U2BR entrevista: Morleigh Steinberg | U2 Brasil
22 de julho de 2018 · U2BR Entrevista
U2BR entrevista: Morleigh Steinberg
U2 BrasilPostado por U2 Brasil

Faça uma lista com todos os estereótipos que parecem pertencer a esposa de um rockstar, pegue essa lista, amasse e jogue fora, e talvez você tenha o perfil perfeito para as esposas dos integrantes do U2. Ali nunca foi simplesmente “a mulher do Bono”. Fez faculdade. Tem os seus próprios projetos sociais. É uma empreendedora. Mariana encontrou Adam pela paixão que ele tem pelas artes, sendo ela uma profissional competente e respeitada dentre os que trabalham com isso. Casou com o último solteiro da banda, mas não largou nada daquilo que costuma a fazer. Talvez a mais discreta, Ann Acheson, é companheira de Larry Mullen desde quando estudavam juntos em Mount Temple. Assim como Bono e Ali, já são um parênteses no que é o senso-comum quando pensamos na vida de um membro de uma banda de rock. E como Bono sempre deixa evidente nas suas letras e entrevistas, o U2 talvez não fosse o U2 sem o background destas grandes mulheres. E foi com justamente uma delas que conseguimos uma entrevista mais do que especial.

Morleigh Steinberg nasceu em Los Angeles, sendo a filha do meio de três irmãs. Seu pai, Robert, é um advogado e sua mãe, Lenny, uma renomada designer de interiores que levou suas meninas para a aula de dança moderna desde muito cedo. Durante seus anos de colégio, ela estudou diversas formas de dança e aos 17 anos, ela e sua irmã mais velha, Roxanne, que acabara de se formar na faculdade, partiram para Paris, com o intuito de aprimorar os seus movimentos e se apresentar na cidade luz por um ano.

Tendo chegado ao aeroporto JFK de Nova York desde o seu ano em Paris, Morleigh teve um encontro casual com o bailarino e coreógrafo Moses Pendleton, o fundador da companhia de dança moderna Pilobolus. Ele disse a ela que estava começando uma nova companhia de dança e convidou-a para ir ao seu estúdio. Ela, juntamente com Daniel Ezralow, Jamey Hampton e Ashley Roland se uniram para fundar a companhia de dança MOMIX, que durante 4 anos (de 1983 a 1986) se apresentou em todo o mundo. No entanto, sem qualquer propriedade da marca MOMIX, que pertencia a Pendleton, todos sentiram que seria inteligente formar sua própria companhia. Assim, eles pegaram a coreografia que criaram, além de fazerem novos trabalhos, e fundaram a ISO (“I’m So Optimistic”), uma companhia de dança moderna que combinava música, dança e acrobacias. Eles continuaram a turnê em todo o mundo e coreografaram e se apresentaram em comerciais, desfiles de moda, filmes e vídeos musicais.

Um dos grandes fãs do trabalho da ISO era Bono. Ele foi apresentado a Morleigh em 1987, quando o diretor de vídeo/artista Matt Mahurin pediu a ela para trabalhar no vídeo do U2 para “With Or Without You”. Imagens sonhadoras abstratas de Morleigh foram projetadas enquanto a banda tocava sua música. Depois disso, ela e Bono mantiveram contato. No início do ambicioso Zoo TV, o U2 convidou Morleigh para participar da equipe criativa. Eles acharam que seria uma boa ideia ter alguém que pudesse ajudar com a encenação da banda no set complicado do palco da Zoo TV. Bono também estava interessado em desenvolver diferentes personagens e entender como ele se movimentaria como eles. A turnê chegou à estrada nos anos 90.

A ideia de uma dançarina do ventre no palco com o U2 veio como uma piada após o vídeo “Mysterious Ways”, mas acabou sendo uma adição divertida aos shows ao vivo. Christina Petro foi a primeira pessoa a dançar nos shows em arenas. Alguém da equipe do U2 a encontrou dançando em um parque temático enquanto o show do U2 estava na Flórida. Ela dançou para a maioria dos shows de arena. Quando a Zoo TV se mudou para estádios, Bono perguntou a Morleigh se ela dançaria no lugar de Christina.

The Edge se separou de seu casamento com Aislinn O’Sullivan em 1990. Eles estavam juntos desde 1983. Depois de cerca de dois anos na estrada com a turnê Zoo TV, por volta do final de 1993, Morleigh e Edge começaram a se apaixonar. Ela finalmente se mudou para Dublin em 1994. Em 1997, o casal teve seu primeiro filho, Sian Beatrice Echo, nascida em Los Angeles. Seu segundo filho, Levi, nasceu em 1999. Devido à lei de divórcio irlandesa, que se tornou legal em 2000, o casal só pôde formalizar seu casamento em 2002, tendo seu casamento civil em um cartório de Dublin (Bono foi uma das testemunhas), e depois se casar com a família e amigos na cidade de Eze, no meio da colina, no litoral sul da França.

