Treze anos.
Um mundo musical que se limitava aos Top 10 da MTV ou MixTV. Linkin Park, com "Faint", System of a Down, com "B.Y.O.B.", Black Eyed Peas com "Pump It", Yellowcard com "Lights and Sounds", Thirty Seconds To Mars com "The Kill", Ja Rule, 50 Cent, Red Hot Chilli Peppers. Daniel Powter com "Bad Day" tocava bastante. "O Sol", de Jota Quest, também. Não lembrarei todas. Mas, basicamente, era isso. A bem da verdade eu não me importava muito com tal mundo. Conhecia pouco da arte sonora, e esse pouco me bastava.
Provável que "Vertigo" aparecesse vez ou outra na programação. Mas ao que me recordo, nunca tive a sorte de estar assistindo tais emissoras em dado momento. A frequência do hit nos charts brasileiros devia ser menor, após 2 anos de lançamento. Até então, "Vertigo" não existia para mim. Tampouco o álbum "How to Dismantle an Atomic Bomb" - ou qualquer outro que seja. Hoje é engraçado pensar nisso, assim como é estranho tentar imaginar como seria minha playlist, caso não soubesse a respeito do quarteto. Cada música que lançaram se mostra essencial. Sem elas, haveria uma lacuna a passar despercebida.
Enfim.
Voltando.
Lembro mesmo de conhecer "Beautiful Day" graças a um jogo de Playstation 2. Estava no menu inicial de Winning Eleven 8, se não me falha a memória. Versão pirata mesmo, confesso. Já pesquisei, na versão original não tocava a mesma trilha sonora. Enfim, o fato é que a canção estava no jogo e eu ouvia ela completa antes de iniciar a jogatina. A mesma linda canção que, certa vez, ouvi ao fim do filme "Vida Bandida" no SBT.
Era começo de 2006. Recordo bem que durante as chamadas da Globo quanto ao carnaval, de repente começaram a acrescentar algo sobre um show do Rolling Stones em Copacabana e, logo a seguir, falavam de um show de um tal de U2.
Daí em diante "Vertigo" era mais frequente nos já citados canais. Ou minha sorte que aumentara. "Beautiful Day" começou a aparecer também. Quer dizer então que essa música é desse tal do U2?. Além da música, o clipe me encantava. A parte dos aviões, principalmente. Eu ficava boquiaberto. Era época onde efeitos visuais não eram tão rotineiros. Logo a ansiedade foi crescendo. Por um motivo ou outro, eu contava os dias para a exibição do show acontecer. De algum modo eu sabia que seria especial.
Era época de Orkut. Também época de – para a maioria, suponho - internet discada. Youtube ainda não era meio para assistir a todos os clipes. A velocidade mínima da conexão não ajudava na pesquisa para conhecer outras músicas do tal U2. Portanto, seria mesmo um show de quase 100% inéditas.
Fui à praia com a família. Dias antes dos dois shows.
Acompanhei o evento musical gigantesco na praia de Copacabana. "I can’t get no". Já ouvira antes, não me recordava onde. Achei legal o evento.
A ansiedade para o próximo show ainda estava igual anteriormente.
"Larry, Adam, The Edge e Bono, quatro nomes que quase todo o planeta sabem de cor...", a voz de Zeca Camargo anunciava o início do espetáculo.
Minha ansiedade mostrava-se ter valido a pena. Era apenas a introdução de "City Of Blinding Lights". Mas a sensação era diferente.
Se faz desnecessário relatar música por música – a mágica, aliás, é um tanto quanto indescritível.
Posso dizer ter sido algo memorável. Os efeitos no telão, a loucura em "Elevation", a surpresa em "Miss Sarajevo" – esse tal de Bono sabe cantar parecendo um tenor -, o simbolismo em "Bullet the Blue Sky", a vibração contagiante em "Where the Streets Have no Name"; o contraste do encore, "Zoo Station" e as demais.
Basta dizer que, ao fim do show, eu era um novo fã do U2.
Quando acontece algo muito bom em nossas vidas, tendemos a comentar para a maioria das pessoas próximas. Compartilhar felicidade e etc. E foi justamente isso. O garoto de 13 anos passou a falar de U2 todo santo dia aos colegas da escola. Comentava das partes incríveis do show, da qualidade das músicas, das letras. Falava tanto de U2 que era até chato.
Anos depois, revendo um desses amigos, entre a conversa que se desenrolava, pude dizer, deleitosamente: "Lembra que na escola teve uma época que eu só falava de U2? Fui no show deles esse ano". Mas isso é para um próximo post.
Obrigado, Globo. Sério.
Por João Victor Martins Ruyz.






