U2BR entrevista: Brian Boyd | U2 Brasil
11 de Março de 2018 · U2BR Entrevista
U2BR entrevista: Brian Boyd
U2 BrasilPostado por U2 Brasil

Brian Boyd mistura a sua estrada com a do U2, desde o começo da carreira da banda há 40 anos. O jornalista que assina a coluna semanal The Ticket no jornal irlandês Irish Times, foi um dos que puderam ver a lendária apresentação dos 4 jovens garotos em Dublin, no estacionamento do Dandelion Market nos anos 70.

Não bastado ter a honra de estar presente em um evento como esse que mudaria as nossas vidas e também ter feitos entrevistas exclusivas e caprichadas com o U2 ao longo de todo esse tempo, Brian tem contribuído com diversos outros veículos, dentre eles a BBC e RTÉ. No seu currículo também estão os seguintes fatos: ter cantado em um karaokê com Eminem, ter um belo chá servido por Morrissey e comer um almoço preparado por Bono.

Em 2015, Brian lançou o livro U2 Experience – não lançado em português, mas que pode ser encontrado em algumas livrarias nacionais e também em sites por todo planeta – um livro que além de tratar dos diversos anos de carreira da banda, contém preciosas reproduções de memorabilias da banda, como ingressos, pôsteres e contratos. Agora, está programado para Maio o lançamento de um novo livro em parceria com Niall Strokes, U2: Songs + Experience.

Tivemos a oportunidade de realizar uma entrevista com Brian. Na nossa conversa, ele nos conta sobre a sua primeira impressão da banda, Bono fora dos palcos, os shows da Joshua Tree, a nova turnê, “Songs of Experience”, o futuro, entre outros assuntos. Confira na íntegra a seguir.

Você esteve nos shows do U2 em 1979 no Dandelion Market. Como era o som dos garotos naquela época? Qual sua principal lembrança daqueles shows?

Nos primeiros shows do U2, eles próprios eram os primeiros a admitir que não eram músicos profissionais. Os shows eram crus e básicos, mas havia um senso de energia no palco. Bono realmente se destacou como vocalista, ele mergulhava no público e escalava por todos os lados do palco. Era um desempenho bastante teatral.

O fato de os quatro jovens na época virem de um lugar tão distante do mainstream como Dublin, você acredita que isso os influenciou?

Eu acho que foi crucial. Bandas em Londres e Nova York, por exemplo, tendem a ser muito mais autoconsciente e trabalham muito para serem vistas como uma banda legal. Nunca se esperaria nada de uma banda de Dublin, e isso funcionou em favor deles.

Dublin ainda desempenha um papel importante na sua música – a cidade se encontra em todo o álbum “Songs of Innocence” e continua sendo uma grande influência nas letras e músicas da banda.

Qual é a sua era favorita da banda e por quê? Você tem um disco e uma turnê favoritos?

Eu amei a turnê Zoo TV, ela realmente reconectou a banda com sua arte e raízes europeias após o seu enorme sucesso nos EUA com “The Joshua Tree”. Eles pareciam estar ditando novas regras sobre como deveria ser a experiência de um show com música ao vivo. Foi uma sobrecarga muito sensorial – todos aqueles visuais e adereços que eles empregaram. Anteriormente eles corriam o perigo de se tornar uma banda excessivamente séria, mas a Zoo TV os libertou e permitiu-lhes brincar com ideias e imagens.

Eu acho que o melhor álbum do U2 é “The Unforgettable Fire”. Ele marcou a ruptura definitiva de suas raízes New Wave e os viu olhando para uma imagem musical maior. Em cada álbum que se seguiu há lembranças sonoras desse álbum. Você pode simplesmente ouvi-los crescer como músicos nesse álbum – foi ousado e ambicioso e trouxe o melhor neles.

Meu álbum favorito do U2 é, porém, “Zooropa” – associo-o com ótimas memórias da turnê Zoo TV. Não é um álbum perfeito, mas apenas sua textura sonora já me agrada. Além disso, mostrou um lado deles musicalmente que haviam escondido anteriormente.

Das bandas novas, alguma delas te remete aquela energia do U2 no começo de carreira?

Eu já vi bandas que me lembram da energia gerada pelos primeiros shows do U2, mas nunca uma banda que teve o mesmo impulso e ambição. Isto realmente foi um conjunto único de circunstâncias que reuniram o U2 e informou sua música. Isso não pode ser replicado.

Você é uma das pessoas que conviveu com Paul David Hewson e não apenas com o Bono, como pode caracterizar as duas “pessoas diferentes”, aliás, existem duas pessoas diferentes? O Paul já chegou a te fazer um almoço. Ele cozinha bem?

Bono matou Paul Hewson quando tinha 17 anos! Eu acho que ele o achava conservador e chato. Não há um Bono fora do palco e outro no palco – ele fica ligado no volume 11 praticamente o tempo todo.