Nascida em Los Angeles, Califórnia, Morleigh é uma dançarina vencedora do Emmy, coreógrafa. Ela também é designer de iluminação, cineasta e fotógrafa. Como dançarina, coreógrafa, ela excursionou pelo mundo extensivamente com a MOMIX, ISO Dance e ARCANE Collective, que é sua atual produtora de dança, fundada em 2011 com o também artista de dança Oguri. Desde a sua criação, o trabalho do ARCANE Collective foi visto no Museu Guggenheim NYC, no REDCAT LA, no Project Arts Center Dublin Ireland, no New York Live Arts e no Grec Festival, em Barcelona. Ela filmou e dirigiu inúmeros curtas-metragens premiados, vídeos e o documentário completo “Height of Sky”. Como extensão das artes visuais, criou o ARCANE Space em 2017, com a cantora/compositora Frally Hynes. Ela tem estado em turnê com o U2, trabalhando como dançarina, coreógrafa e consultora criativa desde 1993.

Gostou da história da Senhora The Edge? Interessante, mas nada melhor do que ler tudo com as palavras da própria, e para isso se mova por caminhos misteriosos na nossa maravilhosa entrevista.

Apesar do seu trabalho acabar por motivos óbvios estar mais ligado ao U2, seu histórico envolve nomes como David Bowie, Rod Stewart e Sting. Qual deles foi mais desafiante e de que maneira ajudaram você a desenhar a sua carreira?

Eu passei um bom tempo do meu começo de carreira trabalhando com vários artistas e eu aproveitei as experiências em diferentes maneiras. Não consigo apontar um artista como desafiador. Foi mais situações de trabalho, como longas gravações ou pequenos ensaios que foram desafiadores. Às vezes era difícil arrumar tempo para trabalhar com um artista. Bowie foi o melhor com quem trabalhei. Ele tinha uma ética de trabalho fantástico. Ele entendia o processo teatral e a necessidade dos ensaios. Alguns artistas não davam as caras nos ensaios. Isso era desafiador. Nos projetos de vídeo eu frequentemente trabalhava perto dos diretores do que com os artistas. Eles me contratavam para trabalhos específicos e eu fazia minhas coisas como eram para ser. Davam-me muita liberdade. Cada projeto leva a outro, de maneira que todos ajudaram minha carreira.

O seu primeiro contato com o U2 foi para a gravação do clipe alternativo de “With Or Without You”. Como surgiu esse convite e como foi a experiência?

Matt Mahurin foi o diretor que nos contratou (minha empresa na época se chamava Momix) para trabalhar neste clipe. Nós tínhamos trabalhado juntos em outros projetos e ele achou que eu faria um bom trabalho neste vídeo do U2. Eu amei trabalhar com Matt. Eram processos livres e orgânicos. Nós gravamos em Connecticut e num estúdio pequeno em Nova York. Ele tinha e ainda tem uma ótima visão artística. Eu não tinha encontrado a banda até o vídeo ficar pronto. O resto é história.

Aliás, é um pouco complicado imaginar qual o papel de uma coreógrafa dentro de um show de rock, ainda mais com uma banda de 4 irlandeses. Como funciona isso? Quais são as suas atribuições? Quais as maiores dificuldades e/ou curiosidades da banda que você pode nos contar? E quem é o melhor dançarino?

A banda é muito consciente do que precisa para ter um bom show. Há muitas partes de movimentos para manter a linha. Eu ajudo na encenação e ideias teatrais. Eu avalio e dou algumas direções para ajudá-los a encontrar e obter os melhores lugares na melhor hora em alguns momentos do show. Eu digo a eles o que funciona e o que não funciona.

Eu tenho trabalhado com Bono mais de perto especificamente, que é quem encarna nas performances e nos personagens que ele cria. Eu assisto e ajudo a clarear o que funciona melhor para ele. Eu raramente dou a ele movimentos que ele ainda não tenha criado. Estes são os movimentos dele. Eu ajudo a moldá-los e o relembro o que está funcionando melhor. Eu dou coisas para ele brincar nas cenas, pontos para ele bater. Durante o show ele tem muita coisa para pensar, então frequentemente nunca lembra o que ele faz no calor das apresentações ao vivo. Nós nunca temos tempo suficiente para ensaiar, mas eles são ótimos showmen (e músicos, primeiro e mais importante!), e eles trabalham duro. Eles realmente se importam com as apresentações. Todos se movem bem, cada um na sua característica. Edge é mais funky, mas eu sou suspeita. 

