A entrevista de Bono à Rádio Cidade foi ao ar nesta segunda. Ele falou sobre o seu novo trabalho, o que ele acha do Brasil e da nova turnê. O U2BR, juntamente com a Rádio Cidade e o U2Venezuela, estamos disponibilizando além do áudio, a transcrição da entrevista em português, inglês e espanhol.
Confira a seguir!
TRANSCRIÇÃO EM PORTUGUÊS
Por Pamella Renha e Bruna Cora / Rádio Cidade
Rádio Cidade - Comenta-se que "Songs of Innocence" mostra um U2 saudosista, musicalmente falando, e futurista, pela maneira de como foi divulgado o álbum. Esse extremo foi proposital ou algo que surgiu no decorrer da produção do disco?
Bono - Ah, que pergunta espertinha. Mas foi exatamente isso. Olhando para o futuro musicalmente e nas letras, eu tive que olhar pra trás. Sabe, as vezes na sua vida você precisa olhar pra trás e descobrir o porque você é desse jeito e sabe de uma coisa? Isso pode ser muito narcisista, é como olhar para o espelho. Ou quando você senta no sofá e começa a se questionar: ‘Por que você entrou na banda? Quais foram as forças que te motivaram? E quando eu me perguntei sobre isso, foi um grande momento. Choque de ideias, de sentimentos e fluiu dentro de mim. Fui parar em locas onde eu nunca havia ido por um bom bom tempo. Foi muito denso. Mas eu queria passar o que estava sentindo naquele momento, me preocupei muito com as letras por conta disso.
Rádio Cidade - Alguma razão em especial para anunciar o próximo trabalho de estúdio no mesmo dia de lançamento "Songs of Innocence"? "Songs of Experience" vai ser uma espécie de continuação?
Bono - É mais ou menos. Tem um poeta chamado William Blake, que teve uma grande influência, e o William tem dois livros chamados "Songs of Innocence" e "Songs of Experience" que deram a ele uma noção de escrever sobre o passado e a sensação de que ele estava escrevendo sobre o agora. E os pensamentos sobre o que está acontecendo agora me deram a chance de escrever músicas para o próximo álbum, que eu acredito que não vá demorar. Talvez um ano ou um ano e meio, maaaaas não tenho muita certeza (risos)!
Rádio Cidade - O single "Miracle (Of Joey Ramone)" foi recebido com muito entusiasmo pelas rádios e por parentes e amigos de Joey Ramone. Já atingiu o 19º lugar na Billboard e teve ótima aceitação dos ouvintes da Rádio Cidade...
Bono - Sabe, essa manhã recebi um e-mail do imão de Joey Ramone, que foi o e-mail mais incrível em termos de me encorajar. Eu aprendi a cantar por conta dos Ramones e eu acho que não tenho AQUELA voz de roqueiro, não sou como o Mick Jagger ou como o The Clash. Na real, eu sempre achei que cantasse com uma mulher e Joey Ramone também cantava como uma mulher. Eu pensava: 'se ele pode eu também posso'. Então os Ramones mudaram tudo para nós. Os quatro do U2 foram assistir ao show dos Ramones, a gente nem tinha ingresso e nem dinheiro para isso. Um amigo nosso trabalhava na casa de show e nos deixou entrar escondido. Só vimos a metade e aquilo mudou a nossa vida, tudo virou de cabeça para baixo. Mais tarde eu pude conhecer o Joey e ele ia aos nossos shows, festejava com a gente… ele dizia que Os Ramones deveria ser tão grande quanto o U2 e eu dizia 'você está certíssimo'. E ele dizia 'você sabe onde nós somos maiores? No Brasil!'. O Joey amava o Brasil, a última conversa que eu tive com ele estávamos em um lugar em Nova York e ele disse exatamente isso...
Rádio Cidade - No início de tudo, quando vocês eram o The Hype, vocês já tinham noção de que se tornariam um dos artistas mais importantes da história da música? Como era a vida naquela época?
