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U2BR entrevista: Olaf Heine
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“Alguns escrevem diários, eu fotografo as coisas que me tocam”, afirma o fotógrafo alemão Olaf Heine. Dono de um crítico – e segundo Iggy Pop “alemão, claro e inescapável olhar” –, Olaf tem na sua lista de registros, capas de álbuns, ensaios e retratos de celebridades como Sting, Iggy Pop, Bon Jovi, Coldplay, Eagles, 30 Seconds To Mars, REM, Radiohead, além de campanhas publicitárias e editorias envolvendo nomes como Adidas, BMW, MINI, Rolex, Sony e Hugo Boss. Seus trabalhos fotográficos foram publicados em várias revistas, incluindo Vanity Fair, Rolling Stone e Playboy.

“Olaf é abençoado com um olho alemão claro e inescapável.” – Iggy Pop

O senso estético e a mistura entre arte e realidade sempre estiveram presentes na vida de Olaf, nascido na Alemanha. Primeiro estudou desenho antes de se decidir pela faculdade de Arquitetura, e foi durante o período no qual realizava sua formação superior em Hanover que realizou o seu primeiro trabalho como fotografo para uma banda, quando alguns amigos o persuadiram a fotografar a capa do seu álbum. O álbum em questão era o lançamento de Terry Hoax, um dos grupos mais populares da Alemanha naquela época. A experiência acabou por acender uma fagulha e traçar um novo caminho na vida de Heine. Dois anos depois do seu primeiro trabalho, no ano de 1993, mudou-se para Berlim, onde permaneceu até 1995 estudando fotografia no prestigioso Lette Verein Berlin. Nos seus tempos de estudos, continuou a desenvolver uma intensa parceria com diversos músicos do cenário alemão dos anos 90, tais como Die Ärtze Rammstein. E foi justamente devido ao convite do Rammstein para que filmasse um documentário da sua turnê nos Estados Unidos que fez com que Olaf se aproximasse dos artistas e do mercado deste país.

“É preciso um fotógrafo raro como Olaf para ficar atrás da máscara, para revelar a alma vulnerável. Eu não desejo me entregar facilmente aos olhos de uma câmera, a menos que a pessoa que a segura também esteja em risco.” – Sting

Heine viveu nos Estados Unidos entre 1998 e 2009, onde dirigiu um estúdio de fotografia em Los Angeles. Em paralelo, ele abriu um estúdio em Berlim em 2001 e comutou entre as duas metrópoles. O alemão também ganhou fama na indústria de publicidade internacional como fotógrafo e diretor nos últimos anos e ganhou inúmeros prêmios.

O fotógrafo possui três livros publicados com o seu trabalho, e um deles tem um título que chama muita atenção para nós: “Brazil”, uma homenagem do alemão ao estilo de vida brasileiro, que documentou o país entre 2009 e 2014.

Olaf tem colaborado com o U2 desde 2014 quando realizou as fotos de divulgação da banda para a iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour. E no ano passado, ele se encontrou com o irlandeses em São Paulo, durante a passagem da The Joshua Tree Tour pelo país, para realizar uma sessão de fotos no Edifício Copan, que acabaram por ilustrar o programa da nova turnê da banda.

Nós do U2BR tivemos a oportunidade de entrevistá-lo e ele nos falou sobre o seu trabalho, a colaboração com o U2, a sessão de fotos no Copan e o Brasil. Confira mais esta entrevista especial.

Quando sua paixão pela fotografia começou? Qual foi seu primeiro trabalho?

Eu comecei a tirar fotos muito jovem. Meu pai era um oftalmologista, então, consequentemente, tínhamos câmeras em nossa casa. Quando eu tinha 15 anos, comprei minha própria câmera e comecei a experimentar. Como eu amava muito a música, comecei a levar minha câmera para os shows que ia. Eu queria documentar tudo. Muitos dos meus amigos estavam em bandas, então comecei a tirar fotos deles. Então uma dessas bandas se tornou um pouco conhecida na Alemanha e eu comecei a tirar suas fotografias. Uma coisa levou a outra e, de repente, eu me tornei parte do circo do rock’n roll.

