As 10 melhores performances de iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour, leg 2 | U2 Brasil
12 de dezembro de 2015 · iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour · Listas · Notícias
As 10 melhores performances de iNNOCENCE + eXPERIENCE Tour, leg 2
Postado por VictorRuyz

10 – Sweetest Thing

A lista não vai começar com uma performance musical sensacional onde tudo saiu como planejado. Um pouco pelo contrário.

O piano que surge de dentro do palco desta vez não emergiu. A banda prossegue com a música. Bono fica de costas para o piano. Conforme a música segue, Bono vira e percebe que o sistema que controla o instrumento travou mesmo, e também nota o teclado improvisado que o assistente de palco prepara. Dá risada. O verso que canta no momento é “I’m losing you”. Com gestos, brinca e dedica a frase para o tal piano. Mas aí, aparentemente, tudo se resolve, e o sistema funciona e o instrumento enfim emerge. Bono se prepara e, na sua vez, entra com as notas. Mas não sai som nenhum. Ele olha para os lados, sem jeito. Levanta sorrateiro e vai até o teclado montado pelo assistente. Finalmente funciona… e a banda estende a canção até tudo se encaixar.

Tal fato mostra como a banda sorri com os pequenos erros que acontecem. Como uma família deve ser. Esse é o U2. Por isso estão juntos há tanto tempo. Agora experientes. Consagrados. Tranquilos. Ainda unidos.

Na fase “iNNOCENCE” da vida (e carreira), Bono já arremessou o kit de bateria em Larry. Era 1980. Durante uma apresentação, o garoto Bono se frustrou com uma aparente falha de Larry (que na verdade estava tentando arrumar a bateria que estava escorregando), e isso foi o suficiente para desencadear uma confusão. Terminou que The Edge esmurrou Bono. Eram adolescentes. Faz parte. Família também briga.

Família amadurece e percebe que erros tão pequenos não são nada além de insignificantes. O U2 é isso; não é só uma banda. Essa é uma diferença fundamental do U2 para com outros grupos.

E é até bom que esses pequenos erros ocorram, pois assim podemos ver que, por incrível que pareça, o quarteto é formado por humanos.

09 – Gloria

Além de estar melhor que na leg anterior, continuou trazendo um diferencial para o costumeiro setlist (que frequentemente apresenta The Eletric Co. ou Out of Control). Poderia ficar como fixa nas apresentações.

A banda consegue passar bem toda a agitação que marcou seus anos anteriores.

Em especial, em uma noite em Barcelona, The Edge abusou com a guitarra, a classe de Adam Clayton fica bem evidente e temos a consistência de sempre de Larry. O momento em que Bono apresenta a banda traz uma enorme nostalgia.

No fim ainda tem um pequeno snippet de “Gloria” de Van Morrison.

08 – Beautiful Day

“Baby, baby, baby…”

Talvez uma das unanimidades entre os fãs, “Beautiful Day” continua intocável nos setlists. E sempre está em sua melhor forma.

Quando Bono resolver colocar um vestígio de “Ultraviolet (Light My Way)” no fim da canção, se torna um momento mais mágico ainda.

Será um pequeno sinal de que a banda possa vir a tocar a faixa 10 de Achtung Baby em algum show? Só resta esperar pelas surpresas a vir ano que vem…

07 – Zoo Station

E por falar em Achtung Baby, quem deu as caras foi “Zoo Station”. Por enquanto, apenas o público presente no show do dia 24 de Setembro, em Berlim, pôde aproveitar da música – cuja execução, de tão boa, contraria a ideia de ter sido debut na tour. Sem contar que foi uma sequência arrebatadora da era Zoo TV: “Even Better That The Real Thing”, “Zoo Station” e “Mysterious Ways”.

A passagem da banda pela Alemanha começou com essa belíssima surpresa e deixou um gostinho de “quero mais”.

06 – Raised By Wolves

Stronger Than Fear” se tornou lema nos últimos shows da turnê, depois dos eventos fatídicos que ocorreram em Novembro, mas muito antes disso a música já vinha sendo destaque durante a turnê. Nessa segunda leg de shows, a performance se fez ainda mais consistente que pela passagem pela América do Norte, e merece figurar em nossa lista.

“Raised By Wolves” é parte fundamental da temática de iNNOCENCE + eXPERIENCE, e a apresentação feraz da banda mostra os garotos de Dublin prestes a perder a inocência e, por necessidade, tornarem-se maduros.

“I don’t believe anymore… Raised By wolves”, é o refrão que pode ser interpretado da seguinte forma:  “Não acredito mais no que acreditava outrora, percebo ter vivido entre lobos. Se abro os olhos, você, inocência, desaparece.” O coração que se quebra em “Cedarwood Road” traz também a compreensão da crueldade do mundo. É assim que “Raised” começa.