Bono - Dublin nos anos 70 era um tanto quanto complicado. Tínhamos muita violência política, basicamente no Norte do país, havia muita pobreza. Eu morava numa rua que era boa chamada City with Rose, tinha muita violência ali perto.. Mas eu lembro que a pior violência que tinha era a violência doméstica. Tipo o pai com o filho ou o marido com a esposa. Existem algumas músicas no CD "Songs of Innocence" que são mais obscuras, por conta dessas histórias. A igreja irlandesa tinha uma grande força, eu ainda acredito nas coisas, sei que a igreja dos anos 70 cometeu muitos erros. Foram tempos difíceis…Mas ao mesmo tempo fortificou amizades e amores. Eu comecei a namorar a minha esposa, na mesma semana em que entrei no U2, e foi uma boa semana! Nós éramos chamados de The Hype porque a gente queria encher as pessoas, não queríamos fazer músicas brandas, queríamos enfrentar as pessoas. Nós saímos na rua para fazermos os nossos flyers de divulgação. A gente fazia grafiti, divulgando os shows, e claro que nos metíamos em problemas. Acreditávamos que música era importante e queríamos chegar nas pessoas. Quanto mais melhor!
Rádio Cidade - Eu não sei se você pode falar alguma coisa, mas hoje está acontecendo o referendo da emancipação da Escócia. Será que você nos contaria a sua opinião sobre isso?
Bono - Eu já estou muito encrencado, muito encrencado (risos)! E você sabe que não me importo de me meter em encrencas. Por mim sairia metendo o pé na porta e falaria boas verdades sobre o mundo. Mas eu pensei: 'vou ficar na minha pelo menos dessa vez'. Acho que o povo escocês é inteligente o suficiente para saber o que é melhor para eles. Sabia que nós somos os mesmo tipos de pessoas? Antigamente, a Irlanda se chamava Scottish. Então, o povo que foi morar na Escócia é bem parecido com nós irlandeses. A música é parecida e nossas paixões também.
Rádio Cidade - Então agora vamos para outra pergunta… Nós aqui do Rio sentimos muito a falta da banda! E eu queria saber se você não sente falta da caipirinha carioca e de vir aqui para fazer um show para a gente! Vocês foram para São Paulo, aqui do lado e…
Bono - Eu sei! É que precisamos encontrar os locais para fazermos os shows! Como se pronuncia Carioca? CA-RI-O-CA! Eu sou carioca, com certeza! Na verdade, a gente precisa encontrar os lugares certos e, como você provavelmente deve ter escutado, o nosso baixista, Adam Clayton, é casado com uma brasileira, muito bonita, chamada Mariana. Nesse momento, estou cercado pelo Brasil… É, a gente precisa consertar isso. Eu amo tocar em locais pequenos, se pudéssemos tocar em locais menores, seria muito bacana.
Rádio Cidade - Em se tratando do Brasil, qual é a primeira coisa que surge na sua cabeça quando alguém menciona o nosso país? É a música, cultura, comida?
Bono - Bem, eu acho que tem uma coisa muito interessante. A combinação de sensualidade e a atitude racial. Eu descobri, por experiência própria - seria diferente se eu morasse no Brasil -, mas eu descobri que eu gosto como o povo é cheio de cores, formas. Vocês vivem num outro mundo, com outras regras, e percebo muito isso quando posso ir à praia. E a música é como se fosse um sacramento, é quase que religioso, não acha? Música é como um salva vidas. Sei que as pessoas falam disso pro futebol. Mas eu acho que a música e o ritmo refletem o que é o povo brasileiro. Nós irlandeses pensamos que somos brasileiros, mas que não sabemos dançar. Algumas culturas são mais frias e outras são mais calorosas. Eu acho que não existe algo mais sem graça que pessoas que são obsessivas em serem legais. Liberdade pra mim e intoxicante e sendo livre com você, com a sua alma, se abrindo nas letras das músicas. Não é só se arrumar em frente ao espelho, tentando ser diferente. O bancana é fazer uma conexão com um outro ser humano e ser livre o suficiente para dormir na praia, se for preciso, ou ficar num hotel cinco estrelas. Espero de coração ser livre o suficiente para fazer ambos.
