenham sido inspirações para esta música, a canção só toma corpo e densidade na versão bônus da edição deluxe do álbum, quando os irlandeses utilizam a orquestra de St. Peter.

(Rubens Filho – Nota: 6/10)

03. You’re The Best Thing About Me

Não existe um fã de U2 que não tenha ouvido incontáveis vezes a mais “grudenta” canção do U2 dos últimos tempos. Impossível ouvir e não sair cantarolando pelo resto do dia. Com refrão “chiclete” e uma letra perfeita para servir de inspiração a relacionamentos, “Best Thing” veio para ser tocada no repeat infinito e te motivar a fazer “aquela loucura” amorosa que há tempos você vinha segurando. Cheia de frases “clichês”, é a melhor declaração de amor dos últimos álbuns e mereceu 3 versões, uma delas com a participação do DJ Kygo, que traz uma pegada eletrônica para a canção. Uma bela estreia para o primeiro single do álbum.

(Armando Junior – Nota: 9/10)

04. Get Out Of Your Own Way

É a primeira música política do álbum. É um chamado para as pessoas a saírem de suas zonas de conforto e lutarem por um mundo melhor. É daquelas canções de estádio que o U2 sabe fazer tão bem. Com um refrão forte e coro belo e impecável do Bono e do Edge, que nos remete ao hino “Beautiful Day”. Tudo sendo conduzindo habilmente por excelentes riffs da guitarra do Edge. Feita para tocar nas rádios e alcançar um público mais jovem ao usar elementos presentes nas músicas pop e rock de artistas atuais, que, assumidamente, se inspiraram no U2 para criarem muitos dos seus sucessos, como é o caso do Coldplay e The Killers. Assim, de certa forma, o U2 só está pegou de volta suas criações devidamente atualizadas pelas novas gerações.

(Suderland Guimarães – Nota: 9/10)

05. American Soul

A canção se inicia com a continuação da pregação sarcástica das “bem-aventuranças” declamadas por Kendrick Lamar no encerramento de “Get Out Of Your Own Way”. Isso porque “American Soul”, assim como “Get Out Of Your Own Way”, possui uma mensagem política, mas agora endereçada explicitamente aos EUA. Com trechos que parecem escritos para Trump: “Bem-aventurados os valentões, porque um dia eles terão que enfrentar a si mesmos. Bem-aventuradas são as mentiras, pois a verdade pode ser desagradável”. E essas mensagens políticas estão devidamente acompanhadas de um rock carregado de solos de guitarra do Edge e riffs que ostentam muita energia. Uma grande música que perde um pouco da sua áurea ao reusar o refrão da música “Volcano”, do álbum “Songs of Innocence”

(Suderland Guimarães – Nota: 8/10)

06.  Summer Of Love

Baladinha sensacional, com introdução à lá “In A Little While” e versos na pegada de “A Man And A Woman”, porém com muita identidade. Versos que ficam na cabeça e é impossível não cantar junto. A harmonia da banda nessa faixa é uma delícia. Uma música que não tem várias etapas, é construída de um modo simples e permanece assim durante seus 03:22. Somente uma bridge curta e de volta ao refrão. O baixo de Adam Clayton merece destaque. Vale uma observação quanto à participação de Lady Gaga. Totalmente discreta, porém, mesmo assim, dá um preenchimento especial para a música. Mínimos detalhes. Até neles o U2 trabalha.

(João Victor Martins Ruyz – Nota: 10/10)

07.  Red Flag Day 

No início, a canção dispara uma declaração enigmática, sob um ritmo rápido, intenso, acelerado: “Eu sou feito daquilo que tenho medo e o que mais tenho medo é de perder você”. Conhecendo o espírito que permeia o álbum, essa poderia ser uma carta de Bono falando de amor, da família ou dos refugiados que deixam suas vidas para trás em busca da sobrevivência. Quando se imagina o cenário de águas, oceano e ondas descrito na canção, é possível visualizar tudo isso ao mesmo tempo: desde centenas de refugiados cruzando fronteiras até uma metafórica turbulência pessoal. A letra, portanto, atinge com louvor o objetivo de falar ao mesmo tempo de sensações coletivas e de tormentos particulares. O ritmo frenético de The Edge e sua guitarra não chega a perder seu calor no decorrer da canção, mas há um claro alívio no curso das estrofes até que Bono sentencie sobre o paraíso, o céu e os medos. Por fim, impossível não lembrar de “Every Breaking Wave” – o que faz da canção um elo relevante com as canções da inocência.

