Bono concede entrevista exclusiva à BBC e faz revelações sobre o passado
Bono concede entrevista exclusiva à BBC e faz revelações sobre o passado
27 de junho de 2022
Bono concede entrevista exclusiva à BBC e faz revelações sobre o passado
Em entrevista exclusiva à BBC, Bono conta que descobriu que tinha um meio-irmão, revela o livro que levaria para um ilha deserta e muito mais.
Vicky
Editora do U2 Brasil

Foi publicada neste domingo a íntegra da entrevista concedida por Bono ao programa Desert Island Discs (Discos da Ilha Deserta). Produzido pela BBC há 75 anos (antes na rádio, e agora migrando para o formato de podcast), o programa já entrevistou diversas celebridades de todos os setores. Nomes como David Beckham, Robert Plant, Seteve McQueen e Desmond Tutu passaram pelos seus microfones.

Para quem quiser escutar a entrevista toda de Bono (em inglês), basta clicar aqui.

Uma das revelações mais importantes feitas pelo vocalista, foi a descoberta de que ele tem um meio-irmão, fato que só descobriu quando já era adulto, e que até então nunca tinha sido comentado por ele em nenhuma entrevista anterior.

Bono disse que só tomou conhecimento do fato nos anos 2000. Ele descreve seu meio-irmão como alguém que “ama e adora”, mas não dá muitos detalhes sobre isso, talvez ainda querendo manter a privacidade sobre o fato.

Na entrevista, ele afirma que seu falecido pai, Bob Hewson, tinha uma “amizade profunda” com uma “linda mulher” e teve um filho com ela, um fato que nem a sua própria mãe Iris, que faleceu quando Bono tinha apenas  14 anos, tinha conhecimento.

“Perguntei a ele [ao seu pai] se ele amava minha mãe e ele disse que sim, e perguntei como isso podia ter acontecido e ele disse, ‘pode' e que ele estava tentando corrigir isso, tentando fazer a coisa certa.

Ele não estava se desculpando, ele estava apenas afirmando que estes eram os fatos... Estou em paz com isso.”

Descrevendo a si mesmo como um “trabalho em progresso”, Bono disse que cresceu em uma casa com “três homens gritando um com o outro” e que teve algumas discussões sobre o controle da raiva ao longo dos anos.

Outro ponto revelador foram os comentários sobre uma cirurgia que realizou em 2016. Sem dar maiores detalhes das causas, ele nos conta que teve o seu peito aberto e que esse longo procedimento “o deixou mais aberto a música”.

“É algo muito profundo ter o seu peito aberto. Foi uma longa cirurgia. Eu tenho a tendência a – e não deveria – julgar as coisas pelo seu efeito na música, mas certamente esse fato me deixou mais vulnerável a elas. Tocamos algumas das nossas músicas de Songs of Experience para a BBC, com uma orquestra. Isso foi não muito depois da cirurgia e me lembro de quase ter bloqueado as palavras delas enquanto as dizia. Foi demais. Foi como ouvi-las pela primeira vez.”

Falando sobre o futuro do U2, ele afirma que o que mantêm a banda unida é que eles são um “trabalho inacabado”, e que eles ainda não têm “aquele som que ouvimos em nossas cabeças”.

Entre as faixas que Bono escolheu para levar para uma ilha deserta estão Show Me the Way de Peter Frampton, uma das primeiras canções que cantou com os outros membros U2 quando ainda eram estudantes em Mount Temple no final dos anos 1970; a versão de Emilie Sandé do hino Abide with Me, e Ice Cream Sundae do Inhaler, cujo vocalista é seu filho, Elijah.

The Most Dangerous Book,' About Joyce's 'Ulysses' - The New York TimesSeu livro na ilha deserta seria Ulysses porque o lembraria de casa e seu "item de luxo", um violão.

E para finalizar, abaixo temos “oito coisas que aprendemos sobre Bono”. Extraído diretamente do site da BBC, os melhores momentos da entrevista podem ser lidos em inglês aqui.