Rádio Cidade - Depois de quebrar tantos recordes, como sentiu quando a Apple cedeu 500 milhões de álbuns? Você continua sentindo as borboletas no estômago?
Bono - É… sabe, isso é só a distribuição. Foi um grande presente da Apple. Eu não acredito em música gratuita. Músicos merecem mais respeito. E provavelmente eu mereça menos, porque eu e a banda recebemos muitos prêmios. Mas eu ainda parto do princípio que músicos merecem ser pagos. A Apple nos pagou e fico orgulhoso por isso. O acordo é que eles atingissem o maior número possível de pessoas, 500 milhões foi a distribuição, o número real, pelo menos nesses último 7 dias, 38 milhões de pessoas ouviram o nosso CD. Agora se eles guardaram aquilo nos corações, é outra coisa. Pelo menos eles deram uma chance para o nosso trabalho, deram ao U2 uma chance. Vocês estão tocando a nossa música no rádio e isso é muito importante para mim, de estar no mesmo playlist que os artistas que eu gosto. Arctic Monkeys e Arcade Fire...admiro muito o trabalho deles. Na real, o importante é ter gente para ouvir a sua música. Como eu digo, esse álbum é muito pessoal e espero que elas entendam de coração e alma.
Rádio Cidade - Eu li que você e o Liam Nesson estão escrevendo um filme juntos, sobre a cena musical da Irlanda. É sério isso?
Bono - Caramba! Eu não sabia que muita gente sabia disso, ou se de fato alguém sabia (hahahaha). Tem um filme chamado "The Virgin of Las Vegas", que eu e o Nesson temos falado bastante de um grande escritor chamado Barry Devlin e um dia nós iremos gravá-lo. Ainda não temos uma data. O Liam é um ator genial e só de ele estar nesse filme... será um pequeno filme independente e tê-lo será incrível, ele disse que amaria fazer.
Rádio Cidade - Por fim, queria muito te parabenizar por este álbum, mas a música "Invisible" é minha favorita, ela é linda. Sempre coloco muito alto aqui na rádio. (risos)
Bono - Sabe… quando a versão física chegar as lojas, talvez "Invisible" faça uma aparição, no CD….
TRANSCRIÇÃO EM INGLÊS
Por Vivianne Nunes / U2BR
Rádio Cidade - A lot of people are saying that "Songs of Innocence" shows a nostalgic U2 by the lyrics, and a new U2 by the way that the album was released. This was done on purpose, or did it come naturally?
Bono - Ah, it's clever, but it's right. But it was exactly that, it is both. It's look forward in the music and the lyrically look back at the source, in the heart of it, I had to look back. You know, sometimes in your life you need to look back and figure out why you are the way you are, and you know, this can be very narcissistic, whom I'm looking in the mirror? You know, it's a difficult think, it's like… It's hard to sit on the couch and start to do some questions: Why you joined the band? What were the forces that molded you? And when I wondered about that, I realize that it was a big moment, it was a like a sleepcase, a clash of ideas, feelings and flowed within me. I ended up in dens where I had never gone for a good and long time. Was very dense. But I wanted to spend what I was feeling at that moment, and just really want to have sure that these songs are good enough, and that is why I was very concerned about the letters on this album.
Rádio Cidade - There was any reason to announce on the same day are released "Songs of Innocence"? that I will another album coming up? It will be like story that will continue?
