Adam Clayton

 

Adam Clayton
ADAM CHARLES CLAYTON
CHINNOR (OXFORDSHIRE), INGLATERRA
13 DE MARÇO DE 1960
BAIXO

“Eu posso me olhar no espelho. Vejo alguém incrivelmente sortudo, que tem adiante, muito mais do que aquilo já vivido, e sou muito grato. Eu não posso acreditar quão boa minha vida é. Eu não esperava por isso.” – Adam Clayton.

Adam talvez seja o membro mais afetuoso da banda. Seja por suas declarações em que diz ter feito a melhor escolha da vida ao ter entrado para o U2, ou seja por alguns gestos, como ter-se colocado à frente de Bono, enquanto tocavam “Pride (In The Name Of Love)”, durante um show em 1987, para proteger o amigo de uma ameaça de morte. “Haviam dito que caso tocássemos essa música, teríamos problemas. Quando ela estava terminando, me dei conta que Adam permanecera na minha frente, do começo dela, até o fim”, declarou Bono.

“Nós temos fãs maravilhosos. Eles nos seguem independentemente das mudanças pelas quais passamos, e de muitos modos eles nos encorajam a continuar tendo uma música que nos estimule. Mas a melhor coisa é que eu posso me divertir com três amigos e músicos. E caso eu tenha dificuldade em algo, seja lá o que for, tenho três caras que estarão dispostos a me ajudar. Isso é uma coisa ótima.” – Adam, 2002.

Conhecido por ter uma vida pessoal mais agitada que a dos outros membros do U2 – Adam viria a quase ser preso por posse de drogas, enfrentaria problemas com álcool e, durante a Zoo Tv, perderia um show -, Adam também é o responsável por respostas calculadas e atenciosas, durante entrevistas.

“Adam é o jazzman. A consciência do grupo… Já enfrentou muitos demônios, mas agora ele está encarando a vida com novos olhos.” – Bono.

Nascimento, infância e adolescência

Adam Charles Clayton, filho mais velho de Brian e Jo Clayton, nasceu no dia 13 de março de 1960, em Oxfordshire – Inglaterra. Devido ao trabalho de piloto do pai, iria para a África – Quênia, na capital Nairóbi – com a família, e voltaria de lá aos cinco anos de idade, para morar na Irlanda – onde sua irmã Sarah e seu irmão Sebastian iriam nascer.

Adam primeiramente fora mandado para Castle Park, uma escola particular localizada em Dalkey, aos 8 anos. Não sendo de um estilo desportista, Adam sentia-se infeliz em seu novo ambiente, e encontraria consolo na Gramophone Society, onde havia encontros duas vezes por semana, com a finalidade de ouvir música clássica. Esta exposição ao mundo musical encorajou-o a tentar aulas de piano, mas estas logo foram abandonadas devido a sua falta de coordenação – e um crescente interesse na guitarra.

Ao entrar na adolescência, Adam foi estudar em St. Columba’s College, uma escola pública localizada em Whitechurch, onde se tornou amigo de John Leslie, que sabia tocar guitarra e tinha uma variada coleção de fitas cassetes musicais, que lhes despertariam interesse. Após descobrir que Eric Clapton não havia começado a tocar guitarra até completar 15 anos, Adam comprou seu primeiro instrumento de seis cordas, uma acústica, usada, por 5 euros, e começou a ter algumas aulas. Adam mudaria para o baixo após ter decidido montar uma banda com John; depois de prometer que não desistia do investimento, seus pais lhe comprariam um Ibanez de cor marrom escuro. Sempre um personagem rebelde, Adam não tinha interesse em lições escolares e, no ano seguinte, seria expulso de St. Columba’s devido a suas baixas notas. Iria então para Mount Temple, ao norte de Dublin – após passar um mês viajando entre Paquistão e Cabul.

“Na verdade eu era bem tímido na escola. Meu mecanismo de defesa era ser o palhaço da turma. Eu me lembro de ter bastante problema por ser disruptivo, e de ser colocado diante um professor que disse: ‘O que vai acontecer com você? O que você fará quando crescer?’, ‘Bem, obviamente eu serei um comediante’, respondi.”

Sua entrada na banda se deu mais por causa de seu estilo – e pelo fato de ter um instrumento próprio – do que por outra coisa.

“Adam foi uma outra razão para minha guitarra ter se desenvolvido da maneira que fez. Ele era um baixista heterodoxo, então Larry e eu, na intenção de fazer tudo dar certo, desenvolvemos nossos estilos para acomodar o que Adam fazia. De certo modo, Larry e eu éramos como a base do ritmo e a forte linha de baixo de Adam era quase que a linha principal.” – Edge, para a revista Bass Player.

Quando questionado pela mesma revista sobre ter sido, no fim dos anos 70, um músico líder da banda, Adam respondeu:

“Talvez, mas isso somente porque o punk rock estava explodindo, então não importava muito se você sabia tocar – o importante era ter algum equipamento. Eu tinha me decidido que seria um músico, então consegui uma Ibanez modelo Gibson EB-3 e um equipamento Marshall, e acho que eles foram ingredientes cruciais para fazer os outros acharem que eu sabia um pouco de música. Eu sabia uma ou duas coisas sobre meu equipamento, mas definitivamente não sabia nada em relação a tocar.”

