Willie Williams fala sobre o palco da turnê ao Irish Times | U2 Brasil
21 de julho de 2017 · The Joshua Tree Tour 2017
Willie Williams fala sobre o palco da turnê ao Irish Times
Postado por Thiago Dos Santos
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Havia uma época em que um show do U2 não tinha muitos badulaques, que dirá uma tela de projeção de vídeo atrás da banda, pano de fundo decorativo ou sistemas de luzes computadorizados.  Até mesmo na turnê original de The Joshua Tree, que chegou com pouca antecipação no Croke Park 30 anos atrás (para 2 shows, nos dias 27 e 28 de Junho), a banda tocou no que era um palco grande, com um design padrão, cercado por folhas retratando os galhos da árvore de Josué pintadas em prata e bege. Naquela época, era o ápice do design de palcos: talvez não fosse o que havia de mais moderno, mas certamente era corajoso, limpo e honesto. E agora? “Aquela estrutura está muito fora de moda, ” diz Willie Williams, o diretor criativo da banda desde 1982. Falando sobre Berlim semana passada, enquanto a banda se preparava para o show no Estádio Olímpico de Berlim, Williams disse que brincou com a ideia de visitar o passado, se não o reinventar, com uma produção de palco tão comum quanto a da turnê original, antes de desistir da ideia.

“A linha de visão para aquele tipo de palco – se é que você se importa em ver o baterista – não funciona para os shows do século 21. ”

No caso do U2, parece que todo mundo se importa em ver o baterista, então Williams juntou “o espírito dos shows de 1987” com algo a mais. Entre no Croke Park entre hoje e Sábado, ele diz, e “o palco não parece muito diferente do usado 30 anos atrás. É uma grande parede preta no fundo ao invés de um proscênio, mas que parece ser um grande outdoor pintado com a mesma árvore de Josué colorida nele, algo que foi feito de forma deliberada. O segredo que foi revelado agora, é claro, é que não é um outdoor – é uma tela de vídeo gigante. ”

E mais spoilers foram revelados. Os primeiros 20 minutos do show não possuem nenhum efeito visual ou cenários, com faixas de War (1983) e The Unforgettable Fire (1984), que precederam The Joshua Tree.

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Então, o vídeo em widescreen começa, concebido pelo fotógrafo e cineasta Holandês Anton Corbijn, que tem colaborado com a banda por 35 anos.

Williams diz que nunca houve nenhuma dúvida que nenhuma outra pessoa que não fosse Corbijn poderia fazer os filmes para o show. O que aprimorou suas imagens foi o desenvolvimento contínuo da tecnologia do cinema nos últimos 20 anos. Embora o U2 não tenha trabalhado com vídeo em larga escala desde o início dos anos 1990, melhorias significam que ideias que antes eram improváveis agora podem ser realizadas por completo. Williams diz que graças a uma “delicada curva” na alongada tela atrás da banda, as imagens projetadas nela ficam praticamente em 3D.

Corbijn filmou tudo em 8K, que é a resolução mais alta disponível na cinematografia digital. Ela ainda não foi adotada para uso comercial. “O fato de Anton ter filmado em 8K é algo completamente diferente, ” disse Williams, ainda com um traço de reverência em sua voz. “Eu lembro durante os ensaios, quando ele finalmente viu suas imagens na tela, ele disse que nunca tinha visto seu trabalho assim antes. Mas até aquele ponto ninguém tinha.”

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De acordo com Williams, o princípio de design que governou o show foi manter a essência e a honestidade do original mas aprimorar tudo ao redor. Ele tem um time de “em torno de 8 pessoas, muitos dos quais estão com a banda por um bom tempo; o que é legal que ano a ano e de turnê em turnê o nível dos colaboradores pode variar, mas todos têm seu lugar”. Ele diz que do início eles estavam determinados que “isso não seria algo baseado em nostalgia”.

Para evitar qualquer ato que viesse a focar na herança, o time decidiu não mostrar imagens de arquivo da banda nos seus anos iniciais.

“Na verdade, eles quase não fizeram referências ao passado. Eles estão tratando The Joshua Tree como se fosse um álbum novo. Eles estão indo e tocando com tanta convicção, e, claro, eles tocam muito melhor que eles conseguiam 30 anos atrás. ”

A banda está na fase dos 50 anos, então ao que parece de forma piedosa eles decidiram não usar suas imagens de perto. “O humor que queríamos criar não era sobre imagens cristalinas de televisão. Era o mais importante nas nossas mentes. Mas sim, tínhamos que ser cuidadosos – Eu vi algumas bandas tão vintage quanto ou mais velhas em telas grandes, e isso pode ser bastante assustador. ”

Até mesmo para uma banda com um catálogo anterior tão substancial, seria o U2 a mesma entidade se os detalhes no design e atrações visuais, o espetáculo e extravagância, fossem removidos?

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“Não, eles não seriam a mesma banda, ” diz Williams. “Eles ainda seriam uma banda de rock incrível? Sim, sem dúvida. A primeira parte do show é apenas 1987, e certamente se eles não tivessem abraçado a tecnologia, se eles não tivessem reunido a equipe que eles têm, seria um tipo de proposta bastante diferente. Eu tenho certeza que seria igualmente interessante, e eles diriam as coisas que querem dizer, mas a tela seria diferente. Como está atualmente, o que tem sido produzido ao longo dos anos é um híbrido impressionante – é ao mesmo tempo uma banda de rock e uma performance de arte. ”

Há ajustes de design a fazer antes do U2 trazer a The Joshua Tree Tour 2017 para o Croke Park no Sábado. Então, para o diretor criativo da banda por mais de 25 anos, o que vêm a seguir?

Fonte: Irish Times


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