Bono - Kind of. There is a poet called William Blake, who had a great influence on me growing up, and he has the two books of poetry called "Songs of Innocence" and "Songs of Experience", you know he really have a way of being able to talk about the past and the feeling that he was writing about now, and I want to capture these thoughts about now and put on "Songs of Experience". I don't think that it will not take a long, maybe a year or a year and a half, but I'm not very reliable with release dates (laugh).
Rádio Cidade - The single "Miracle (Of Joey Ramone)" already had been added to playlist of several stations, and debuted at number 19 of 38 on Billboard adult alternative songs, and came to Rádio Cidade yesterday, and had great acceptance from listeners of our station.
Bono - You know, this morning I received an email Joy Ramone's brother, who was the most incredible email for me, in terms of encouragement, because I learned to sing listening to The Ramones, and you know, I think that I haven't this big rock voice, I'm not like Mick Jagger, or even a Punk rock voice like The clash or something, I always thought that I used to sang like a girl; Joy Ramone sang like a girl too and I said, if he can do it, I can too, so that The Ramones changed everything for us. The four members of U2 went to see The Ramones, we had no tickets, we had no cash for the tickets. One of our friends let us in, we only saw half the show, but it changed our lives. Then I got to meet Joey, and going to our shows, clubs, etc. You know he used to say something: "The Ramones should be as big as U2", and I said: "Joey you are so right!". "And you know where we are as big as U2?", I said Where? And he said: "Brazil". He loved Brazil. I used to talk to; in the last conversation I had with him, he went to see us play in Saturday Nigth Live in New York, he told me that, and... So… There we go…
Rádio Cidade - Well, speaking of what happened back on those days, backing in the time, when U2 used to be The Hype, did you imagine and the guys what that you would be for the world? How was life on those days?
Bono - Dublin in the 70s was something hard, had a lot of political violence going on in the country, mainly in the north of the country, there was much poverty. I lived in a nice street called Cedarwood Road, but there was a lot of violence closer. I remember thinking of the worst kind of violence was the domestic violence, like a father to a son, husband to wife, I have written some of the darkest stories in Songs of Innocence. A Igreja in Ireland was a very powerfull force on those days, even than, I am still a believer, but The Church in 70's, it had made many mistakes in our country, so I wrote about this in "Sleep like a baby tonight"… It was many children had difficult times in Ireland… But at same, were amazing times… Friendship, falling in love… I started to date my wife, Ali, on the same week that I joined U2, and that was a good week… And we called The Hype because I always wanted to stir things we always wanted to be... I never wanted... U2... the music to be loose, wanted to make annoying, you hecharles on face. We used to go there with... I made posters with wallpaper, we made pamphlets, you writes along Lincoln Road, as graffiti artists, and we got into trouble, and annoying people, but it was The Hype, we wanted the music... believe that music is important and sacred and special and we wanted to reach as many people as we could.
Rádio Cidade - I don't know if you can tell us, but today is the day that will vote for the liberty of Scotland. Do you have any opinion about this? If you are not confortable, it's ok, no problem.
Bono - I'm in enough trouble, I'm in enough trouble! (laughs) I do not know, if you know I don't mind gettin in trouble, I'd like to put a foot in the mouth or in the mouth of anyone, but I just thought this is one issue I will sit right away. I think the Scottish people are smart enough to make a good decision. You know, we are the same type of people, one of the original names for Ireland, where I come from, in ancient times, is called Scottish, so people went to live in Scotland are very similar to the Irish, we are similar in music, very similar in our passions.
Rádio Cidade - Ok, now let's have a nice one, ok?! Here on Rio we miss you a lot! Like, we miss you very much! And I want to know if you don't miss the caipirinhas, and come here and do a concert for us. You guys come to São Paulo, and it was like next door…
Bono - How you called… CARIOCHA?!
Rádio Cidade - Caipirinha, is the the drink…
Bono - No, when you from the Rio… CARIOCHA?! What is the word?