Bono pode cozinhar – mas ele precisa de supervisão.

Você foi a algum show da The Joshua Tree Tour 2017? Como foi? Qual é a sua visão de a mesma banda fazendo aquelas músicas em dois momentos tão distintos da carreira, separados por 30 anos? Você pretende ir a algum show da e+i Tour?

Eu vi o segundo show da turnê em Seattle. O que me chamou atenção nas suas últimas turnês é como eles se tornaram teatrais. Agora eles estão conscientes da apresentação no palco e como um show deve ser estimulado, e eles certamente sabem como usar um telão.

Bono e Brian Boyd (ao fundo) nos bastidores do show de Seattle em 2017

Fiquei surpreso por terem feito a turnê JT30 – eles nunca querem ser vistos como uma banda de fundo de catálogo. Para a maioria das pessoas ouvir aquelas músicas novamente os fizeram lembrar quem eram e onde estavam a primeira vez que as ouviram.

Espero ver o maior número possível de shows da e+i – acho que a banda está em um lugar muito interessante agora e pode mostrar alguns dos seus melhores shows já feitos.

O que você espera da nova turnê em questão de músicas? Eles têm falado muito sobre o “Pop” nas redes sociais, você acredita que eles irão ressuscitar alguma música? Qual gostaria?

Eu não acho que eles vão tocar canções do “Joshua Tree” nesta turnê. “Pop” é um dos álbuns favoritos da banda, então algumas músicas dele serão tocadas. Eles estão sempre sob pressão para tocar as músicas favoritas, mas desta vez penso que eles se concentrarão fortemente nos dois últimos álbuns ao invés delas.

Seria bom ouvir “Staring At The Sun” novamente – é uma de suas músicas mais fortes, mas raramente é tocada ao vivo.

Em uma entrevista em Setembro de 2015, você disse que “Songs of Experience” soava como “Zooropa”, agora depois de lançado você mantém essa percepção? E sobre as letras o que você pensa / pensou sobre elas? Qual foi o seu sentimento em uma palavra e por quê?

Ouvi uma versão muito antiga de “Songs of Experience”, eles mudaram muito antes de ser lançado e agora não soa nada como “Zooropa”! Liricamente é muito pessoal, é raro que Bono se dirija diretamente a pessoas nas músicas do U2, mas nesse álbum ele está claramente conversando com certas pessoas.

A única palavra que eu penso é o arrependimento, mas eu não sei o por quê. Há uma tristeza real em algumas das letras.

Você escreveu em 2015 o U2 Experience, um livro que documenta toda a carreira da banda. Como foi escrevê-lo? Agora, em 2018, você irá lançar junto com Niall Stokes, editor da revista Hot Press, um novo livro, U2: Songs + Experience. O que podemos esperar de novo? E quanto aos itens de memorabilia, você pode nos adiantar algo?

Não tive nada a ver com o livro de 2018, acho que os editores apenas tomaram o que eu e Niall Stokes escrevemos anteriormente e acrescentaram para este livro. Niall tem um grande conhecimento sobre U2. No meu livro original, tentei juntar todas as contradições sobre as histórias do U2 e mostrar sua jornada criativa de uma banda de covers de Dublin para uma história de sucesso global.

Você pode adquirir o seu livro U2 Experience na Livraria Saraiva.

Você acompanhou a banda por quase quatro décadas. O que você espera deles para o futuro, acredita que o U2 terá um fim, uma pausa, vão diminuir o ritmo ou a falta do palco para eles é impensável? Para alguns fãs, “Songs of Experience” soou como uma despedida, o último álbum, você acredita nisso?

Bono sempre disse que a única maneira de sair do U2 é dentro de um caixão! Sinceramente, acho que a banda não se conhece.

Ouvi rumores de mais um álbum e depois uma última turnê depois desta. Também ouvi rumores de que eles farão uma turnê de aniversário de 30 anos da Zoo TV.

Quando você olha para trás em 40 anos de U2 e realmente examina sua história, você acha que nada sobre o U2 faz sentido e continuará a não fazer sentido. Penso que o U2 ainda tem uma grande surpresa guardada!

Brian Boyd junto a Bono e The Edge no lançamento de “Songs of Innocence” em Cupertino

Nós da equipe do U2BR gostaríamos de agradecer a gentileza de Brian por aceitar nosso convite e conceder um pouco do seu tempo para responder nossas questões. Nosso muito obrigado, Brian!
 

INTERVIEW – ENGLISH

 
You’ve been to U2 concerts in 1979 at the Dandelion Market. How did the boys sound back then? What is your main memory of those shows?

At the earliest U2 gigs, the band would be the first to admit that they weren’t proficient musicians. Those gigs were raw and basic but there was a real sense of energy from the stage. Bono really stood out as a frontman, he would dive into the audience and climb all over the venue. It was quite a theatrical performance.

The fact that those 4 young boys came from a place as far away from the mainstream as Dublin, do you believe that eventually influenced them in some way?

