1997, com 13 anos eu já estava em uma promissora carreira como fã do U2, tinha descoberto a banda há 4 anos e eles já ocupavam um lugar de destaque no meu coração e na minha prateleira de bandas favoritas – ainda não eram “a minha banda”, mas certamente ocupavam um posto de destaque entre as TOP 10. A MTV era na época o centro de tudo o que importava no mundo da música, eles não apenas noticiavam, mas até certo ponto comandavam o que era ouvido e virava sucesso no mundo afora. Aqui no Brasil assistir ao canal era um verdadeiro exercício de paciência apenas através da antena UHF ou para os poucos privilegiados com TV por assinatura. Foi lá, no MTV no AR que vi Cris Couto anunciar que dentro de alguns meses o U2 faria a sua primeira visita ao Brasil, trazendo a PopMart. Confesso que não era uma grande admiradora do Pop (ainda não sou sinceramente), mas o pouco que tinha visto daquela digressão fez meu coração sair pela boca rolando aos pulos e soluços! Eu precisava estar lá!!!!!
Os ingressos, com a turnê patrocinada pela Skol, foram colocados à venda nas lojas da C&A, pode soar estranho, mas esse era “o” ponto de venda na época, Michael Jackson e Madonna já tinham tido sues ingressos vendidos no mesmo local e custavam muito menos do que R$100,00 – o que hoje em dia mal paga um ingresso para ver Wesley Safadão - . Eu me senti a própria magnata, a Kardashian, a “milionária do rolê”, tinha exatamente R$50,00 guardados, o que me garantia o valor da entrada... Mas eu só tinha 13 anos! Como iria encarar isso sozinha?
Passaram meses de luta psicológica com meus pais... Quem já teve toda a revolta adolescente, ou quem está nessa fase do não sou mais criança, mas não sou dono do meu nariz, sabe exatamente o que eu estava passando. Eram argumentos, argumentos, choros e teatrinhos quase diários... Mas nada adiantava. Passava pelas lojas dos shoppings e via os quiosques de venda... E não podia fazer nada... Agora penso que deveria ter tocado o FO**-SE e comprado, mas na época não me ocorreu a insubordinação...
O ano passou, chegamos em 1998, e eu meio baqueada da luta, perdia as batalhas, mas não largava a guerra... O calendário corria... E eu continuava tentando... Até que infelizmente não tive mais o que fazer, rendida vi Bono desembarcar no Rio de Janeiro, seguir para o ensaio da Salgueiro, fazer tour pela favela e gritar “Ah eu tô maluco” diante de milhares de confusos cariocas no caótico primeiro show deles por aqui. A MTV transmitiu o show de São Paulo, ao vivo, do estádio do Morumbi a poucos quilômetros da minha casa, e eu diante da TV, ajoelhada, chorei por duas horas, chorei até pelas músicas que não gostava tanto, mas chorei por estar ali entendo o tão perto, tão longe na carne pela primeira vez. No final, tinha os cantos dos olhos irritados e queimados das lágrimas salgadas e a voz rouca, mas sobretudo uma promessa: jamais deixaria de vê-los por aqui novamente.
Durante os 8 anos seguintes nunca consegui ver uma única imagem desta tour, quando algum vídeo passava por mim, quando alguém mencionava ou mostrava fotos, eu ignorava, era uma dor emocional que chegava ao físico, um sufoco... Só me curei disso quando estive presente na Vertigo e honrei minha promessa. A essa altura eu já entendia que desde sempre, a minha vida e a do U2 eram uma só... E estar ali transcende qualquer outro sentimento que possa existir.
Infelizmente não pude ver nenhum show da i+e Tour fora do país e apenas como tantos outros, aguardo a expectativa de ver os irlandeses aqui novamente o mais breve possível... Para os que nunca estiveram em um show do U2, a expectativa pode doer, pode parecer longa demais, mas confiem em mim, no final vale tudo muito a pena!
Por Vivianne Nunes