Rádio Cidade - Carioca… Is with CA…
Bono - CARIOCA.
Rádio Cidade - Yah, that's the word, CARIOCA.
Bono - Carioca, I'm carioca, for sure! Yah, we need to find the venues right… As you probably must have heard, the bass player from U2, Adam Clayton, married with a brazilian, a beautiful girl named Mariana, I'm kind surrounded by Brazil at this moment... So, we got to fix that, get some venues to play; I would like to play in small venues, if possible. If it were not so elitist, I'd like that.
Rádio Cidade - What is the first thing that comes into your head when we talk about Brazil? We know, you said that you surrounded by a lot of things from Brazil, but what is? The music, the food, the culture?
Bono - Well, I think there is a very interesting combination of sensuality, people with a variety of races, sensuality. I find, in my own experience, maybe... would be different if I lived in Brazil, but I like of the way of people all colors and shapes, you know I like, I could see the beaches, and it was… UAU! It's like.... Like people live by a different set of rules. I think in music, it is for you as a sacrament, it is almost a religious thing, people cling to the music like a lifeline. I know people say that about soccer, but I think music reflects Brazilian people and the rhythm. We Irish, we believe that we are Brazilians that don't know how to dance.
Rádio Cidade - After break a whole brunch of records, how you felt when Apple gave 500 million albums to their clients; Do you still feel the butterflies in your stomach?... I was a lot of albuns!!! I was reading yesterday that, and it was "Oh my God, U2 they broken already a lot of records"; and here in Rio, in Brazil you broke a lot of records, and now 500 million albums got into Iphones and computers, you know.
Bono - It was just distribution; so that was a great gift from Apple, and I do not believe in free music, I think it's great that musicians... his... his... reward they deserve. I probably deserve the less, because me and the band received so many awards, but I still stented from the principle that musicians deserve to be paid. So Apple did pay us, and I'm proud of that. The deal was that they will get the music to reach as many people as possible, 500 million people is a lot of people, but those are not the real figures, for me, the real figures are these: in the last 7 days 38 million people have heard the entire album. Now, the songs have been in his heart? That is a different matter, but at least they listened to the album, we had a chance, they was given an opportunity to U2… And you are playing those songs on your radio station, that means more to me, you know... To be in the playlist with some of my favorite artists such as The Artic Monkeys, Arcade Fire… People that I admire, so that's the most important people listen to music. We'll see if all the songs are pleasing to the masses. It is a very personal album, I hope... to stay in their hearts and souls.
Rádio Cidade - I read that you and Liam Nesson are writing a movie together about irish music scene. That is true?
Bono - Yes! It's funny, I didn't know that a lot of people know that, or if someone actually knew (hahahaha). There's a movie called "The Virgin of Las Vegas," Nesson and I have talked quite a great writer named Barry Devlin and one day we'll gonna make that. We do not have a date yet. Liam is a brilliant actor and he's only in this film... is a small independent movie and have it be amazing, he said he'd love to do.
Rádio Cidade - Finally, congratulations for this album, I'm really happy! I know that "Invisible" is not at the album, but is one of my favorite music nowadays. I hear here on the radio, and so I'm love with this! So, congratulations, seriously!
Bono - You know... When the physical version is released, Invisible, could make an invisible appearance on the album.
TRANSCRIÇÃO EM ESPANHOL
Por U2Venezuela
Rádio Cidade - Muchas personas están diciendo que "Songs of Innocence", muestra un U2 nostálgico, debido a sus letras, y un nuevo U2 debido a la manera como el album fue lanzado. ¿Fue a propósito o sucedió naturalmente?
