Especial: Biografia de Ali Hewson – A melhor parte de Bono
Especial: Biografia de Ali Hewson – A melhor parte de Bono
Especial: Biografia de Ali Hewson – A melhor parte de Bono
21 de agosto de 2015
Avatar photo
Victor Ruyz
Colunista do U2 Brasil

"Sempre sinto mais de mim mesmo ao lado dela do que ao lado de qualquer outra pessoa."
Bono.

Alison Stewart é o nome de nascimento daquela que se tornaria Alison Hewson, anos mais tarde. Nascida na Irlanda, em 23 de Março de 1961, foi criada nos subúrbios de Raheny - cidade onde o U2, ainda como The Hype, faria sua terceira apresentação da história, em 1977 - viria a conhecer Paul Hewson na escola Mount Temple, quando ainda eram adolescentes - os dois se casariam em 1982. Formada em Política e Sociologia na University College Dublin, em 1989, Ali exerce um papel ativista mundo a fora, lutando contra o trabalho infantil, pelos Direitos Humanos, e por diversas causas sociais e ecológicas – onde participa de campanhas com o GreenPeace. Junto com Bono e os quatro filhos, Eve, Elijah, Jordan e John, vive em residências que variam entre Irlanda, França, e Estados Unidos. Ela serviu de inspiração para muitas músicas do U2; talvez a evidência maior esteja em "Sweetest Thing", que Bono lhe escreveu como um pedido de desculpas por ter se esquecido da data de aniversário de casamento. Optando por manter-se longe dos holofotes, aquela que tem sido a cara metade de Bono - por mais de três décadas -, leva uma vida um tanto quanto discreta, ao contrário do que se imaginaria de uma esposa de um astro do rock. De modo geral, os amigos dela são os mesmos de Bono e dos outros membros da banda, entre eles: Gavin Friday, Simon Carmody, o diretor Jim Sheridan e o artista visual Guggi. Sua melhor amiga é a parceira de Larry Mullen, Anna Acheson, que também estudara em Mount Temple.

 "Nunca fui interessada em coisas que cintilam e brilham. Sempre fui mais interessada em pessoas".

                               

"Não tenho desejo de ser uma pessoa famosa. Eu vejo o quão difícil isso é; o quão cruel é. Vejo como é estar nesse lugar onde se está exposto e como isso pode ser inexoravelmente cruel para uma pessoa."

Com os pais, Terry e Joy Stewart, e o irmão mais velho, Ian, Ali cresceu em uma família de raízes protestantes. Seu pai era um eletricista que aprendera a profissão por conta própria e, de acordo com ela, constantemente questionava as coisas. Sua mãe era dona de casa. Aos doze anos, em Mount Temple, a garota quieta de Raheny conheceria Paul Hewson - que era de uma série acima da dela.

Ele se encantou imediatamente e tentava de todas as formas conversar com ela; ela mantinha distância. No começo, segundo Ali, considerava-o um "idiota" - apesar de que, secretamente, tinha certo interesse pelo garoto. Ele acabaria sendo seu primeiro namorado. Ela com 15 anos; ele com 16.

Em Setembro de 1974, a mãe de Paul, Iris, falecera, deixando-o emocionalmente abatido e em conflito constante com pai e irmão. Cuidadosa e prática, Ali entrou em cena, e passou a cuidar dele. Limpava suas roupas, lhe fazia comida, e era-lhe a companhia na escola. Dois anos mais tarde, em 1976, Paul conheceria outros três garotos que queriam formar uma banda – o futuro U2 – e viria a receber o apelido de Bono. Nesse meio tempo, Ali e ele começaram a namorar. Ela diz que no começo odiava o som da banda, e demorou pra se acostumar com o estilo deles - havia sido criada por um pai que sempre ouvia Frank Sinatra e Nat King Cole.

"Eu me lembro quando vi Bono pela primeira vez em cima de um palco. Não pude me atentar a outra coisa senão seus olhos. Brilhavam. Estavam eletrizados. Era incrível."

                               

Nos anos 80 ela imaginou que fosse perder Bono para uma supermodelo:
"Com certeza eu pensava isso. Uma vez, nos sentamos e falamos sobre. Eu lhe disse: 'É exatamente isso o que irá acontecer".

Para pesadelo dos pais de Ali, os dois se casariam em 1982 - com Adam Clayton de padrinho. Assim como as roupas que sempre usara, seu vestido de casamento foi feito à mão pela própria mãe.

A banda cada vez crescia mais, então Ali decidiu abandonar seu sonho de ser enfermeira para poder acompanhar e apoiar o marido em seus sonhos.

"Eu teria que viver por quatro anos com as atenções voltadas para a faculdade. Teria sido muito difícil para o relacionamento."

                             

"Ela nunca será usada como um broche. Nós temos uma relação repleta de sentimentos justamente porque ela é sua própria mulher."

—Bono descrevendo seu casamento, em 1987

"Nosso casamento tem dado certo porque gostamos um do outro, conversamos um com o outro, e somos apaixonados pelo que fazemos. E nos permitimos ter objetivos próprios."

Ali começou sua vida no ativismo em meados de 1990, com causas que iam contra a criação de usinas nucleares. Em 1992, faria parte, junto com a GreenPeace, de protestos contra o início do projeto nuclear Sellafield. Após um convite da humanista Adi Roche, em 1993, Ali Hewson foi a narradora do documentário irlandês Black Wind, White Land, que retratava os efeitos posteriores do desastre em Chernobyl, ocorrido em 1986.

Desde 1994, Ali é patrona - e tem sido fundamental - no projeto Chernobyl Children's Project International, entidade que tem como apoio a ONU (Organização das Nações Unidas) e que exerce um papel muito importante na vida das vítimas do pior desastre nuclear do mundo.