A música pode ilustrar muito bem tamanha crueldade, que infelizmente cada dia se mostra mais verdadeira, porém, apesar de haver lobos, é possível enfrentá-los. Não com a mesma moeda, mas com flores (fato que será comentado mais adiante).

05 – October

Nos últimos atos da primeira leg, October estava no top 3 dos álbuns com menos canções tocadas na turnê.  Eis a surpresa, e tocam a canção homônima em New York. Parece ter sido um teste. Começa então a segunda leg e a banda surpreende mais ainda e de cara coloca a canção “October” como parte fixa do roteiro do setlist. Talvez o teste feito em Julho serviu para verem que ela soaria melhor após “Every Breaking Wave” (e não antes, como feito duas vezes na América do Norte).

“Reinos se levantam, e reinos tombam, mas você segue em frente” e, como complemento a isso, as imagens de Gabriel Chaim, fotógrafo brasileiro, aparecem no telão.

Novamente a mensagem que o U2 carrega representa o mundo em seu estado mais visceral. Enquanto se segue em frente, em um estado de calmaria, surgem balas riscando o azul do céu…

04 – Bullet The Blue Sky

E novamente o U2 traz a tormenta para os palcos, e em Dublin, mais intenso do que nunca, Bono manteve o fim de “October”, loucamente, até mesmo depois de “Bullet” começar.

“Bullet The Blue Sky” consegue ter uma performance melhor que na primeira leg (a canção também apareceu em nossa lista anterior). Dessa vez Bono utilizou, durante todos os shows, um acréscimo aderido no final da leg anterior: o megafone. Não somente um item, mas um símbolo que trouxe algo a mais para uma música presente em todas as turnês (exceto na 360°) da banda, e que sempre se renova.

O sarcasmo do vocalista, com a referência à “Ode To Joy”, foi um detalhe genial usado durante toda essa leg europeia.

03 – Zooropa + Where The Streets Have No Name

“E eu corro para os teus braços. Não sou perigoso. Eu estou em perigo. Sem bússola. Sem direção.”

Palavras ditas por Bono para representar toda sua movimentação social quanto aos refugiados e o conflito destes na Europa.

“O que você quer?”, pergunta Bono, com versos da canção de quase duas décadas atrás, mas que se mostra tão atual. “Um lar, algum lugar seguro”, ele mesmo responde.

Assim como “Bullet The Blue Sky”, em Dublin a performance arrepiou mais que de costume, e a rendição de Bono foi especial: “Eu estou em casa! E nós sabemos que não nos tornaremos monstros para enfrentarmos monstros, pois nós acreditamos no amor.”

02 – Mother & Child Reunion + Bad + 40

“Mother and Child Reunion” apareceu também na lista das melhores da leg 1, mas era tocada pela banda antes de “Where The Streets Have no Name”. Para a leg 2, a banda fez suas modificações no setlist, mas não abriu mão de cantar trechos da canção de Paul Simon.

Em Amsterdam a banda junto versos dela com “Bad”, e emendou esta com “40”, para assim encerrar o show. Simplesmente um deleite para os fãs.

E assim como fora feito, por exemplo, no fim dos salmos biblícos no DVD da Vertigo Tour, Bono pega um refletor e ilumina os fãs ao redor de toda a arena. É dessa forma que ele caminha pela passarela até o palco E. De lá ele espera pelo restante dos membros da banda, iluminando-os. Somente quando estão juntos, saem do palco.

01 – People Have The Power

E a resposta do U2 ao terror é o amor, a fraternidade, e a união.

Em um ato simbólico, a banda convidou os Eagles Of Death Metal para encerrar o último show da noite.

Não bastasse o magnitude desse ato, repetiram um gesto do The Police para com eles durante a The Conspiracy of Hope tour – em que a banda consagrada permitiu que o U2 usasse seus instrumentos para encerrar o show da noite -, e deixariam ainda a banda convidada tocar uma música sozinhos.

E o U2 fez questão de dar a resposta final perante o mundo todo (o show foi transmitido pela HBO).  E esta, se fez, também na questão musical, de forma excelente. Os dois grupos estavam mostrando uma animação contagiante – o êxtase após tempos turbulentos; a saudação à vida. Se tornou o melhor dueto feito nessa turnê até então.

Simplesmente a maior banda do mundo cedendo espaço para seu último show do ano terminar com outra banda no palco.

O terrorismo se baseia em pessoas sendo aterrorizadas e nós não vamos ser. Nós sentimos que a maior e real contribuição que podemos dar em um momento como esse é homenagear o povo de Paris, que nos trouxe o conceito de liberté, égalité, fraternité (liberdade, igualdade, fraternidade).”
– Bono.


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