Bono - Ah, es inteligente, es buena esa. Es ambas cosas. Está mirando hacia delante en la música, y mirando atrás, a la fuente, al corazón de ello, tuve que mirar atrás. Tu sabes, a veces debes mirar hacia atrás en la vida para darte cuenta porque eres de la forma que eres, y sabes, esto puede ser muy narcisista, ¿a quien estoy mirando en el espejo?, sabes, es como… es difícil sentarse en el sofá, necesitaba ambas preguntas, ¿porque te convertiste en…?, ¿porque te uniste a una banda? ¿de que se trataba todo eso?, sabes, ¿cuales fueron las fuerzas que te moldearon?, y cuando me di cuenta de esto, fue un gran momento, fue como una somnolencia (sleepgate, puerta, relacionado al ciclo del sueño), como un choque, un choque de sueños, choque de ideas, fluyó a través de mi y llegué a un lugar en el cual no había estado en un largo, largo tiempo como artista, me estaba asegurando de que las canciones fueran lo suficientemente buenas y cargadas de emociones, y eso fue aleccionador de por si.
Rádio Cidade - ¿Hubo alguna razón para anunciar el mismo día que se lanzó "Songs of innocence" que vendría un nuevo album?, ¿es como una historia que continuará?
Bono - Mas o menos. Hay un poeta llamado William Blake, que tuvo una gran influencia en mi mientras crecía, y el tiene dos libros de poesía llamados Songs of innocense y Songs of experience, que tiene realmente un modo de ser capaz de escribir acerca del pasado y al mismo tiempo, una sensación de escribir acerca de lo que está pasando ahora. Pero tomé esos pensamientos de songs of experience, y se están convirtiendo en un album cuando estén terminados. No creo que tome mucho tiempo, un año, o año y medio, pero no soy muy confiable para las fechas de lanzamiento (risas XD).
Rádio Cidade - El sencillo "Miracle (Of Joey Ramone)" como fue ese recibimiento por parte de la familia y los amigos de Joey. Ya ha sido añadida a las playlist de varias estaciones de radio, y debutó en el número 19 de 38 de albumes alternativos, y llegó ayer a Radio Ciudade y le está yendo muy bien. Felicitaciones (risas).
Bono - Sabes, Esta mañana recibí un email del hermano de Joy Ramone, que fue el email mas increible para mi en términos de motivación, porque aprendí a cantar escuchando a The Ramones, y sabes, yo pienso que no tengo una voz para el Rock, no soy como Mick Jager, ni siquiera una voz de Punk rock como The clash o algo así, siempre he pensado que canto como una chica; Joy Ramone cantaba como una chica también y dije, si el puede hacerlo, yo también puedo, por lo que The Ramones cambiaron todo para nosotros. Los cuatro miembros de U2 fuimos a ver a The Ramones, no teníamos entrada, no teníamos dinero para comprarlos. Uno de nuestros amigos nos dejó entrar, sólo vimos la mitad del show, pero cambió nuestras vidas. Luego pude conocer a Joy, y el iba a nuestros shows, a los clubs, etc. Sabes el solía decir algo: The Ramones deberían ser tan grandes como U2, y yo dije, Joy eso es correctísimo; ¿y sabes donde somos tan grandes como U2?, yo dije ¿Dónde? Y el dijo – Brasil. (RC dice OOOHU XD), el amaba Brasil. Yo solía hablar con el; en la última conversación que tuve con el, el fue a vernos tocar en Saturday Nigth Live en Nueva York, el me dijo eso, y… bueno… pues allí lo tienes.
Rádio Cidade - Bueno ya que hablamos de lo que pasaba en aquellos días, cuando U2 solía ser The Hype, ¿se imaginaron lo que sería ustedes para el mundo? ¿Cómo era la vida en esos días?
