Talvez nesse momento mais do que nunca se torna necessário celebrarmos a data de hoje, há 38 anos a ambição e a incerteza encontraram-se em uma cozinha de Dublin, 4 garotos procurando vozes, caminhos, meios e tentando saber quem ou se algum dia seriam alguém... Eram apenas adolescentes no meio de um país que mal acabara de completar 50 anos, fingindo saber exatamente o que estavam fazendo, mesmo com um vocalista que cantava como uma menina; um guitarrista que dividia o instrumento com seu irmão; um baixista que mais parecia do que era; além do dono da casa, que convocara tão estranha reunião, mas já nos primeiros minutos percebeu que jamais seria o macho alfa daquela singular manada.
Bombas, amizades, críticas, família, amores, viagens, pactos, incertezas, Ramones, The Clash, Lennon... Um armário que vai sendo apinhado de coisas, ampliado ao mesmo tempo que vai sendo trancado até que agora os senhores que parecem às vezes serem maiores do que tudo que jamais sonharam resolveram fazer uma limpeza nele.
Para olhar para frente, seguir adiante, os nomes cinquentões sentam-se no sofá de suas mansões e resgatam os meninos daquela cozinha. Sentados lado a lado, nos seus olhos procuram encontrar a inocência e a novidade. As ruas que voltam a importar não são a Times Square ou Champs-Elysee, mas sim as pequenas ruas do Norte de sua juventude. Os problemas do mundo podem aguardar um pouco enquanto as lembranças de canais de violência doméstica ecoam em uma suave e angustiada voz que não é sua. Vamos voltar a fazer o coração bater não mais ao cumprimentar um líder mundial, mas sim na resposta do primeiro toque da sua paixão eterna dos tempos de colégio.
Os meninos de Dublin tornam-se carapaças ao mesmo tempo que são os espelhos, balas, ao mesmo tempo que são os que secam as feridas dos homens crescidos. O U2 declara no maior - e talvez mais criticado lançamento - da história de que nem de longe estão perto de se acomodar, que cinco anos serviram para se reinventarem, não querem ser os velhos chatos e saudosistas, mas sim usar tudo aquilo que não conseguiram deixar para trás e seguir em frente.
Talvez, inconscientemente - o que soa difícil quando falamos do baixinho mais cheio de grandeza do planeta - os quatro nos deem uma lição: jamais renegue suas raízes, aprenda não conosco mas com vocês mesmo... Encontre sua voz, encontre seu modo...
Parabéns garotos... Na sombra o homem encontra o garoto, e se tudo agora é retomado, que o infinito seja apenas mesmo um grande lugar para recomeçar... Estaremos aí esperando por vocês!
Vida longa ao U2 e a boa música!