I think it was crucial. Bands in London and New York for example tend to be a lot more self-conscious and working too hard to be seen as a cool band. Nothing would ever be expected from a band from Dublin so that worked in their favor.

Dublin still plays an important part in their music – the city was all over the Songs of Innocence album. It remains a major influence on the band’s lyrics and music.

What is your favorite era of the band and why? Do you have a favorite album and tour?

I loved the Zoo TV tour. It really reconnected the band with their arty, European roots after their massive success in the U.S. with The Joshua Tree. It seemed like they were writing new rules for how the live music show could be experienced. It was such a sensory overload – all those visuals and props they employed. Previously they were in danger of becoming an overly earnest band but Zoo TV loosened them up and allowed them to play around with ideas and images.

I think the best U2 album is The Unforgettable Fire. It marked the definitive break from their New Wave roots and saw them looking at a bigger musical picture. Every album that has followed, has sonic reminders of that album. You can just hear them growing as musicians on that album – it was daring and ambitious and brought out the best in them.

My favourite U2 album though is Zooropa – I associate it with great memories of the Zoo TV tour. It’s by no means a perfect album but just the sonic texture of it appeals to me. Also, it showed a side of them musically that they had previously kept hidden.

When you see the new bands, does any of those bring you some of the energy that U2 used to have in their early years?

I’ve seen bands who remind me of the energy generated by those early U2 gigs but never a band that had the same drive and ambition. It really was a unique set of circumstances that brought U2 together and informed their music. That cannot be replicated.

You are one of those who can live with both Paul David Hewson and Bono over the years. How we can delimited these two different personas, by the way, are there really two different personas? Paul already made lunch for you. Does he cook well?

Bono killed off Paul Hewson when he was 17! I think he found him to be conservative and boring. There is no offstage and onstage Bono – he has the volume turned up to 11 pretty much all the time.

Bono can cook – but he needs supervision.

Have you been to any concert of The Joshua Tree Tour 2017? How was it? What is your view of the same band making those songs in two very different moments of the career, separated by 30 years? Are you planning to attend any e+i Tour show?

I saw the second show of the tour in Seattle. What’s struck me about their recent tours is how theatrical they have become. They are now so aware of stage presentation and how a show should be paced. And they certainly now how to use a big screen.

I was surprised they did the JT30 tour – they never want to be seen as a back catalogue band. For most people hearing those songs again, it reminded them of who they were and where they were the first time they heard them.

I hope to see as many e+i shows as possible – I think the band are in a very interesting place now and could put on some of their best ever shows.

What do you expect from the new tour in terms of songs? They have been talking a lot about Pop on social networks, do you believe they will resurrect some music? Which one would you like?

I don’t think they will be doing any Joshua Tree songs on this tour. Pop is one of the band’s favourite albums so some songs from it will feature. They are always under pressure to play the favourite songs but this time I think they will focus heavily on the last two albums instead.

It would be good to hear Staring At The Sun again – it’s one of their strongest songs but rarely played live.

In an interview in September 2015, you said that Songs of Experience sounded like Zooropa, now after the release do you still have the same opinion? What about the lyrics what do you think / thought about them? If you could put your feelings in just one word, what would it be and why?

I heard a very early version of Songs of Experience, they changed it a lot before it was released and now it sounds nothing like Zooropa! Lyrically it’s very personal, it’s rare for Bono to directly address people in U2 songs but on this album he is quite cleary talking to certain people.

The one word that I think of is regret. But I don’ know why. There’s a real sadness to some of the lyrics.

You wrote in 2015 the U2 Experience, a book that documents the entire career of the band. How was write it? Now in 2018, together with Niall Stokes, editor of Hot Press magazine, you will launch a new book, U2: Songs + Experience. What can we expect of new? What about the memorabilia items, can you advance us something?

I had nothing to do with the 2018 book, I think the publishers just took what I and Niall Stokes had previously written and joined them together for this book. Niall has a great knowledge of U2. In my original book I tried to tie up all the contradictions within U2 stories and show their creative journey from a Dublin covers band to a global success story.

You’ve been with the band nearly four decades, what you expect for the future? Do you think that U2 are going to have an end, a break or maybe they could slow down for some time or the lack of the stage sounds unreal for them? For some fans, Songs of Experience sounded like a farewell, the last album, do you believe it?

Bono has always said that the only way out of U2 is in a coffin! I honestly think the band don’t know themselves.

I’ve heard rumours of one more album and then one last tour after this one. I’ve also heard rumours of them doing a  Zoo TV 30th anniversary tour.

When you look back at 40 years of U2 and really examine their story, you find that nothing about U2 make sense. And it will continue not to make any sense. I do think though that there is one big U2 surprise left!

We of the U2BR staff would like to thank Brian for his kindness in accept our invitation and give a bit of his time to answer our questions. Thank you very much, Brian!


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