Ao lado de Adi Roche, líder do Chernobyl Children’s Project, Ali ganhou um prêmio de honra por seu trabalho com crianças, da National University of Ireland.

No mesmo ano – 2002 -, ela lideraria outra manifestação contra a continuidade dos campos de Sellafield. A campanha resultara em mais de um milhão de cartões postais sendo mandados tanto para o primeiro ministro, Tony Blair, quanto para outros nomes do governo, clamando para que o local fosse fechado.

Tabloides e jornais já sugeriram assiduamente a possibilidade dela tomar um cargo político, ou até se tornar presidente da Irlanda. Nenhuma sugestão virou realidade.

Alguns anos depois, ela se tornou co-fundadora de duas empresas:

EDUN – grife de moda, (2005); NUDE SkinCare (2007).

Ali, Bono e o estilista Rogan Gregory, fundaram a grife global EDUN, com a intenção de promover e estimular um comércio abrangente na África, viabilizando a criação de empregos nos países do continente, ao invés de oferecerem simples atos de caridade - toda a produção é feita no Quênia, e com tecidos de fibras naturais. Todas as estampas são inspiradas nas pinturas do povoado da África do Sul, e no trabalho da fotógrafa holandesa Viviane Sassen. Antes de criarem a marca, Bono e Ali visitavam a região há mais de 20 anos.

Cinquenta por cento da renda arrecadada com a venda das camisetas da linha, é destinada ao orfanato St. Ann, em Gilgil, cidade que fica próximo da fábrica.

Em 2007, Ali uniu forças com Bryan Meehan, o ex-proprietário da mercearia orgânica localizada no Reino Unido, Fresh And Wild, e criaram a NUDE SkinCare - empresa de cosméticos feitos com produtos naturais.

Ali: "Da mesma forma como você alimenta seu corpo, você alimenta sua pele."

O grupo francês LVMH, seria o primeiro grande investidor das duas companhias de Ali Hewson.

Bryan Meehan, que lhe apresentara as primeiras peças da marca Nude, declarou:
"a primeira impressão que tive sobre Ali foi que ela tem os pés no chão – todos dizem isso após conhecê-la. Você pensa em alguém com um estilo de vida 'esposa de astro do rock' e a vida que tal pessoa leva, Ali tem uma personalidade totalmente contrária."

Ali e Bono receberam, em 2007, um prêmio tributo do Conselho de Estilistas de Moda da América, devido ao trabalho humanitário.

Outro prêmio recebido por Ali seria o de Sexiest Celebrity Other Half  ("mais sexy parceira/parceiro de uma pessoa famosa"), em 2008, por votação feita pela entertainment.ie.

Simpatizante da homeopatia, dona de uma alimentação à base de dieta, e frequentadora de sessões de ioga, Ali é tida como bem-educada e tranquila por todos que a conhecem, mas não vê com bons olhos ser questionada sobre sua família e vida pessoal.
"É uma regra bem conhecida com ela que você não pergunta sobre a família. Ela é perfeitamente amigável, mas assim que você começar seguir por esse caminho, as cortinas descem e a entrevista acaba.", declarara um repórter.

Como não poderia deixar de ser, ao longo de mais de três décadas de relacionamento, ela é responsável por algumas composições de Bono, como é o caso de "Sweetest Thing". A canção fora escrita por Bono como um pedido de desculpas por ter se esquecido da data de aniversário de casamento dos dois - estava em sessão de gravação com a banda, para o álbum "The Joshua Tree". Ela inclusive foi convidada a participar do vídeoclipe,  mas só aceitou fazê-lo sob uma condição: todo o lucro em cima do single seria destinado ao projeto das crianças vítimas do desastre em Chernobyl.

Outra dessas canções é "An Cat Dubt", presente no primeiro disco da banda. Durante o começo do namoro, Bono e Ali tiveram um curto período de separação, onde Bono acabou se envolvendo com uma outra garota – por uma noite. Arrependido, escrevera a canção, que apresenta tons obscuros.

Durante apresentações ao vivo, Bono já dedicara "All I Want Is You" para Ali.

E, mais recentemente, em "Songs of Innocence", Bono fala sobre a relação dos dois em "California (There is No End to Love)" e "Song for Someone".

Ali também serviu de inspiração para outra personalidade do mundo da música, a vocalista e compositora da banda The Cranberries, Dolores O’Riordan. A música em questão é "Time Is Ticking Out" e foi escrita após a cantora ver Ali Hewson em uma página de jornal, que tratava a respeito de seu projeto para ajudar as vítimas de Chernobyl.

O biógrafo do U2, Eamon Dunphy, uma vez disse: "A melhor coisa a respeito de Bono, é Ali".

Ela é segura de si mesma e nunca se preocupou com a perda de Bono para com outra mulher. Disse uma vez: "Eu não me sinto ameaçada. Você pode viver sua vida estando com medo de perder alguém e, ao final do dia, se ele vai deixá-lo, ele vai deixar você e é isso."

"Às vezes é difícil. Eu odeio ser chamada de 'a esposa do Bono', e ser identificada apenas assim. Sei que aqueles que me conhecem o suficiente, não me olham dessa forma. Mas sempre terão aqueles que não me enxergam como tendo uma identidade separada."

Por um tempo, achei que eu estava no controle. Eu era o caçador, o protetor. Alguns anos depois ficou claro que era outra pessoa que estava no comando.
Bono.

FONTE:
u2radio
showbiz.ie
wsj
independent.ie
wikipedia
dailymail
chernobyl-international
goss.ie
atu2
ecoera
famousbirthdays
highbeam
sundayworld
imdb

Notícias relacionadas
SIGA O U2BR NAS REDES SOCIAIS