Crônica: Novos sonhos esta noite
Crônica: Novos sonhos esta noite
Crônica: Novos sonhos esta noite
19 de maio de 2017
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Marina
Newsposter e colunista do U2 Brasil

Novos sonhos esta noite

Comentários de Cathleen Falsani sobre a noite três de # U2TheJoshuaTree2017 e como ela chega em Santa Clara.

"I can't believe the news today…"

Essas seis palavras iniciais de "Sunday Bloody Sunday", escritas há quase 35 anos, mas que encarnam um imediatismo que as faz sentir como se tivessem sido escritas esta semana, abriram o show em Santa Clara e deixaram 50.000 pessoas em pé, muitas com seus braços levantados sinalizando o ar noturno vívido.

"I can't close my eyes and make it go away…"

SIIIIM.

"How long, how long must we sing this song?"

Muito tempo, na verdade.

Embora eu tenha visto cada um dos três primeiros shows na turnê Joshua Tree 2017, o show de quarta-feira no coração do Vale do Silício na Califórnia conseguiu me levar pelos ombros e me puxar, o coração primeiro, através de um limiar no espaço de tempo contínuo entre o passado formativo e o presente palpável.

Antes de lançar uma nova versão do álbum The Joshua Tree em sua totalidade, a banda alcançou os ábuns War de 1983 e The Unforgettable Fire de 1984 com cinco músicas executadas no palco em forma de Joshua Tree. Era muito mais do que nostalgia. Foi transcendente, transportador.

Muitos de nós, a geração X de um público arrebatado, lembraram visceralmente o que era ter os nossos olhos abertos e sermos adolescentes, ouvindo "New Year’s Day", "Bad", "Pride (In the name of love)" ou "A Sort of Homecoming" pela primeira vez, enquanto sonhávamos sonhos e visões divertidas de nosso futuro pessoal e coletivo.

"And you hunger for the time, time to heal, 'desire' time, and your earth moves beneath your own dream landscape…"

Trinta anos depois, aqui na América, o lugar que o U2 mais do que admira: "América, te amamos, te amamos". Bono diria mais tarde: “nos encontramos em um momento de tumulto e divisão, como nenhum outro na memória recente. Muitos de nós estamos consternados, com raiva, com medo. Muitos de nós querem fazer algo para mudar nossa trajetória, para ampliar a abertura de nossa percepção”.

Nós somos, como Bono disse, "os furiosos e os fiéis".

À medida em que cada membro da banda se movia para o palco central para executar as 11 faixas do The Joshua Tree em sequência, a enorme tela de LED atrás deles despertou em vermelho flamejante cortado pela silhueta de uma enorme Joshua Tree que durante o resto do show literalmente ampliou nossa percepção (a tela de 200 por 45 fts é a maior e mais alta tela de resolução já utilizada na história das turnês).

Então os filmes em preto e branco de Anton Corbijn nos moveram através do alto de um deserto e ao longo de uma estrada vazia, perdida; onde os rios (e as esperanças) parecem estar secos. Seus visuais surpreendentemente e impressionantes deram nova vida e pertinência às histórias de The Joshua Tree que muitos de nós conhecemos de cor, até como ajustes sutis nas faixas do álbum em performance ao vivo - da adição de cortes de uma seção de trombones de uma banda do Exército de Salvação para "Red Hill Mining Town" até as frases quase conversacionais de "Running to Stand Still"- lhes deu energia fresca, sônica e relevante.

"O que dizer sobre este momento presente, mas nestas poucas palavras", disse Bono, ao apresentar "In God’s Country".

"Precisamos de novos sonhos esta noite".

Eu nunca fiz toda a trajetória através de um concerto do U2 sem derramar algumas lágrimas, sejam de alegria, desolação ou elevação. Mas em Santa Clara, encantada com o poder das histórias enquanto elas se desdobravam em novas maneiras diante de mim, eu fiz tudo até a penúltima canção antes do bis.

Eu sempre tive um ponto fraco por "Miss Sarajevo" e a aparição de seu convidado especial, o  falecido Luciano Pavarotti. Eu já a ouvi executada ao vivo diversas vezes. Mas desta vez, no contexto de tudo o que veio antes e empregada como uma trilha sonora para a história visual de Omaima, uma menina síria de 15 anos, no Campo de Refugiados Zaatari na Jordânia, a música quebrou – não, não quebrou – abriu meu coração de novas maneiras.

"Segure-a", disse Bono à multidão, quando uma enorme gravura de tecido da foto de seu passaporte em preto e branco foi passada lado a lado pelo público nas arquibancadas, fazendo a volta do perímetro em formato de ferradura do estádio.

Eles a abraçaram. Nós a abraçamos. Nós carregamos um ao outro.

A noite terminou com uma música do próximo álbum "Songs of Experience" chamada "The Little Things That Give You Away". A banda tem executado a nova música a cada noite da turnê até agora e no estádio Levi’s, encontrou seu jeito.

"Às vezes, às vezes, eu estou cheio de raiva e tristeza", cantou Bono, "tão longe de acreditar que qualquer música aparecerá."

E ainda está assim.

Nota: este texto é uma reprodução do original publicado no U2.com. Para conferir o setlist, fotos e vídeos dessa noite, clique aqui. Não esqueça de conferir as crônicas anteriores aqui no U2BR!

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