Larry Mullen Jr.

 

Larry Mullen Jr.
LAURENCE JOSEPH MULLEN JR.
DUBLIN, IRLANDA
31 DE OUTUBRO DE 1961
BATERIA E PERCUSSÃO

Lawrence Joseph Mullen é o mais jovem do U2. Entrou na banda com apenas 14 anos. Sempre foi o homem quieto do U2, preferindo deixar os outros membros da banda sob os holofotes. Ele também é o mais sério, crítico e “sangue-frio” da banda; e também aquele que está pronto para colocar um freio em alguns dos planos mirabolantes e caros que Bono, em particular, possa ter. Seu estilo de tocar bateria tem muita influência dos tempos em que foi um membro dos Artane Boys’ Band, nos anos 70 – banda militar que, em 1998, aparece no clipe de “The Sweetest Thing”.

Nascimento, infância e adolescência

Nasceu e cresceu em Artane, localizada no norte de Dublin, na Rua 60 Rosemount Avenue. É filho de Maureen e Larry Mullen. Teve duas irmãs, Cecelia e Mary – Mary viria a morrer em 1973. A carreira musical de Larry teve início quando ele começou a ter aulas de piano, aos oito anos de idade. Ele, não gostando da ideia de ter que aprender escalas e teoria musical, largou o piano e foi para a bateria, em 1971 – seu primeiro set do instrumento lhe seria dado pela irmã mais velha, Cecelia, dois anos depois. Começou tendo aula com o professor mais famoso da Irlanda, Joe Bonnie. Bonnie morrera um ano depois, e sua filha, Monica, continuou dando aula para Larry. Apesar disso, Larry diz que seu estilo de tocar bateria é algo que não pode ser ensinado, e que seu espírito e instinto são as bases de sua técnica. Larry retornaria ao piano para tocar “Yahweh”, durante a turnê Vertigo.

Mullen frequentou várias escolas, incluindo Scoil Colmcille School of Music, Chatham Row e, por último, Mount Temple – onde, no fim de 1976, ele publicaria um anúncio atrás de uma banda. No dia 25 de setembro daquele ano, os membros do U2 se encontrariam pela primeira vez; mas antes disso, tocou bateria para Post Office Workers Union Band, e fizera parte, por três semanas, dos Artane Boys Band. Seus primeiros shows incluíram um desfile para o Dia de São Patrício, em O’Connell Street, um show em um coreto na St. Stephen’s Green, e outro em um píer, em Dun Laoghaire. Ele seria expulso dessa banda por se recusar a cortar o cabelo.

Cinco anos depois de perder a irmã, perderia a mãe em um acidente de estrada (Novembro de 1978). Larry diz no livro “U2 by U2” que “alguns eventos definiram o tipo de pessoa que eu me tornei. A morte da minha mãe certamente me jogou na direção da banda”.

Em 1978, enquanto a banda ainda tentava um contrato para gravação de um disco, Larry e a irmã Cecelia trabalharam na Seiscom Delta – filial americana relacionada à exportação de petróleo -, no departamento de compras. Ele ficou por lá durante um ano. Se tivesse permanecido no emprego, sua carreira teria sido a de programador de computadores para o departamento de geologia do grupo Seiscom. Ao menos essa era a perspectiva que tinha.

No começo do U2, Larry perdia alguns shows e sessões de fotos devido ao trabalho. Para as sessões de fotos nas quais não podia comparecer, o amigo da banda, Derek “Guggi” Rowen, o substituía, devido à pequena semelhança entre os dois. Já para os shows, Larry arranjou um stand-in chamado Eugene, de uma banda de rock do norte de Dublin, chamada Stryder.

Bono disse, em “U2 by U2”, que teve um período em que ele e os outros dois membros quase tiraram Larry do grupo porque não estavam convictos sobre a seriedade que ele tinha quanto à banda. Ironicamente, durante a primeira sessão de gravação que fizeram em um estúdio, um executivo da gravadora CBS sugeriu que Larry precisava ser demitido – só assim toparia gravar o disco -, devido à falta de comprometimento, e de ritmo, que apresentava. Bono, The Edge e Adam, refutaram essa ideia, de prontidão.