Quando foi seu primeiro contato com o U2? Como isso aconteceu?

Eu sempre gostei da música do U2. Especialmente o álbum “Joshua Tree”. Em 2014, a banda esteve em Berlim para uma cerimônia de premiação e alguém da gravadora na Alemanha me abordou. Eu queria tirar um retrato de Bono para um dos meus futuros livros. Então a gravadora mandou algumas das minhas fotos para a assessoria e eles concordaram em uma sessão curta.

Qual foi o seu primeiro trabalho com eles? É uma tarefa fácil fotografar a banda?

Quando eu fotografei Bono, ele me perguntou como eu iria fotografar toda a banda. Bem, esta não foi uma sessão oficial e eu fiquei meio intimidado. Eu mencionei que eu achava que, como uma das maiores bandas do mundo, eu estaria particularmente interessado em fotografá-los de uma maneira mais íntima. Mencionei as fotografias de Harry Benson dos Beatles no auge de sua fama. Então ele chamou toda a banda e logo estávamos na suíte de Bono, onde eu fotografei os quatro em sua cama.

 
Você fez uma sessão de fotos com a banda no Edifício Copan em São Paulo no ano passado. De quem foi a ideia de fotografar lá?

Essa foi minha ideia. Eu fiz um livro inteiro sobre o Brasil e a arquitetura de Oscar Niemeyer, então eu conhecia o prédio muito bem. Niemeyer foi um grande fã do U2.

 

 

Nós tiramos esta foto no Estádio do Morumbi antes de um dos shows. Eu não sou um grande fã dessa foto, mas acho que eles gostaram, porque tem um sentimento básico e autêntico.

Você capturou a alma do Brasil em um livro de fotografias lançado em 2014 (“Brazil”). Por que o interesse em fotografar o país? Quando este projeto começou?

Na verdade, começou com “Mas que nada”, a grande música de Sergio Mendes que uma estação de rádio de Berlim tinha como um tipo de música temática. A cultura dos anos 60 no Brasil sempre me inspirou: a música bossa-nova de João Gilberto, Tom Jobim ou Gilberto Gil, a arquitetura de Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha ou Lina Bo Bardi e claro seus grandes times de futebol com Pelé, Garrincha, depois Ronaldo e Ronaldinho. Tudo isso era tão leve e solto. A primeira vez que fui ao Brasil (para documentar um festival de rock no final dos anos 90), não achei essa leveza. Na verdade, parecia bastante difícil e duro para mim. Mas no início dos anos 2000, parecia que uma nova era cultural começou no Brasil com uma grande arquitetura nova, novos artistas, novas músicas, filmes, literatura e a economia florescente. Depois que meu último livro foi publicado (“I Love You But I’ve Chosen Rock”), eu comecei a rastrear os traços do falecido arquiteto Oscar Niemeyer. Voei para Brasília e me apaixonei pelas curvas e linhas de seus prédios. Eu mudei para São Paulo e Rio de Janeiro e fiquei viciado. Quando voltei, alguns meses depois, conheci Niemeyer e o fotografei. Ele tinha 103 anos na época. Esse encontro teve um efeito duradouro em mim. Ele me contou como se inspirou nas formas da paisagem e nas curvas das mulheres de seu país. Ele foi muito indiferente sobre isso. Ele e seu escritório me ajudaram muito a circular pelo Brasil. E tudo o que eu sabia naquela época era que eu não queria fotografar as mesmas coisas uma e outra vez. Então, em vez de trabalhar linear e conceitualmente, comecei a vagar e andar por aí. Eu não sabia o que aconteceria depois e o que eu veria ou quem encontraria. Mas eu estava curioso o suficiente para absorver toda aquela inspiração que o Brasil colocou na minha frente. Eu apenas olhei em volta e segui tudo o que me atraía e me interessava.

 
Qual a ideia de mostrar o país exuberante e colorido em preto e branco?

