1990: “We’re one, but not the same”
1990: “We’re one, but not the same”
18 de outubro de 2015
1990: “We’re one, but not the same”
Aleh

1990 marcou a entrada de uma nova era, e, para o U2, a passagem de tempo foi ainda mais relevante. Em 1987 eles se consagraram como a maior banda de rock da atualidade, estampando revistas, enchendo estádios, vendendo milhões de CD’s, e tendo uma experiência do que era a mega fama dos astros de rock. No entanto, apesar de estarem no topo, eles sabiam que, para continuar com sua essência, teriam que sair de onde estavam e, como dito no emblemático show da Lovetown Tour em 31 de dezembro de 1989,    "sonhar tudo novamente".

À época, a imprensa chegou a espalhar boatos de que a banda estava se separando, e que o "fracasso" de Rattle and Hum teria sido a gota d’água. Muitos diziam que Joshua Tree seria o último grande álbum de uma banda que estava fadada ao esquecimento em breve.

Mal tinham ideia do quão errado estavam.

U2 não é apenas uma banda. U2 é uma família. No entanto, como toda família, algumas vezes as coisas saem do lugar.

De repente, a banda tinha perdido o sentido do que era fazer música, fazer shows. Um clima de insatisfação tomava conta de todos os quatro, e, pouco a pouco, eles foram tomando rumos levemente distintos. Bono e Edge passaram a se concentrar em uma trilha sonora para "A Clockwork Orange 2004", uma peça produzida pela Royal Shakespeare Company, Larry fez alguns trabalhos paralelos como tocar bateria no tema oficial da Irlanda para a Copa do Mundo de 1990, Edge voltou a tocar com seu irmão em algumas apresentações... de repente, cada um deles estava em um lugar diferente, com uma cabeça diferente. A ideia de unicidade da banda, estava pouco aflorada para começar mais um trabalho do U2.

Foi apenas em meados de 1990, que o U2 volta aos estúdios para começar as gravações de seu novo álbum. No entanto, as coisas não estavam saindo como planejadas. Eles estavam trabalhando em algumas músicas, mas elas não estavam soando como deveriam soar. Nenhuma das faixas tinha o sentido correto. O fato de dos quatro estarem sempre pensando de forma diferente sobre o novo rumo do U2, também não ajudava. Enquanto Bono e Edge estavam imergindo em novos sons, e tendo um affair com a música eletrônica, Adam e Larry procuravam por um som mais cru, voltando às raízes e sendo mais próximos aos primeiros trabalhos da banda.

Em outubro, a banda vai até a Alemanha para começar a trabalhar no novo álbum, em outros ares.

Era o nascimento do Achtung Baby.

De repente, eles se viram imersos em uma cultura dicotômica. A queda do Muro de Berlim não unificou a Alemanha de um dia para o outro, mas sim, mostrou ao mundo o quão diferente as duas faces de um mesmo país eram. E, de uma forma estranha e quase providencial, a analogia servia também ao U2 da época de 90. Cada um estava em um momento diferente, portanto, como fazer para juntar as vontades contraditórias? A resposta era apenas uma: ou ambas encontravam um jeito de viver em consonância, ou cada uma tomava um rumo diferente. A situação estava tão tensa entre os membros, que, em muitas entrevistas posteriores, eles relataram que foi o mais próximo que ficaram do fim do U2.

Foi apenas no final de 1990 que o “ponto de equilíbrio” do U2 se revelou.

Naquele momento, a banda tinha excertos do que viria a ser Acrobat, Who’s Gonna Ride Your Wild Horses, Even Better Than The Real Thing  e Zoo Station. Mas havia chegado um momento em que Bono, mais do que todos, deveria parar de pensar no que eles poderiam fazer e se focar em melhorar o que eles já haviam feito. Sem isso, eles não poderiam chegar a lugar algum.

Com o apoio de Eno, com alguém dizendo que aquilo poderia dar certo, os ânimos começaram a se acalmar e eles voltaram a trabalhar naquele material que tinham em mãos.

E então, veio One.

Ela começou com alguns acordes de Edge reverberando pela sala, até que a voz de Bono se fez presente: "We’re one, but we’re not the same. We get to carry each other". Larry assumiu uma sequência de bateria, e Adam acompanhou com o baixo. E, de repente, como um milagre, eles estavam em sintonia novamente. Eles eram um.

Com os ânimos mais calmos, voltaram a Dublin e tiveram uma conversa sobre o futuro da banda. Depois de cada um dos quatro assegurar que o U2 iria continuar, era hora de colocar a banda de volta nos trilhos.

Ainda em 1990, U2 lançou o single promocional "Night and Day", e foi nomeado pela Q Magazine como o "Best Act In The World".

Depois de toda a tensão dos últimos anos, U2 começava a ser U2 novamente.

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