A história por trás da gravação de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
A história por trás da gravação de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
A história por trás da gravação de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”
08 de março de 2017
Thiago Dos Santos

O baterista do U2, Larry Mullen Jr., tem elogiado o produtor Daniel Lanois pelo seu interesse nos aspectos mais rítmicos da banda. Enquanto o produtor dos primeiros álbuns Steve Lillywhite enfatizava mais a voz de Bono e a guitarra do Edge, Lanois focava mais nos elementos percussivos, levando Mullen a ser mais criativo no processo.

Uma das canções mais lendárias do U2 veio da parceria entre Mullen e Lanois. Após ter co-produzido The Unforgettable Fire, o produtor Canadense estava de volta para o que seria "The Joshua Tree". Nas sessões iniciais, Lanois focou em uma poderosa batida que Mullen tinha criado para uma demo chamada “The Weather Girls”. Lanois não gostava muito do resto da faixa, mas ele gostava da batida e encorajou o baterista a continuar trabalhando nela.

O processo continuou, com Edge criando uma rústica linha de violão que era compatível com o poder bruto da percussão de Mullen. O guitarrista também tinha uma melodia e um título: “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”. Bono pegou a ideia, e sob a direção de Lanois, começou a trabalhar com temas gospel.

“A música que realmente me atrai é aquela que ou está correndo em direção a Deus ou fugindo Dele”, disse Bono a Rolling Stone. E ainda assim, o cantor descreve “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” como “um hino mais de dúvida que de fé.”

Um pouco dessa dúvida talvez tenha sido um produto da inexperiência do U2 na época com as características da música black gospel, um gênero que era distintamente Americano. Musicalmente e na questão da letra, a banda estava tentando se encontrar na música de outras pessoas. “Eu lembro que um dos problemas que tínhamos, quando você tem uma canção gospel antiga, é tentar trazer isso para o século, ou momento em que você está,” lembrou Bono no documentário Classic Albums. “E acho que fizemos isso unindo diversas gravações.”

The Edge lidou com a canção de diferentes maneiras, eventualmente chegando em uma combinação de um arpejo cintilante, uma levada mais bruta e uma guitarra que mudava de sinal automaticamente. Enquanto isso, Bono cantava as palavras com o máximo do seu alcance vocal, trazendo as qualidades contemplativas do gospel sem parecer uma imitação. Co-produtores Lanois e Brian Eno, assim como o Edge, fizeram o backing vocal usando uma mesa multipista para fortalecer o som.

“Eu sempre gostei de música gospel e encorajei Bono a buscar alcançar esse estilo,” Lanois se lembra. “Ele está cantando com todo seu alcance vocal e há algo bastante convincente em alguém se esforçando ao máximo. É quase como escutar Aretha Franklin. Vem sobre você e é impossível não sentir.”

De fato, os fãs foram atraídos pela canção, que – como o segundo single do Joshua Tree – se tornou o segundo single da banda a alcançar o primeiro lugar nos EUA, quando lançado em março de 1987. Apesar de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” ter se tornado uma popular e importante canção para o U2, ela também se tornou notável por ter direcionado a banda durante as sessões de "The Joshua Tree".

“Eu estava buscando entender o que era tradicional e tentava mudar um pouco,” Bono admitiu. “Essa é a ideia de ‘I Still Haven’t Found What I’m Looking For’.” E se tornou a ideia do álbum como um todo. Até pessoas que visitavam as sessões esporadicamente ouviam uma performance rápida de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” como um gosto do que a banda estava tentando criar para seu novo álbum. A canção se tornou o alicerce do processo criativo da banda enquanto os garotos Irlandeses tentavam misturar a política contemporânea, a música de raiz Americana, uma espiritualidade que era sentida fortemente e uma visão cinemática do mundo no caminho da produção do seu próximo LP.

Fonte: diffuser.fm

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