Songs of Innocence - Um novo ciclo | U2 Brasil
8 de maio de 2015 · Especial Álbuns
Songs of Innocence – Um novo ciclo
VictorRuyzPostado por VictorRuyz

“All I know 
And all I need to know is there is no end to love”

Agora que a poeira se dissipara – após ter rondado o polêmico, e poderoso, lançamento digital -, o que emerge é um elemento muito mais importante: a pura vitalidade do conteúdo do álbum. Isso foi destacado pela demanda sem precedentes que a turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE – que começa no próximo dia 14, em Vancouver – causara: Já foram vendidos 98% dos 1,2 milhões de ingressos disponíveis.

“A perspectiva de lançá-lo e simplesmente vê-lo desaparecer numa toca de coelho – que é algo que acontece com muitos álbuns hoje em dia -, seria devastador para nossas almas.”
The Edge.

Dois meses e meio de shows na América do Norte resultarão em uma inspiradora agenda com oito datas em Madison Square Garden, em Nova Iorque, no fim de Julho. Logo após, a turnê irá em direção à Europa, para um itinerário – já esgotado – de mais dois meses, que inclui seis noites em London’s 02 Arena.

“Songs of Innocence” encontra um pouco da história de vida de quatro amigos de uma forma formidavelmente dinâmica. Estas novas músicas – algumas sendo as mais autobiográficas das vidas deles – trazem à tona energia e inventividade. Eles, como uma banda, estão prontos para a estrada; como U2, preparam-se para pegar seus novos filhos e dar um giro ao redor do mundo – estes, terão a companhia de amados irmãos mais velhos, que compõem um incrível catálogo de músicas.

“Em alguns anos nós olharemos para trás, nesse período, assim como olhamos para trás e vemos videocassetes e telefones de discar. Quando o rádio surgiu, todo mundo pensou que seria o fim do disco. Eu acho que a música tornou-se desvalorizada e descartável no mundo comercial – mas não para os amantes da música ou às pessoas que a fazem. A Apple, com o U2, luta para que os artistas sejam pagos… Nós podemos tomar vantagem dos benefícios da tecnologia, e nós fazemos isso”
The Edge.

Houve um espaço de cinco anos desde “NLOTH” e “Songs of Innocence”, mas a espetacular turnê 360° não chegaria a seu 110° show até Julho de 2011. A evolução do novo álbum, desde então, acontecera em variados estúdios – não menos que sete. Houve sessões em Electric Lady Studios, The Church, Shangri-la, Strathmore House, Pull Studios, Assault and Battery e The Woodshed. Os créditos pela produção iriam para Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Flood.

Quando o álbum ganhou vida, em Setembro de 2014, críticos ouviram uma rica sinestesia de todas as variadas influências tidas pela banda em diferentes momentos de sua carreira mesclada com a vasta experiência ganhada por eles após quatro décadas de invenção.

“We got language so we can’t communicate
Religion so I can love and hate
Music so I can exaggerate my pain, and give it a name”

“Songs of Innocence reconecta o U2 com a desperta e estridente banda do início de carreira”, escreveu Tom Doyle, da revista Mojo. “O resultado é seu melhor e mais tematicamente completo álbum desde ‘Achtung Baby’. Ao ir de encontro com o passado, o U2 encontrou seu caminho para mirar o futuro.”

Estes temas sobre o passado – principalmente sobre a Dublin de 1970 – do grupo, estão evidentes na robusta, descompromissada e infecciosa, faixa de abertura, “The Miracle (Of Joey Ramone)”. Homenagem para o líder do Ramones, que foi uma das muitas razões que fez o U2 tomar a decisão de querer ser uma banda. Em outra parte do disco há também o reconhecimento para outra estrela guia dos jovens do U2. The Clash. “This is Where You Can Reach Me Now” é dedicada a Joe Strummer. “Every Breaking Wave” tem a intensidade do mar; “Volcano” borbulha como lava.

“Every breaking wave on the shore
Tells the next one there’ll be one more”

“Been out in the wild
Been out in the night
Been out of your mind
Do you live here or is this a vacation?”

“Iris (Hold Me Close)”, um hino, nomeado e inspirado na mãe de Bono, que falecera quando ele tinha apenas 14 anos.

“Iris standing in the hall
She tells me I can do it all
Iris wakes to my nightmares
Don’t fear the world it isn’t there”

Em “The Troubles”, a sueca Lykke Li se junta ao quarteto para entoar o refrão. “Somebody stepped inside your soul”.

“Eu cresci em Cedarwood Road. Uma rua legal com famílias legais. Pessoas que moldaram minha visão de mundo. Pessoas que ainda amo e admiro. Entre elas está Gavin Friday, que vivia no fim da rua. Mas também houve bastante violência por perto em minha adolescência. Skinheads… Soqueiras… Mas a pior violência ocorria atrás das portas, de um marido para com sua mulher, um pai bruto para com seu filho. Cedarwood Road tinha seus lados sombrios e secretos, como qualquer outro lugar. Como qualquer pessoa.”
Bono.

A série de álbuns travada atravessou milhões de milhas ao redor do mundo, numa estrada que continua a se estender, sedutoramente.

“Existe uma luz, não deixe que ela vá embora”, diz a letra de “Song for Someone”. O U2 nunca deixou, e nunca deixará.

Fonte:

nytimes 
udiscovermusic 
atu2 


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