O livro "Sons+Fathers", inspirado por desenhos que Bono havia feito de Robert Hewson, traz celebridades detalhando suas relações com seus pais. Na participação do irlandês, ele diz: "Nós dançamos até sua morte. O clássico ritual de filho contra pai. Suas últimas palavras foram absolutamente apropriadas".
"Eu estava deitado em um colchão no Beaumont Hospital, ao lado de sua cama, após um concerto do U2 em Londres. Meu pai acordou no meio da noite, ansioso e suspirando. Sua doença de Parkinson levara embora um tanto de sua beleza de tenor. Seu suspiro era animado. Chamei a enfermeira. Nós dois nos inclinamos, tentando entender o que ele dizia. Através de uma voz rouca, de repente ouviu-se, alto e claro: 'Caiam fora! Eu quero ir para casa. Eu preciso ir para casa!'. E assim ele fez. Estou ansioso para encontrá-lo lá..."
Durante sua reflexão sobre os últimos momentos do pai, Bono creditou-o por ter-lhe sido fonte de criatividade:
"Meu pai passara seus últimos cinco anos conservando energia para sua próxima aventura... Dormia bastante, enquanto a graça dos anjos, também conhecidos como 'equipe de enfermagem', fizeram o incompreensível se tornar suportável.
Eu precisava ficar desenhando enquanto ele dormia, para tentar permanecer acordado. Nisso, eu refletia sobre tal homem especial e talentoso que tivera sido o meu pai. Toda minha criatividade vem dele.
Ele lia Shakespeare, ele pintava, cantava, dançava. E quando ele não estava discutindo com homens, estava fazendo com que mulheres rissem."

Bono também refletira sobre quão tensa havia se tornado a relação dos dois após a morte de Iris.
"Quando ela se foi, por causa de um coágulo de sangue, que se transformara em uma espécie de interruptor em sua cabeça, 10 Cedarwood Road não era mais um lar.
A casa era composta por três homens: meu irmão Norman (Nobby), eu e meu pai. Este, tornara-se uma indesejada figura autoritária – um sargento ordenando eu e Norman a fazer tarefas que minha mãe costumava executar."

"Meu irmão comprendia e obedecia. Eu não. Não tinha conhecimento que meus hormônios adolescentes me fariam ser um pequeno m**** que iria se pôr contra este grande homem."

Robert, ou Bob, como é conhecido, fora um católico devoto, enquanto que a esposa havia crescido com pais protestantes.
Bono disse que o olhar de seu pai sobre religião lhe ensinara uma das mais importantes lições de sua vida:
"Manhãs de natal sempre eram o assunto do ano. Religião. Eu não entendia que ele estava me ensinando uma grande lição: questionar tudo."
"Exceto por sua autoridade, ele encorajava-nos a questionar qualquer outro tipo de autoridade."
"Ele dizia que Deus e religião eram dois conceitos diferentes; um te afastava do outro."
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