Bem, minha abordagem foi uma abordagem estética mais formal. Eu segui as linhas orgânicas da arquitetura, as paisagens e as pessoas. Quer fosse a curva impulsiva de uma onda ou a curva sensual de uma garota – eu procurava o núcleo, o coração, a paixão e a melancolia do que eu ouvia no violão tocado por João Gilberto. Tentei tirar fotos que pudessem transportar a sensação de saudade.

Você viajou para muitos lugares no Brasil. Você tem algum favorito?

Assim como eu gosto das cidades e sua atmosfera vibrante, eu sou mais um cara da natureza. Então, havia lugares lindos na Bahia que eu gostava muito. Lembro-me de uma pequena ilha que só nos aproximamos de barco. Havia palmeiras, dunas de areia e burros selvagens por toda parte. Então fizemos algumas fotos em uma ilha chamada Ilhabela. Era um lugar muito mágico, com florestas tropicais e belas praias. Muitos mosquitos também, bem me lembro.

Você pode adquirir o seu livro “Brazil” nas principais livrarias online.

Para saber mais sobre o trabalho do fotógrafo, acesse o seu site.

A equipe do U2BR gostaria de agradecer a gentileza de Olaf por aceitar nosso convite e conceder um pouco do seu tempo para responder nossas questões. Nosso muito obrigado, Olaf!
 

ENGLISH VERSION

 
“Some write diaries, I photograph the things that touch me,” says German photographer Olaf Heine. Owner of a critic – and according to Iggy Pop “clear and inescapable German eye” -, Olaf has in his list of records, album covers, rehearsals and celebrity portraits like Sting, Iggy Pop, Bon Jovi, Coldplay, Eagles, 30 Seconds To Mars, REM, Radiohead, as well as advertising campaigns and editorials involving names such as Adidas, BMW, MINI, Rolex, Sony and Hugo Boss. His photographic works have been published in several magazines, including Vanity Fair, Rolling Stone and Playboy.

“Olaf is blessed with a clear and inescapable German eye.” – Iggy Pop

The aesthetic sense and the mixture between art and reality have always been present in the life of Olaf, born in Germany. He first studied drawing before deciding for Architecture, and it was during the period in which he completed his senior training in Hanover that he did his first job as a photographer for a band when some friends persuaded him to photograph the cover of their album. The album in question was the release of Terry Hoax, one of Germany’s most popular bands at that time. The experience eventually lit a spark and traced a new path in Heine’s life. Two years after his first work, in 1993, he moved to Berlin, where he remained until 1995 studying photography at the prestigious Lette Verein Berlin. In his time of studies, he continued to develop an intense partnership with several musicians of the German scene of the 90s, such as Die Ärtze and Rammstein. And it was precisely due to Rammstein’s invitation to shoot a documentary of their tour in the United States that brought Olaf closer to the artists and the market of this country.

“It takes a rare photographer like Olaf to get behind that mask, to reveal the vulnerable soul behind. I do not wish to give myself easily to the eye of a camera unless the person holding it is at risk too. ” – Sting

Heine lived in the United States between 1998 and 2009, where he directed a photography studio in Los Angeles. In parallel, he opened a studio in Berlin in 2001 and switched between the two metropolis. The German also gained fame in the international advertising industry as photographer and director in recent years and has won numerous awards.

The photographer has three books published with his work, and one of them has a title that draws much attention to us: “Brazil”, a tribute of the German to the Brazilian lifestyle, who documented the country between 2009 and 2014.

Olaf has collaborated with U2 since 2014 when he did the band’s publicity photos for the iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour. And last year he met with the them in Sao Paulo during the The Joshua Tree Tour to hold a photo shoot at the Copan Building, which ended up illustrating the current tour programme.

We had the opportunity to interview him and he told us about his work, the collaboration with U2, the photo shoot in Copan and Brazil. Check out this special interview.

When did your passion for photography begin? What was your first work?

