1976: “Time of Innocence”
1976: “Time of Innocence”
1976: “Time of Innocence”
01 de fevereiro de 2015
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Vetri
Newsposter e editor de vídeo do U2 Brasil

A partir de agora, você leitor e fã de U2 terá a experiência de sentir tudo o que o U2 passou nesses quase 40 anos de carreira. Sim, 40 longos e mágicos anos que se completarão em setembro do ano que vem. Será um post por ano de carreira. Um a cada 15 dias. Fiquem ligados e não percam esta maravilhosa jornada musical que começa AGORA!

1976: "Time of Innocence"

Não há outra palavra melhor que caracterize o primeiro ano de carreira do U2 do que Inocência. Ainda desconhecidos uns aos outros, os futuros rock stars estavam em trabalho de parto com relação à ideia de banda, mas alguns já estavam familiarizados com a música em si. Durante os primeiros meses de 1976, o que se via era Adam sendo um garoto extremamente rebelde, expulso de escolas, usuário de Haxixe e fã de Bob Marley. Quando seus pais decidem colocá-lo no Mount Temple School, as coisas continuam na mesma. Ele não assiste às aulas, anda pelos corredores vestindo um agasalho do Afeganistão, um óculos espelhado e quando resolve finalmente assistir as aulas, faz questão de ficar bebendo café. Seus únicos companheiros na escola são também usuários de drogas. Adam confessa que essa era a melhor forma de ninguém se meter com ele. Bono, membro de uma gangue chamada “Lypton Village”, estava mais interessado em vadiar pelas ruas de Dublin do que estudar de fato. Larry largou as aulas de piano, trabalhou lavando carros e começou a ter aulas de bateria. Anos antes de formar o U2, Larry foi membro de outras duas bandas. A primeira foi até citada por Bono durante a música “Out of Control” no DVD “U2 Go Home” e se chamava “Artane Boys Band”. Ele durou apenas 3 dias no grupo pois os membros da banda queriam que Larry cortasse sua cabeleira e mesmo ele tendo feito isso, acharam que não estava curto o suficiente para participa de uma banda, então Larry deve ter feito uma de suas inúmeras caras de bravo, xingou e saiu da banda. Logo ele se juntou ao grupo “Post Office Worker’s Union Band”, onde permaneceu por mais tempo, dois anos. Muito longe dali, na comunidade de Skerrie, extremo leste da Irlanda, The Edge assiste a seu primeiro show, da banda Horslips, cujo baixista, Barry Devlin, produziria vídeos do U2 mais tarde.

No dia 25 de Setembro daquele ano, um “abençoado Larry” coloca um anúncio no mural da escola procurando outros caras para formar uma banda. O futuro baterista do U2 deixa claro que gastou muito dinheiro com sua bateria e procura outros que, talvez, tenham feito o mesmo com guitarras. Naquela tarde, ele está em sua casa com sua bateria montada entre a cozinha e a varanda dos fundos quando alguns adolescentes começam a chegar. David Howell Evans, que ainda não havia recebido seu famoso apelido “The Edge”, dado por Bono mais tarde, chega com eu irmão Dick Evans e suas guitarras feitas em casa. Peter Martin, amigo de Larry, aparece e se torna um espectador na verdade. Ele permanece apenas no primeiro dia. Adam Clayton chega com seu baixo “Ibanez EB-3” e parecer ser o que mais sabe tocar seu instrumento dentre todos. O mais jovem de todos era Ivan McCormick, com 13 anos, que possuía o melhor instrumento naquele momento, sua guitarra “Stratocaster”. E então chega Bono...

Larry:

Durante toda aquela tarde eu vi que alguns sabiam tocar. The Edge sabia tocar. Adam parecia ótimo. Cabelo muito grande e espesso, um longo casaco, um baixo e um amplificador. Ele falava sobre como poderia tocar, usando palavras certas como ‘gig (apresentação, show)’. Eu pensei, esse cara deve saber como tocar. Então Bono chegou, e ele queria tocar guitarra, mas como ele não sabia tocar muito bem, começou a cantar. Ele não sabia nem fazer isso também. Mas ele era uma pessoa tão carismática que ele já era da banda de qualquer jeito, assim que ele chegou. Eu estava no comando por cinco minutos, mas quando Bono chegou, eu perdi o cargo.

Aí está a prova do porquê que hoje Bono tem uma presença de palco tão impressionante. Os sete adolescentes começaram a tocar covers como “Satisfaction” e “Brown Sugar” dos Rolling Stones, após discutirem muito sobre o Rock e sobre as visões e gostos de cada um a respeito desse estilo de música. Tocaram também músicas de David Bowie.

Bono diz:

Larry começou a tocar sua bateria – era um som incrível, apenas tocou um dos pratos. Edge tocou um acorde que eu nunca antes tinha ouvido numa guitarra elétrica. Digo, é uma rua aberta. Crianças começam a vir de todas as partes, todas garotas. Elas sabem que Larry mora ali. Elas já estavam gritando, subindo pela porta e descobrimos que ele, Larry, já estava acostumado a isso.

Não foi um começo muito promissor, afinal eram sete adolescentes tocando horrivelmente alguma coisa, um diferente do outro, um tentando impressionar o outro. Mas mesmo assim, os garotos combinaram de se encontrar uma segunda vez. Edge confessa: “Eu me lembro que gostei de todos, o que era a coisa mais importante. Apenas tive uma sensação de que todos ali eram pessoas legais.” E não foi só a cozinha do Larry o único ambiente caseiro de alguma família dos integrantes que eles usaram. Também tocaram na casa da avó do Adam, em Malahide, bem longe da escola e decidiram se chamar “Feedback”. Bono, já membro da banda, começa a namorar sua colega e hoje esposa, Alison Stewart. O grupo ainda consegue uma sala para ensaios dentro da escola Mount Temple, toda quarta-feira à tarde, conseguida por dois de seus professores, que viram o trabalho novato do U2, ou melhor, Feedback, e se interessaram.

No final do ano, os garotos ainda conseguiram seu primeiro show. Um pequeno concerto com músicas cover de vários artistas como os Beach Boys, The Rolling Stones e Peter Frampton, dentro da escola e sem a presença do irmão de Edge, Dick, visto que ele não era aluno do Mount Temple. Os alunos ali presentes como espectadores e alguns já “fãs” presenciaram este momento histórico da vida dos garotos de Dublin e adoraram. Para Bono, Edge e Adam, foi nesse momento que eles descobriram que estar em uma banda de rock era o que eles queriam fazer pelo resto de suas vidas, ao contrário de Larry.

Bono diz:

Quando eu ouvi aquele acorde ‘D’, eu senti um pontapé. Foi como ligar uma motocicleta. E a galera foi ao delírio! Foi um show muito especial, um dos melhores de nossas vidas. Eu vou te dizer, foi como se quatro crianças cegas explodissem e começamos a trabalhar para isto.

A banda ainda fez mais dois shows no mesmo Mount Temple, ainda naquele ano.

E assim termina 1976, o ano da inocência, o primeiro ano da vida do U2, que ainda era Feedback, contava com mais membros do que os atuais, tocavam de péssimo para ruim, mas que conseguiram realizar seus primeiros shows, mesmo que muito simples e curtos. E se você está lendo este post, e consequentemente, lerá todos os outros desta série que se inicia hoje, é porque tudo isso aconteceu. Até o próximo ano, ou melhor, post. Não percam!

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