Também durante os primeiros dias, Bono falara com Larry sobre um grupo de comunhão baseado no cristianismo local. Antes disso, Larry crescera com uma formação católica tradicional, até mesmo servindo como coroinha na igreja; sua mãe sonhava em vê-lo se tornar um padre. “Ela se decepcionaria se soubesse que, ao invés de viver no clérigo, eu me tornara um astro mundial do rock”, ele diz. Larry, Bono e Edge participaram dos estudos bíblicos com alguns de seus amigos do Lypton Village e fizeram amizade com os membros do grupo Shalom Christian. Alguns anos depois, quando os três foram aconselhados de que deveriam largar o rock, eles optaram por deixar de fazer parte de tal grupo.

Vida pessoal

Ele namora com Ann Acheson desde a infância. Eles se conheceram durante o primeiro ano de Larry em Mount Temple. Juntos, eles têm dois filhos e uma filha: Aaron Elvis (1995), Ava (1998) e Ezra (2001).

Curiosidades     

Conhecido por seu amor por motocicletas Harley Davidson, ele ia com sua Harley de show para show – marcando mais de 10.000 milhas – durante a turnê Zoo TV. Dentre suas características pessoais, ele também é conhecido por seu fanatismo por Elvis Presley – Aaron Elvis é o maior exemplo disso – e por tirar sarro de situações e membros da banda. Outros hobbies de Larry incluem praticar karatê e acompanhar a Seleção Irlandesa de Futebol – para a qual ele colaborou na composição e produção da canção “Put’Em Under Pressure”, tocada durante a Copa do Mundo de 1990; também colaborou e participou de vários projetos paralelos, com artistas como Nanci Griffith, Daniel Lanois, Emmylou Harris, Robbie Robertson, Paul Brady e BB King.

“Não importa as canções que toquemos. Eu sou um baterista. As garotas me querem.”

“Se o Bono deixasse a banda, conseguiríamos ir adiante. Se eu saísse, estaríamos f******.”

Ele também adora labradores, tanto que agradece a seus dois cães (JJ e Missy) no encarte de alguns álbuns – como, por exemplo, em “Zooropa”.

Larry raramente fala sobre sua vida pessoal, e tem sido relativamente bem sucedido em manter questões familiares longe da mídia.

Durante a carreira, Larry também passou por alguns problemas de saúde. Já sofreu de tendinite; como meio de amenizar a inflamação e as dores, passou a usar baquetas que a ProMark criou especialmente para ele. Um outro problema de saúde pelo qual também passou, acabou influenciando, de certa maneira, a direção tomada pela banda, na época: um pouco antes de começarem a gravação do álbum “Pop”, Larry precisou passar por uma cirurgia, devido a antigos problemas na coluna. Quando voltou aos estúdios, encontrou a banda usando, de modo excessivo, uma bateria eletrônica para acompanhar as canções. O mais entusiasmado com essa experiência era The Edge, que começou a ter muito interesse em música dance. Larry, ainda estando em recuperação e não podendo fazer muito esforço, acabou concordando e permitindo que seguissem por esse caminho.

A revista Stylus Magazine o colocou na posição de número 21, na lista dos 50 melhores bateristas de rock.

Ocasionalmente ele toca teclado nos shows e, raramente, canta durante as performances: ele participou como backing vocal em canções como “Numb”, “Get On Your Boots”, “Moment Of Surrender”, “Elevation”, “Love and Peace or Else”, “Unknown Caller”, “Zoo Station” e “Miracle Drug”. Durante a turnê Zoo TV, algumas vezes ele assumia os vocais para fazer um cover da música “Dirty Old Town”.

Em 2011, ao lado de Donald Sutherland, protagonizou o filme “Man on the Train”. Não seria sua primeira vez em frente às câmeras, já que atuou com Samantha Morton no clipe de “Eletrical Storm”, sob a direção de Anton Corbjin (que anos mais tarde, em parceria com a banda, viria a dirigir o longa-metragem “Linear”).

Símbolo de uma banda

Nada mais simbólico do que o homem responsável pela criação do U2, ser o último a sair do palco, ao término dos shows. E esse é o ritual mantido pela banda – quase que na maioria das vezes – nas vezes em que usam a música “40” para fechar o setlist.