 

  1. Ele soube que se tornaria um cantor depois de um momento revelador no ginásio da escola

“Eu não comecei como cantor, com certeza. Quando eu tentei cantar como o The Clash ou qualquer outro, percebi que simplesmente não tinha uma grande voz de rock and roll”, explica Bono.Peter Frampton – Show Me The Way = Enseñame El Camino (1976, Vinyl) - Discogs

"Cantei uma música do Peter Frampton chamada Show Me the Way. Foi no ginásio do colégio, e a banda estava lá, e nós estávamos cantando e erámos uma porcaria. Foi uma bagunça terrível.”

"Mas quando cantei aquela música, algo disparou e... Eu transformei a música, um adolescente transformou essa música em uma oração. Honestamente, na época eu não contei a banda, mas algo em mim só queria descobrir o que fazer com a minha vida.”

Essa música, é a primeira escolha de Bono, sobre um disco que ele levaria para uma ilha deserta.

  1. Seu pai encontrou uma maneira de construir uma ponte entre a divisão religiosa dentro da sua família

A mãe de Bono era protestante e seu pai era católico.

"Acho que a família do meu pai não apareceu no casamento deles", diz Bono, "e isso causou alguns problemas."

"Meu pai, era muito, muito elegante sobre tudo isso. E ele costumava nos levar à igreja de Santa Canice, que faz parte da Igreja da Irlanda (protestante), porque ele achava que minha mãe deveria ter a escolha em que religião cresceríamos. Então nós ficávamos e ele dirigia até a igreja católica de Saint Canice que ficava a  100 metros de distância."

“Isso era uma loucura. Você sabe, dizem que você às vezes tem a religião tão forte dentro de si que acaba vacinada contra isso. Eu não. Eles me pouparam, ambos, de qualquer aspecto doutrinário.”

  1. A segunda escolha de Bono reúne dois de seus grandes heróis

“Esta manhã”, explica Bono, “eu caminhei até Picadilly e há um edifício de Christopher Wren construído lá, uma igreja que você pode apenas entrar e sentar.”

Bono está falando sobre a Igreja de St. James no coração de Londres, não muito longe de Piccadilly Circus. Projetada por Sir Christopher Wren, a igreja foi consagrada em 1684.

"Mas no meu caminho", continua Bono, "eu vi que foi ali que William Blake foi batizado e, na porta vi uma placa onde está escrito:

Ver o Mundo em um grão de areia

E o céu em uma flor bravia

É segurar o infinito na palma da sua mão.

As palavras são do poema Auguries of Innocence (Augúrios da Inocência) de William Blake.

"Isso", explica Bono, "deve ter estado no fundo da mente de Bob Dylan [quando escreveu] Every Grain of Sand", uma canção de 1981, e outra das escolhas de Bono.

Dois títulos de álbuns do U2, Songs of Innocence e o seu sucessor Songs of Experience, são retirados da coleção de poemas Songs of Innocence e of Experience de William Blake.

  1. Ele manteve o apelido da sua adolescência – e acha que essa é uma escolha melhor do que a do seu amigo

Até a adolescência, Bono era conhecido como Paul Hewson. Seu amigo, que morava a algumas portas de distância, chamava-se Derek Rowen.

"[Éramos] como uma gangue de rua, mas o humor era a arma que escolhemos para nos defender", lembra Bono. E encontrar novos nomes era parte de seu humor: Paul se tornou Bono, e Derek se tornou Guggi.

"Demos um ao outro os nomes", diz Bono. "Guggi, eu dei o nome a ele - Eu acho que eu poderia ter ganho! Ele me deu o nome Bono, e eu sou conhecido como Bono desde que eu tinha 14 ou 15 anos."

O nome Bono veio de uma loja de aparelhos auditivos de Dublin chamada Bona Vox.

  1. Os primeiros ensaios do U2 foram difíceis – mas o baterista os salvou

Em setembro de 1976 Bono fez um teste para uma banda da escola com o baterista Larry Mullen, David Evans, que tocava guitarra e Adam Clayton, o baixista.