(Marina – Nota: 10/10)

08. The Showman (Little More Better)

Esqueça a escuridão do Homem das Sombras que subia ao palco para cantar “Exit” durante a última turnê, lembre-se da ironia de “The Fly” que juntando um pouco de cada rockstar abria as portas dos anos 90 para o U2. Bono ri de si, ri da arrogância de quem se encanta pela fama, “um bolo de aniversário” aparece como a metáfora perfeita para o que ele diz. Aparência, atenções para si, porém uma brevidade, uma data de validade. Mas também é uma conversa com a plateia com aqueles que idolatram o que ouvem e vêm, como objetos volúveis de consumo. Sobre a sonoridade, junte Beach Boys, The Clash e todos os sons clichês dos anos 60 e embarque nessa! É uma música sessentinha a beira-mar, pra ouvir no último volume. Uma própria ironia, melodia pop chiclete, como só um showman saberia fazer para seu público.

(Vicky – Nota: 8/10)

09. The Little Things That Give You Away

A primeira música do álbum a oficialmente dar as caras quando apareceu encerrando a leg americana da turnê de 30 anos de The Joshua Tree surge agora na sua versão final. O teclado de The Edge presente nas versões ao vivo passa ao backing track das canções e a sua guitarra reaparece como um verdadeiro fundo narrativo para as emoções da música, assim como a sua voz que ecoa a de Bono. A exemplo das outras músicas do disco, a bateria de Larry segue um pouco mais tímida, ao passo que o baixo de Adam tão presente em outras faixas acaba “escondido”. Sabe quando uma música conversa com você? Foi essa a sensação que tive quando a ouvi desde o primeiro ao vivo até a sua nova versão. É uma letra densa, pesada, como apelidei uma “música de margem”, sim é sobre estar na margem e a margem da vida. Bono primeiramente disse que ela era direcionada as suas filhas, e sim, está ali o temor de se encontrar na encruzilhada do começo da vida adulta, de sair para o mundo, de tomar suas decisões. Mas também está o medo de Bono de seguir em frente, de dar conselhos, de falhar como pai. É uma música de luz e sombra, é sobre precisar agir, e sobre o temer, é sobre lidar com emoções, escolhas. É uma angústia, mas não um medo paralisante, é saber que seguir é preciso, é sobre colocar tudo o que já se tem na mochila da vida e seguir em frente, mas com espaço para mais. É o dialogo definitivo entre a inocência e a experiência que o U2 se propôs a fazer.

(Vicky – Nota: 10/10)

10.  Landlady

O primeiro pensamento ao ouvir ela foi “Canção simples. Cresce moderadamente. The Edge está muito discreto. Bono é o protagonista, sem dúvidas. Larry criou uma bateria bem interessante nessa faixa. A bridge me faz gostar cada vez mais da música.” Cada vez mais, mesmo. Da primeira vez que ouvi, achei bem fraquinha, mas da segunda soou mais interessante, na terceira mais ainda… Ouvindo mais atentamente, se tornou uma das favoritas do álbum. Arrisco a dizer, a canção romântica mais linda que o U2 já fez. Tem que virar single. Cabe como trilha sonora de algum filme de amor. Merece um clipe. A melodia é sensacional. O final da música é o ápice. Não tem nada simples nessa música. Defino-a como uma delicadeza hipnotizante.

(João Victor Martins Ruyz – Nota: 10/10)

11. Blackout

Fomos brindados com um dos melhores “sneak peaks” de todos os tempos. “Blackout” já inicia de forma a se desenhar como uma das prováveis músicas para abertura dos shows ao vivo da próxima tour. Baixo e guitarra dão o tom desta música que retrata a queda da democracia e aproveita para alfinetar Donald Trump e como de costume, Bono mostra que não tem ressalvas quando se trata de tomar partido na política mundial. Com um clipe “coirmão” de “Invisible”, o U2 a lançou como single, antes mesmo do lançamento do “atrasado” álbum que, segundo Bono, tem tudo a ver com o momento político atual.

