#TBT: Quando o U2 gravou um clipe nas ruas de Las Vegas
#TBT: Quando o U2 gravou um clipe nas ruas de Las Vegas
30 de abril de 2020
#TBT: Quando o U2 gravou um clipe nas ruas de Las Vegas
Gravado sob circunstâncias inusitadas, o clipe de “Still Haven’t Found” tornou-se um dos mais emblemáticos da indústria musical. Nada no vídeo foi previamente ensaiado ou combinado – tudo é uma interação espontânea.
Marina
Newsposter e colunista do U2 Brasil

Estamos em 12 de Abril de 1987 e o U2 está prestes a se tornar uma das maiores bandas do mundo. Cinco dias antes, a banda lançava o álbum “The Joshua Tree”, que dispensa maiores apresentações: simplesmente o álbum que levou o U2 à tour transformadora de sua história de tamanho sucesso que fora reeditada 30 anos depois.

Mas como, apenas cinco dias depois do lançamento do álbum, o U2 foi parar em Las Vegas com Bono a cantar sobre escalar as mais altas montanhas, enquanto caminha iluminado pelos faróis das motocicletas da polícia de Las Vegas?

A banda tinha acabado de fazer seu primeiro show na cidade, no “The Thomas & Mack Center” e terminou com seu vocalista beijando estranhos e escalando o capô de carros parados no semáforo. Bono estava disposto a criar um contraste entre o que havia de sombrio em sua roupa preta naquele cenário de cores neon da cidade.

The Edge, Larry e Adam ainda estavam confusos e indecisos quanto à possibilidade de iniciar a filmagem para o clipe da canção “I Still Haven´t Found What I´m Looking For”. Nada no vídeo foi previamente ensaiado ou combinado – tudo é uma interação espontânea. As filmagens foram realizadas em menos de três horas. “Todas as coisas que aconteceram no vídeo realmente aconteceram”, nas palavras do diretor Barry Devlin. “Ok, vamos gravar a música mais sincera que eles escreveram na cidade menos sincera que eles já tocaram” – confessou o diretor.

No entanto, gravado sob essas circunstâncias inusitadas, o filme se tornou um dos mais emblemáticos da indústria musical e virou um hit instantâneo, sendo nomeado para quatro categorias de premiação da MTV. Mais que isso, além de projetar o U2 para o mundo, acabou por projetar Las Vegas de volta à relevância. A cidade, meio esquecida na época, voltou ao mapa de interesse com seus cassinos e suas cores artificiais.

Ao final, a combinação espontânea e inusitada entre os sentimentos genuínos da canção e das falsas luzes da cidade acabaram por fazer bem ao U2 e à cidade.

E o que o diretor de imagens fazia com a banda naquele momento, então? Foi um acaso aliado ao senso de oportunidade - Barry Devlin estava com a banda para produzir um documentário para a The Joshua Tree Tour de 1987 e não havia planos para gravação de um clipe. Mas a banda tinha pouco dinheiro para a produção e pouco tempo para filmar. Então, eis que surge Las Vegas como gancho temático para um vídeo sobre a busca de algo para preencher um vazio dentro de si – aquela era exatamente o tipo de cidade em que as pessoas fazem isso.

Devlin conta que tinha apenas duas luzes – “mas Las Vegas tem o maior orçamento de iluminação do mundo inteiro”. O primeiro problema estava resolvido. Mas como levar o U2 ao centro da cidade sem que os fãs interrompessem as filmagens? O diretor adiciona que era um grande fã de Beatles e se inspirou em “Hard Day´s Night”: vestiu quatro rapazes como os integrantes da banda, pediu que embarcassem em limusines, que foram seguidas pelos fãs. Os integrantes do U2 seguiram, então, anônimos, na van de uma lavanderia para o centro da cidade.

Paul McGuinness – então empresário do U2 – tentou impedir. Devlin, então, apenas pediu a oportunidade de realizar o sonho de fazer algo como os Beatles, ao que Paul cedeu. E assim o sistema de som foi empurrado no carrinho de um sem-teto, assim como alguns equipamentos de vídeo foram apoiados em uma cadeira de rodas. No entanto, foi exatamente essa baixa tecnologia permitiu ao U2 andar entre as pessoas e atravessar portas, o que garantiu o sucesso do vídeo ao final.

As interações eram reais, especialmente aquelas entre Bono e The Edge, que incorporaram bem os personagens que lhe foram sugeridos. Bono assumiu a persona de um pregador fanático e inconveniente. The Edge, de outro lado, era o cara que queria ganhar algum dinheiro na cidade e tentava ignorá-lo. Os encontros aleatórios com os transeuntes tornou a saga dos personagens divertida, porque permitiu ao Bono beijar e abraçar pessoas e divertir os funcionários dos cassinos, enquanto The Edge seguia sério na sua missão de simplesmente tocar. Devlin creditou o sucesso de tais interações ao fato de que as pessoas não necessariamente eram fãs do U2 e tampouco artistas contratados. Toda a diversão, os sorrisos, beijos e abraços eram reais.

Larry e Adam seguiram embaraçados e deslocados sem seus instrumentos. O visível constrangimento, ao final, soma-se ao ar divertido de Bono e à concentração de The Edge, trazendo outros elementos de sensações pessoais ao vídeo, para além de puramente um momento divertido. Ao final, Bono teria perguntado ao diretor: “Ei, beijei muitas pessoas que nunca conheci antes, não? Isso foi sábio?” – Devlin lhe respondeu: “acho que foi a coisa menos sensata que você já fez. Mas eu não me arrependeria”.

Espontaneidade. Improviso. Estava feita a fórmula de sucesso de um dos vídeos mais memoráveis do mundo da música.

Fonte: The Review Journal

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