"Larry colocou um anúncio no mural da nossa escola, a Mount Temple Comprehensive School. Era uma escola pública, laica, uma escola bastante experimental, então as pessoas muito descoladas acabavam conhecendo pessoas não muito descoladas – como eu. Então Adam chegou.”

"Ele havia sido expulso de um colégio interno chique e as pessoas ficavam “Nossa, uau, quem é esse cara?”, e ele dizendo: “Onde é o espaço para fumantes?” e eu: “Que espaço para fumantes?”

"Edge ficava o seguindo porque era seu amigo. E por esse motivo, Edge não nos contou que ele na realidade não sabia tocar. Mas Larry sabia, e mesmo que nós fossemos uma verdadeira porcaria, isso era simplesmente brilhante.”

"O barulho, o som de um kit de bateria de verdade, a prata e o ouro dos pratos, o som orquestral desses pratos. Você sabe, uma espécie de ‘extraordiniaridade desafinada’, e ainda era mais extraordinário quando conseguimos um contrato com uma gravadora, mesmo que fossemos ainda muito erráticos.”

  1. A alta exposição de Bono às vezes levava a conflitos com os seus companheiros de banda

“Foi muito difícil para a banda me ver em determinada companhia”, diz Bono. “Foi excruciante para eles, mas eles me deram sua bênção.”

“Me lembro de Edge logo no começo cedo me dizendo ‘mas, por favor, não o senador Jesse Helms’, que era uma espécie de incendiário de direita”, explica Bono.

O falecido senador norte-americano Jesse Helms havia introduzido uma proposta de lei que tinha o intuito de proibir o uso de financiamento do governo para a produção de material educacional sobre HIV/AIDS que pudesse “promover atividades homossexuais”, mas depois acabou apoiando a educação sobre AIDS e a atenção e cuidado dos doentes na África.

“Ele foi muito prestativo”, explica Bono, “e Edge disse: 'Mas você nunca o convidaria para um show do U2', e eu disse: 'Eu convidei, e ele veio com sua esposa”.

“Ele me deu a bênção como eu disse, e acabou se arrependendo da maneira como falou publicamente sobre a AIDS nas seções do Senado.”

“Há uma foto de Edge se esquivando dele nos bastidores. Mas você não precisa concordar com tudo e com todos, se a única coisa em que você concorda com eles já é importante o bastante.”

  1. A escolha final de Bono vem de uma banda que foi uma influência vital no início

Stream Simple Minds - Someone Somewhere in Summertime (Sun7 Edit) by Armando Mendes | Listen online for free on SoundCloud“Lembro-me de conhecê-los em nossos 20 anos me lembro de pensar onde quer que estivessem, onde quer que estivessem sentados, onde quer que estivessem, em qualquer cidade em que estivessem tocando, eles estavam totalmente entregues”.

“Pouquíssimas pessoas conseguem ter um som e acho que no U2 nós conseguimos ter certas cores do espectro que possuímos, ou certos sentimentos que eu acho que são nossos. Bem, alguns deles são inspirados [desta banda].”

“Você sente isso um pouco no U2 do começo e o que aprendemos com eles.”

A música é Someone Somewhere (In Summertime) e a banda é Simple Minds. É uma música que Bono sente que expressa uma grande esperança, algo que ele gostaria de ter se estivesse perdido em uma ilha deserta.

  1. A vida sozinha na ilha lhe daria muito tempo para praticar violão

A escolha do item de luxo de Bono seria um violão – um violão exponha que foi um presente da sua sogra.

E ele diz que o seu principal objetivo e que ele teria tempo de melhorar as suas habilidades com o instrumento, lembrando que ele tem lutado com o instrumento nos últimos anos depois de machucar suas mãos e dedos em um acidente de bicicleta.

“Eu lembro de falar para a banda depois do acidente, ‘Eu acho que eu não consigo tocar guitarra. E eles estavam me olhando como se dissessem ‘E quando você conseguiu?’”, ele ri.

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