Bono - Dublin en los años 70 era algo dura, teníamos mucha violencia política en el País, básicamente, en el norte del País, había mucha pobreza, hmm, yo vivía en una buena parte, llamada Cedarwood Road, pero había mucha violencia cerca, recuerdo pensar que la peor clase de violencia, era la violencia doméstica, como de Padrea Hijo, de esposo a esposa, he escrito algunas de las historias más oscuras en Songs of Innocense. La Iglesia en Irlanda era una fuerza muy poderosa en Irlanda en aquellos días, inclusive, todavía soy un creyente, y sabes, La Iglesia en los 70´s cometió muchos errores en Irlanda, así que escribí acerca de eso en Sleep like a baby tonanigth, muchos niños tuvieron tiempos difíciles en Irlanda, pero fueron tiempos increíbles, de amistades, de enamorarse. Yo conocí… yo comencé a salir con mi esposa Aly, la misma semana que me uní a U2 (RC: WOOU ) y esa fue una buena semana (RC: risas), y nos llamabamos The Hype (la traducción más parecida en español es La Alaraca, o el alboroto XD), porque siempre quisimos revolver las cosas, siempre quisimos ser…nunca quisimos…U2… que la música fuera floja, queríamos hacer enojar a la gente, hecharles en cara. Solíamos ir por allí con… hice posters con papel tapiz, hicimos panfletos, escribiamos a lo largo de Lincoln Road, como artistas del graffiti, y nos metiamos en problemas, y enojabamos a la gente, pero era The Hype, queríamos que la música… creemos que la música es importante y sagrada y especial y queríamos llegar a tantas personas como pudieramos.
Rádio Cidade - No se si está bien que nos digas, pero hoy es el día del voto por la libertad de Escocia. ¿Tienes alguna opinión al respecto? Puedes decirnos, si no te sientes cómodo, no hay problema OK.
Bono - Estoy en suficientes problemas, estoy en suficientes problemas! (risas) Yo, no se, si tu sabes que no me importa meterme en problemas, me gusta ponerme el pie en la boca, o en la boca de cualquiera, pero pienso que este es un asunto del que me mantendré alejado, creo que la gente Escocesa es suficientemente inteligente para tomar una buena decisión. Tu sabes, somo el mismo tipo de gente, uno de los nombres originales para Irlanda, de donde vengo, en tiempos lejanos, se llama Scottish, así que la gente que fue a vivir a Escocia son muy similares a los Irlandeses, somos my similares en la música, muy similares en nuestras pasiones.
Rádio Cidade - Hhm ok, vamos a hacer una amable (pregunta). Aquí en Río de Janeiro, los extrañamos mucho, y quería saber si no extrañan las caipiriñas Cariocas, y venir aquí y hacer un concierto para nosotros! Así como fueron a Sao Paulo, aquí al lado!
Bono - Sólo tenemos que organizar los recintos bien para los shows. Como le llamas ¿Cariocha?
Rádio Cidade - Caipiriña, es la bebida.
Bono - No, cuando eres de Río, ¿Cariocha?, cual es la ¿palabra?
Rádio Cidade - Carioca, es con C A.
Bono - CA-RI-O-CA.
Rádio Cidade - Asi es!
Bono - Seguro! Como probablemente escuchaste Adam Clayton, el bajista de U2, se casó con una Brasilera, una chica hermosa llamada Mariana; estoy algo así como rodeado de Brasil en este momento (RC: risas), así que, hmm, tenemos que arreglar eso, buscar buenos recintos para tocar; me gustaría tocar en recintos pequeños, si es posible. Si no fuera tan elitista, me gustaría eso.
Rádio Cidade - Que es lo primero que te viene a lamente cuando hablas de Brasil. Se que dijiste que el animo, que estas rodeado de Brasil, pero, es la ¿música?, ¿cultura?, ¿la comida?.
