A história por trás da gravação de “Running to Stand Still”
A história por trás da gravação de “Running to Stand Still”
A história por trás da gravação de “Running to Stand Still”
30 de março de 2017
Thiago Dos Santos

A abordagem na composição de “Running to Stand Still” foi ao mesmo tempo particularmente meticulosa e despreparada. A atraente complexidade que torna a história de um casal viciado em heroína vivendo em um abandonado complexo de 7 prédios em Dublin em uma das melhores canções escondidas em The Joshua Tree.

Desesperados e doentes em meio a epidemia de drogas dos anos 80, eles contemplam deixar Ballymun Flats – o complexo que serviu como uma das imagens centrais da canção – em busca de uma última compra de drogas. (“Eu vejo sete torres, ” Bono canta, “mas só vejo uma saída.”)

Essa imagem extrema e cuidadosamente construída é associada ao improvisado acompanhamento musical que vem do murmurante piano do Edge e da guitarra sofrida do coprodutor Daniel Lanois.

“Tem essa coisa, se você está realmente desesperado em Dublin, você pode arriscar tudo em uma ‘corrida’”, Bono disse a Rolling Stone em 1987. “Se você tem um vício muito ruim, você pode ir para Amsterdã ou para o Paquistão ou qualquer outro lugar e arriscar traficar em uma bolsa grande. Ou você acaba com sua vida de vez ou fica rico rápido.”

Essa situação aparentemente desesperadora é retratada pela falha do plano que visava revitalizar a região em que estava Ballymun Flats. Criado para prover moradia para os habitantes mais pobres que eram expulsos do centro, o conjunto habitacional dos anos 60 acabou se tornando em um local de alienação, e posteriormente imoralidade e criminalidade. Bono que viveu quando criança em um bairro mais abastado em Cedarwood Road adjacente a Ballymun Flats, o descreveu como uma “tentativa da Irlanda em direção a modernidade da vida em arranha-céus” no livro U2 by U2 que foi lançado em 2006. “Justo quando todos na Europa tinham descoberto que torres de blocos não eram uma boa ideia, começamos a construí-los, ” ele continuou. “Costumávamos subir e descer nos elevadores, pois não estávamos acostumados a tê-los. Então eles começaram a quebrar, e as escadas começaram a ter cheiro de urina."

A canção que veio disso, em sua forma livre, quase hipnotizante e surpreendentemente sombria, apontava diretamente para a por muitas vezes ignorada influência do Velvet Underground no U2. Bono mais tarde reconheceu que “Running to Stand Still” foi “a prova do crime” que todos precisavam. (De sua parte, o falecido Lou Reed já tinha enchido a banda de elogios.)

“É uma das canções na qual as pessoas se juntaram em um pequeno grupo,” Lanois disse a Colm O’Hare em 2007. “Bono tinhas as palavras escritas; essa foi uma boa oportunidade de conseguir algo ao vivo. Eu lembro de em um momento único, eu tocando aquela guitarra sofrida, Larry Mullen Jr. no tom-tom. Tinha uma comunicação maravilhosa ocorrendo naquele local naquele momento. Eu acho que é isso que as pessoas sentem naquela gravação, realmente havia uma presença naquela performance. “

Ao mesmo tempo, a canção continua aberta a interpretações. “Running to Stand Still” também poderia sugerir a batalha com relação a outra adversidade pessoal, ou a busca pela salvação terrena. Você não precisa ter crescido no Norte de Dublin para se conectar com essas dificuldades.

Mas Bono cresceu, e o que ele viu ficou com ele. Na verdade, essa não é a primeira canção do U2 que tratava sobre o espectro do abuso de drogas. O baixista Adam Clayton, que afirma ter sido devastado pelo declínio e morte do roqueiro Irlandês Phil Lynott, supostamente se referiu a “Running to Stand Still” como uma espécie de sequência a “Bad” do álbum de 1984, The Unforgettable Fire.

“É incrível como essas coisas baratas mexeram com Dublin, ” Bono disse a Rolling Stone. “E então alguns dos meus melhores amigos começaram. Tudo ficou meio maluco. Eu escrevi ‘Bad’ sobre isso, e nesse álbum eu escrevi ‘Running to Stand Still. ”’ Ele então menciona a canção, dizendo: “’Eu tomei o veneno, da sua fonte, e eu flutuei fora dali. ’ É quase que o único jeito de sair daqui. ”

Felizmente, o U2 estava entre os sortudos. Hoje, as torres de Ballymun Flats foram demolidas há bastante tempo, mas “Running to Stand Still” continua.

Fonte: diffuser.fm

Notícias relacionadas
SIGA O U2BR NAS REDES SOCIAIS


%