I started taking pictures at a very young age. My father was an optician so we subsequently had cameras in our house. When I was 15 I bought my own camera and started experimenting. Since I loved music a lot I started taking my camera to the concerts I attended. I just wanted to document everything. A lot of my friends were in bands, so I started taking their pictures. Then one of those band became a little know in Germany and so did I taking their photographs. One thing led to another and all of a sudden I became part of that rock’n roll circus.

When was your first contact with U2? How did that happen?

I always liked the music of U2. Especially the Joshua Tree album. In 2014 the band was in Berlin for an award show and somebody from the label in Germany approached me. I wanted to take a portrait of Bono for one of my future books. So the label send some of my pictures to management and they agreed to a short sitting.

What was your first work with them? Is it an easy task to photograph the band?

When I photographed Bono he asked me how I would shoot the whole band. Well, this was not an official session and I was kind of intimidated. I mentioned that I thought as one of the biggest bands in the world I would particularly be interested in shooting them in a more intimate way. I mentioned the Harry Benson photographs of the Beatles on the height of their fame. So he called the band together and soon we were in Bono’s suite where I photographed the four of them in his bed.

You did a photo shoot with the band at the Copan in São Paulo last year. Whose idea was it to photograph there?

This was my idea. I did a whole book on Brazil and Oscar Niemeyer’s architecture so I knew the building very well. Niemeyer by the way was a big U2 fan.

You have captured the soul of Brazil in a photo book launched in 2014. Why the interest in photographing the country? When did this project start?

It actually started with “Mas que nada” the great song of Sergio Mendes that a Berlin radio station had as their kind of theme song. The culture of the swinging 60ies in Brazil have always inspired me: the Bossa Nova music of Joao Gilberto, Tom Jobim or Gilberto Gil, the architecture of Oscar Niemeyer, Mendes de la Rocha or Lina Bo Bardi and of course its great football teams with Pele, Garrincha, later Ronaldo and Ronaldinho. All of that was so light and loose. The first time I actually went to Brazil (to document a rock festival in the late nineties), I did not find that lightness. Actually it appeared rather tough and harsh to me. But in the early 2000s it seemed that a new cultural era started in Brazil with great new architecture, new artists, new music, movies, literature and the blooming economy. After my last book (“I Love You But I’ve Chosen Rock”) was published I started tracking down the traces of the late architect Oscar Niemeyer. I flew to Brasilia and fell in love with the curves and lines of his buildings. I moved on to Sao Paulo and Rio de Janeiro and got hooked. When i came back a few months later, i met Niemeyer and photographed him. He was a 103 years then. This encounter had a lasting effect on me. He told me how he was inspired by the forms of the landscape and the curves of the women in his country. He was very nonchalant about it. Him and his office helped me getting around in Brazil a lot. And all I knew back then was that i didn’t want to shoot the same things over and over again. So instead of working linear and conceptional, I started to drift and roam around. I didn’t know what happened next and what I would see or who I would meet. But I was curious enough to soak in all that inspiration that Brazil lay out in front of me. I just looked around and followed all that attracted and interested me.

What is the idea of showing the country lush and colorful in black and white?

Well, my approach was a more formal aesthetical approach. I followed the organic lines of the architecture, the landscapes and the people. Whether it was the impulsive curve of a wave or the sensual curve of a girl – I was searching for the core, the heart, the passion and the gloom of what i heard in Joao Gilberto’s guitar playing. I tried to shoot pictures that might transport the feeling of “saudade” a bit.

You have traveled to many places in Brazil. Do you have any favorites?

As much as I like the cities and its vibrant atmosphere, I am more of a nature guy. So there were beautiful places up in Bahia that I liked a lot. I remember a small island that we only approached by boat. There were palm trees, sanddunes and wild donkeys everywhere. Then we did some shoots on an island called Ilhabela. It was a very magic place with Rainforests and beautiful beaches. Lots of mosquitos too, as far as I remember.

You can buy his book “Brazil” in the main online bookstores.

To know more about the photographer’s work, visit his website.

The U2BR staff would like to thank Olaf for his kindness in accept our invitation and give a bit of his time to answer our questions. Thank you very much, Olaf!


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