Bono - Creo que hay una combinación interesante de sensualidad, gente con una variedad de razas, sensualidad. Me di cuenta, según mi proia experiencia, tal vez… sería diferente si viviera en Brasil, pero encontré gente llena de diferentes colores y formas, sabes me gusta, pude ver las playas, me gustan… viven según reglas diferentes. Pienso en la música, que es para ustedes como un sacramento, es casi una cosa religiosa, la gente se aferra a la música como a un salvavidas. Se que la gente dice eso acerca del football, pero creo que la música refleja el ritmo de la gente Brasilera. Nosotros los Irlandeses, creemos que somos Brasileros que no saben bailar. Algunas culturas son más frías y otras más calientes, creo que no hay nada más aburrido que las personas que están obsesionadas con ser bien portadas. La libertad para mi es intoxicante, ser libre con tigo mismo, con su alma, abrirse en las letras de las canciones. No es solo colocarse frente al espejo, intentando ser diferente. Lo cool, es tener una conexión con otro ser humano, es ser lo suficientemente libre para dormir en la playa, y si es preciso, dormir en un hotel 5 estrellas. Espero de corazón ser libre lo suficiente como para hacer ambos.
Rádio Cidade - Prometo que te haré dos preguntas mas ok! Una de ellas es…
Bono - No te estoy apurando!
Rádio Cidade - Oh! Eso va a ser genial, entonces! Hum, luego de romper un gran número de records, como te sentiste cuando Apple regaló 500 millones de albums a sus clientes; ¿todavía sientes las mariposas en el estómago?... Estaba leyendo ayer que, O Dios, U2 ha roto tantos records ya, aquí en Rio, en Brasil rompieron muchos records, y ahora 500 millones de discos se metieron en Iphones y computasdoras, tu sabes.
Bono - Ya sabes, eso es solo distribución; fue un gran regalo de Apple, y yo no creo en la música gratis, creo que es grandioso que… los músicos se merecen su… su… recompensa. Yo probablemente merezca los mínimo, porque hemos sido demasiado premiados, una banda que ha sido demasiado premiada, pero todavía parto del principio de que los músicos merecen ser pagados, soy un fan de eso, Apple es fan de eso también y lo hizo con nosotros, nos pagó. La visión era para que la música llegara a la mayor cantidad de personas posibles, pero esos no son los números verdaderos, para mi, los números verdaderos son estos: que en los últimos 7 días 38 millones de personas han escuchado todo el álbum; ahora, que las canciones se hayan quedado en su corazón es un asunto diferente, pero al menos, escucharon el álbum, nos dieron una oportunidad, le dieron una oportunidad a U2, y ustedes están tocando esas canciones en su estación de radio, eso significa mas para mi, tu sabes… que nos coloquen la playlist junto a algunos de mis artistas favoritos, como la fabulosa banda The Artic Monkeys, mucha gente, Arcade Fire, gente que admiro, así que, eso es lo más importante, que la gente escuche la música. Veremos si todas las canciones le agradan a las masas. Es un album muy personal, espero que…que se quede en sus corazones y almas .
Rádio Cidade - Leí que Liam Neeson y tu estan escribiendo una película juntos acerca de la escena musical de Irlanda. ¿Es verdad?
Bono - Es gracioso, no sabia que tanta gente sabía eso! Hay un film llamado "Virgin of Las Vegas" (La Virgen de Las Vegas), es un film del que Neeson y yo hemos hablado para publicitar a este dotado escritor llamado Barry Devlin, y un día lo vamos a hacer. No tenemos una fecha, pero Liam es un actor genial, está película es para él!, es una película pequeña, independiente, pero el ha dicho que le gustaría hacerla.
Rádio Cidade - Bueno ya se acabo. Felicitaciones por este album, estoy muy feliz; se que Invisible no está en el album, pero es una de mis canciones favoritas en estos días, la escucho aquí en la radio, y estoy así como, tan enamorada de ella! Felicitaciones de verdad!
Bono - Cuando la versión física sea lanzada, Invisible, podría hacer una aparición invisible en el album.
A Rádio Cidade disponibilizou em seu site o áudio completo da entrevista.
Agradecemos a Rádio Cidade, especialmente a Pamella, pela parceria, e parabenizamo-los pela entrevista exclusiva.






