1987: The Joshua Tree
1987: The Joshua Tree
28 de agosto de 2015
1987: The Joshua Tree
Marina
Newsposter e colunista do U2 Brasil

No mês de março deste ano de 1987, acontece o lançamento de um dos mais importantes álbuns do U2 – The Joshua Tree – um verdadeiro divisor de águas na carreira da banda, que abandona o viés de experimentação dos álbuns anteriores e passa, claramente, a adotar um estilo próprio e bem definido. O álbum é inspirado especialmente na cena norte-americana da época, com seus conflitos de amor e ódio. A banda assume, de maneira definitiva, sua inclinação pelas questões sociais, políticas e espirituais.

A guitarra de The Edge se destaca sobremaneira nas canções desse álbum e, certamente, essa performance rende a ele o posto de um dos guitarristas mais notáveis do nosso tempo. Bono, sem dúvidas, é outro grande destaque do álbum. Além da grande forma vocal, suas composições exploraram o fascínio exercido pelos Estados Unidos na banda – mas também a repulsa criada pela interferência daquela nação em outras, especialmente nos países da América Central, que foram visitadas por Bono no ano anterior.

Bono definiu assim o sentimento contraditório que permeia as canções do álbum:

Eu amo estar lá, eu amo a América, eu amo o sentimento de espaços abertos, eu amo os desertos, eu amo as cadeias montanhosas, eu ainda amo as cidades. Assim, tendo caído no amor com a América ao longo dos anos que nós estivemos lá em turnê, eu tive então que a lidar com a América e do jeito que estava me afetando, porque a América está a produzir tal efeito sobre o mundo no momento. Neste disco eu tinha que lidar com isso no plano político pela primeira vez, de uma maneira sutil".

A capa do álbum mostra, inclusive, como o deserto afetou o ânimo da banda. No ano anterior, a banda manteve contato com várias situações extremas que desertificaram o coração e os sentimentos dos membros da banda. As fotos para o álbum foram feitas por Anton Corbijn, que apresentou à banda a "árvore de Josué" – a figura do deserto que recebe esse nome por lembrar Josué (Joshua) erguendo suas mãos para o céu, rogando ajuda a Deus.

The Joshua Tree foi o quinto álbum lançado pela banda, produzido por Daniel Lanois e Brian Eno e ficou no topo das paradas de sucessos musicais em mais de 20 países, levando a banda a vários recordes, tais como "Disco de Diamante" pela Billboard (EUA) e seis "Discos de Platina" no Reino Unido. Os números de sucesso desse álbum levaram a revista Rolling Stone à época a apontar que o U2 deixava de ser uma banda de heróis, para ser uma banda de superstars.

Ainda em 1987, o álbum The Joshua Tree gerou 5 singles: 'With Or Without You', 'I Still Haven´t Found What I´m Looking For', 'Where The Streets Have No Name', 'Exit' e 'In God´s Country' – as três primeiras, como sabemos, são clássicos obrigatórios nos shows da banda, até hoje.

Mas, embora 1987 tenha sido um ano marcante para a banda pelo lançamento do álbum The Joshua Tree, não foi movimentado apenas por isso. Nesse ano, no mês de março a banda gravou o famoso vídeo no telhado de uma loja no centro de Los Angeles e que gerou o clipe de 'Where The Streets Have No Name'. Outro icônico clipe da banda foi gravado nesse ano: 'I Still Haven´t Found What I´m Looking For', que reúne imagens de Las Vegas, feitas após um show na cidade. Essa mesma canção rendeu outro clipe famoso na trajetória da banda, que é a parceria com o coral gospel 'New Voices Of Freedom', gravado em uma igreja do Harlem (bairro de Nova York).

Em abril, a banda iniciou a 'The Joshua Tree Tour', no Arizona. O deserto – que tanto fascinou a banda e que inspirou o trabalho do ano – afetou sobremaneira a voz de Bono nesse show de abertura. No mês seguinte, a banda se dedicava à leg europeia. Importante notar que a maioria desses shows foram realizados em estádios, inaugurando a era de grandes shows a céu aberto do U2.

O U2 voltou aos Estados Unidos, no final do ano de 1987, para finalizar a tour em andamento e, nesse retorno, três shows da banda, com esse retorno, tornaram-se memoráveis. Um deles, realizado em Denver, no mesmo dia em que o IRA detonou uma bomba que matou 11 pessoas. No dia, a Irlanda comemorava o 'Remembrance Day'. No show, Bono condena e questiona enfaticamente que tipo de revolução o movimento pretendia estabelecer com a violência e a brutalidade dos atos perpetrados. Esse discurso foi proferido durante a execução de 'Sunday Bloody Sunday' e a frase "Fuck The Revolution", eternizou o discurso.

O outro show memorável do ano se realizou em São Francisco, em um concerto improvisado em praça pública, inspirado na quebra da Bolsa de Valores, havida no mês de Outubro daquele mesmo ano. Durante a performance de 'Pride', Bono fez um grafite em um monumento, escrevendo "Rock and Roll Stops The Traffic". Por conta desse gesto, foi emitido um mandado de prisão contra Bono e o mesmo teve que escrever uma carta de desculpas à cidade.

O último dos shows memoráveis do ano foi realizado na Philadelphia, no qual a banda contou com uma presença ilustre no palco. "Alguém poderia tocar minha guitarra?" – Bono perguntou à multidão. "Bruce Springsteen, você poderia tocar minha guitarra?" – e, assim, para delírio da plateia, Bruce subiu ao palco para tocar 'Stand By Me'.

O último grande feito da banda foi uma visita à Graceland, em 29 de novembro. Graceland é a mansão situada em Memphis (Tennensee) que servia de residência a Elvis Presley. As imagens desta visita foram incluídas no documentário 'Rattle and Hum', assim como as imagens do último show da 'The Joshua Tree Tour', realizado em dezembro de 1987 no Arizona, o local da abertura da tour.

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