No começo de tudo, Adam foi uma espécie de primeiro empresário do U2 – ainda como Feedback. Fazia contato com rádios locais, enviava fitas demos, agendava shows e até mesmo criava mensagens se passando por fãs da banda, para tentar fazer com que ela ganhasse fama. Sua primeira banda havia sido a Max Quad Band, da qual foi expulso por não saber tocar. Quando se juntou aos garotos do Feedback, era o único a já ter tido experiência anterior nalguma banda. Apesar disso, conforme Bono, Adam ainda não tinha habilidade, e tal fato foi responsável por ele ter criado alguns riffs fora do comum, que acabariam sendo a base de algumas músicas do começo de carreira da banda – o vocalista também já creditou Adam por ter sido a força que fez o U2 sair do chão e que sua dedicação e determinação pelo sucesso os estimulou a consegui-lo.

“Adam estava trazendo bastante brio para o processo e estava começando a produzir um material realmente bom no baixo, apesar de ser um excêntrico baixista. Ele podia, de fato, tocar coisas complicadas de um modo fácil ao mesmo tempo em que era incapaz de acompanhar algumas batidas, e você apenas ficava coçando a cabeça ao ver isso.” – Bono.

“Adam parecia saber exatamente o que estava fazendo”, disse Paul McGuinness, em uma declaração sobre como foi após ver o U2 tocar pela primeira vez. “Eu não olhava para ele de um ponto de vista musical – mas concluí que ele tinha a postura adequada”, concluiu.

Alcoolismo

Hoje, Adam já não enfrenta os problemas com álcool e droga nos quais esteve envolvido durante boa parte da carreira, mas tais vícios já causaram alguns problemas para o baixista. Em Agosto de 1989, Adam ganhou as manchetes depois que dois policiais à paisana flagraram-o em posse de uma pequena quantidade de maconha, em Dublin. A lei irlandesa lhe aplicou a pena de “Probation of Offenders Act”, que permite ao acusado fazer contribuições, evitando condenações piores. Adam contribuiu com 25.000 libras ao Women’s Aid Refuge Centre (“Centro de Ajuda para Mulheres Refugiadas”). Em 1993, sem condições de tocar, após uma sessão de embriaguez, ele perdeu um show em Sydney. Na ocasião, seu roadie, Stuart Morgan, o substituiu, mas o incidente causou atrito para os outros membros da banda. “Pensamos que isso seria o fim”, disse Bono. “Não queríamos continuar em frente se algum de nós estava tão infeliz consigo mesmo”.

Felizmente, isso serviu como algo para fazê-lo acordar e perceber que ele precisava tomar controle de si próprio. Ele entrou nos eixos desde então, muito por ajuda de Larry, com quem passou um ano em Nova Iorque, onde trabalhavam no tema de Missão Impossível. Antes das gravações de “Pop”, Adam resolveu aprimorar suas técnicas com o baixo, fazendo algumas aulas do instrumento. “Ser professor de Adam Clayton foi um dos pontos altos de minha carreira… Ele é absolutamente fantástico”, disse Patrick Pfeiffer, que foi o responsável por tais aulas, entre 1994 e 1995.

Clayton disse para a Montreal Gazette, em 2001, que sua decisão de largar as bebidas o trouxera de volta para a terra, “deixou-me muito mais focado, muito mais… útil”.

“Sinto que há muito mais para alcançar. Nos primeiros 20 anos eu funcionava na base de instinto e atitude. Agora, sei o que estou fazendo e posso usar essas habilidades de diferentes modos. Agora tudo se trata de sofisticação e compreensão.” – Adam.

No início do U2, Adam sentia que não se encaixava totalmente à banda, por não compactuar das crenças dos outros três membros. Mesmo mantendo-se assim durante os anos seguintes, e por vezes tendo problemas para suportar como a espiritualidade é tratada, durante os shows de Elevation, ele concordou com a frase “Deus está presente”, que Bono usara certa vez para descrever a turnê em questão. “Eu não sei bem o que é isso… mas definitivamente sei quando isso está lá. Não é algo que aconteça toda noite, mas em alguns shows um senso de comunidade e companheirismo se faz presente. E as pessoas dizem que o que se sente é algo espiritual”, disse Adam.

Vida pessoal

Adam tem uma vasta história com relacionamentos amorosos. Ele já foi noivo da famosa modelo Naomi Campbell, em 1994, mas viriam a romper a relação, logo após o incidente em Sydney, no ano de 1997. Em 2006, noivou com Susie Smith – assistente pessoal de Paul McGuinness -, com quem namorava há 10 anos, e um ano depois se separaram. Em 2010, Adam teve um filho, com uma francesa com quem se relacionou por algum tempo. Ele chegou a dizer sentir-se “deliciosamente feliz” por ser pai. Três anos depois, Adam se casaria com a brasileira Mariana Carvalho, em uma cerimônia particular, em Dublin. A cerimônia foi feita para poucas pessoas – tanto que nem Bono nem Larry estavam lá. Outros 150 convidados apareceriam para participar da recepção posterior.

Prêmios

O jazzman do U2 já foi duas vezes premiado como Melhor Baixista – em 2001 e 2002 – pela Orville H. Gibson Guitar Award. Recentemente, a Fender lançou uma linha de baixos, em parceria com Adam.

“A longevidade do U2 é, primordialmente, baseada na amizade de quatro homens que cresceram juntos. Quatro homens que respeitam, apoiam e amam, uns aos outros. Não deixaríamos que nenhum de nós caísse.” – Adam Clayton, 2009.