(Armando Junior – Nota: 6/10)

12. Love Is Bigger Than Anything In Its Way

Ao ouvir a canção pela primeira vez, pode soar estranho: isto não é U2. Mas tenha a certeza: é U2 e não existe outro sentimento ao iniciar a música, a não ser fechar os olhos e se deixar se levar por esta balada romântica com uma pegada “moderna”, claramente resultado de uma forte influência dos produtores hip-hop que dividiram o álbum. “Love Is Bigger” se inicia e nos pega pelas mãos e nos conduz a outra dimensão. Já em seus primeiros instantes, somos conduzidos por sintetizadores que nos levam para um vocal cheio de efeitos, bem diferente da voz “crua” que estamos acostumados de Bono. Mas essa voz familiar soa tão bem e casa tão perfeitamente com a música sintetizada e com a letra de fácil assimilação, que somos levados a seguir caminho em direção ao nosso melhor sentimento: o amor! Bono costuma nos brindar com belas canções (letra e música) quando se vê tocado pelo dom de escrever melodias que buscam tocar a alma e este, é sem dúvidas, um belo exemplo. Com um vocal envolvente, não há quem resista, o som toma conta da nossa imaginação e invade a mente e atinge a alma. É uma canção que narra a história sobre o quão importante é o amor e o quão ínfimo são os obstáculos que encontramos no caminho para chegar até ele. Flui de uma forma profunda, sublime e delicada. Os efeitos de sintetizador são envolventes. Impossível ouvi-la e não sair “tocado”. E quando você pensa que ela caminha para um final melancólico, surge o “chorus” para elevar todos os sentimentos e dá aquela vontade louca de decorar a letra e soltar a voz. Certamente uma das melhores canções do álbum, com um dos versos que se tornará um dos mais marcantes do U2.

(Armando Junior – Nota: 8/10)

13. 13 (There Is A Light)

É estranho falar o óbvio, porém necessário: eis aqui a releitura de “Song For Someone”. A música, em si, não traz nenhuma grande novidade, nem em letra e nem em ritmo, mas como sabemos que o U2 se ocupa (e muito!) em construir arcos narrativos e essa releitura de uma canção da inocência não encerra sem propósito o passeio pela experiência. Se lá na Inocência esteve dedicada à amada esposa e amor de infância, Ali Hewson, agora os mesmos versos estão adornados por outros, que falam de medos e terrores – o que demonstram uma possível alteração de objetivo da canção. “13” deve vir com alguma mensagem impactante ao vivo – mas no álbum, por enquanto, é apenas um reforço claro do elo existente com seu antecessor.

(Marina – Nota: 7/10)

NOTA FINAL: 8,5

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  • Antonio Paim

    Para mim faltou as mãos de Brian Eno na produção. Esperava muito mais!

  • Erika Carvalho

    Belo álbum. Certamente o melhor disparado dos últimos 10 anos e, de repente, top 5 da banda. Faria apenas duas alterações para deixá-lo com o selo de perfeito: colocaria as canções 1 e 2 nas posições 4 e 5 – exatamente após as 3 faixas que as sucedem (a alegria de ‘You´re the Best Thing’ tinha que abrir o disco). E deixaria ’13’ como b-side. Entendo a intenção de finalizar o álbum fazendo uma forte conexão com o disco anterior. Mas a música em si não ajudou… No mais, a banda mostra mais uma vez (como fez em 1991 com Achtung Baby e em 2000 com ATYCLB) como se reinventar. Do alto dos seus 40 anos de experiência!

  • Pedrão

    Concordo contigo em relação à 13. Por mim ela sairia do álbum e entraria Book Of Your Heart.

  • Igor David

    Tenho uma séria dúvida…o U2 ficou preguiçoso ou deram ênfase a mensagem que queriam passar( ou Bono quer passar)? Ou seria um mix de audácia com influência de novos produtores…Não sei…acho falta do the edge….nosso master guitar está bem coadjuvante neste disco…ao contrário de Bono que está arrebentando…algumas musicas passariam por um trabalho solo do Bono…destaque pra mim é summer of love…com edge num riff a lá “the three sunrires”….e love is bigger…que já imagino ao vivo…o album é bom…mas sabe aquela sensação que podia ser bem melhor???
    Larry deveria produzir o proximo disco (pq se fosse o edge demoraria 20 anos pra terminar)….chega de produtores…

  • Igor David

    Tbm achei a 13 desnecessária…