Christina Petro foi a primeira dançarina do ventre em “Mysterious Ways” durante a Zoo TV. Você assumiu o papel quando o U2 foi com o show para os estádios. Como surgiu o convite para ser coreógrafa e dançarina da turnê? Você tem algumas boas lembranças daquela época para compartilhar conosco? Você ou a banda já pensaram em uma volta aos palcos dançando?

Eu trabalhei na Zoo TV no começo como “coreógrafa” porque a encenação era complicada e haviam muitos elementos que precisavam estar alinhados para aquela turnê. Bono entrava nos personagens, The Fly e MacPhisto, e queria desenvolvê-los. Eu o ajudei com isso. Tinha muito para explorar e se divertir com isso. O trabalho foi constantemente mudando e crescendo. Eu assisti a muitos shows. Quando a turnê para arenas terminou e a turnê para estádios estava prestes a começar, me fez sentido estar fazendo dois trabalhos. Eu estava em turnê com minha empresa enquanto também estava em turnê com a Zoo TV. Foi difícil fazer um malabarismo com as duas coisas. Eu fui de ser uma artista com minha empresa ISO a coreógrafa “olheira”. Eu tenho que admitir que foi estranho não estar no palco, enquanto Bono me convidou se eu podia dançar, eu disse ‘claro’. Eu nunca tinha sido uma dançarina do ventre, eu peguei algumas dicas e fui. Os adereços ajudaram. Dança do ventre é complexo e detalhado. Tradicionalmente é praticado em espaços intimistas aonde as pessoas podem apreciar os detalhes. Na verdade, eu nunca fui muito boa nisso, mas eu entendi como traduzir o movimento para espaços maiores. Eu precisava. Eu escapei um pouco porque os lugares eram gigantes! Eu me diverti muito dançando. Satisfez a dançarina em mim enquanto trabalhava numa função de não dançarina. Fez-me gastar tempo longe da minha própria empresa que valeu a pena. E também me apaixonei pelo o que veio a ser meu futuro marido.

Eu pensei ao longo do tempo voltar aos palcos de alguma forma, mais recentemente na turnê de aniversário do “The Joshua Tree”, como uma cowgirl laçando. De novo, eu me encontrei expandindo meu vocabulário de movimentos. Eu pedi uma corda, entrei na internet e pratiquei no meu quarto de hotel até eu acertar. Eu amo um desafio!

De quem partiu a ideia do roteiro para as filmagens das imagens do telão “Trip Through Your Wires” para a Joshua Tree Tour? Você teve alguma influência direta no roteiro ou somente atuou no clipe?

Como vocês sabem, Anton Corbijn foi o responsável pelo visual espetacular da maioria da turnê. Num certo ponto, perto do início da turnê, sentiu-se a necessidade de haver um momento que talvez fosse mais engraçado e sexy. Bono mencionou uma garota com corda. Eu falei com Anton sobre. Sem muito tempo para perder, eu pulei no trabalho.

Falando em filmagens, você foi a responsável pelas imagens do clipe de “Staring At The Sun”, do álbum “Pop”, em Miami. Como foi essa experiência? Você já tinha feito algo parecido antes?

Esta experiência foi superengraçada e gratificante. Eu filmei toda a sequência enquanto a banda estava fazendo uma série de fotos com Anton em Miami. Eles estavam se preparando para o lançamento do álbum “Pop”. Pediram-me para eu documentar a sessão de fotos e escolher qualquer sequência de filmagem que eu quisesse, para qualquer coisa. Quando algum, ou todos os membros da banda, estivesse livre, eu o/os colocaria separado e filmava em diferentes cenas perto da onde Anton estava fotografando. Eu tinha que fazer rápido para não atrapalhar o trabalho de Anton.

Originalmente, eu editei toda a filmagem para a canção “Miami”, não para “Staring At The Sun”. Quando foi decidido que eles queriam usar a filmagem para “Staring At The Sun”, nós tivemos que filmar Bono cantando, para funcionar para aquela canção. Nós filmamos Bono cantando em Dublin na verdade, fazendo se sentir como se fosse em Miami. Algumas coisas dali foram editadas para “Miami”, a música. Eu achei melhor a edição original.

Meu avô trabalhou na indústria do cinema como cameraman na Universal Studios. Eu cresci em volta das câmeras e gosto de pensar que eu desenvolvi um olho cinematográfico por causa dele. Ele tinha um arsenal de câmeras que durante a vida dele foi compartilhado comigo. Eu acho que está, talvez, no meu sangue? Eu amo capturar movimentos nos filmes e tirar fotos. Eu tive várias oportunidades de trabalho com fotógrafos experientes e equipes ao longo dos anos com meu trabalho de dança, mas aquela filmagem em Miami deve ter sido minha primeira experiência em que fiz tudo por conta própria. Eu estava trabalhando com câmeras do meu avô, uma antiga Bell and Howell Hand Crank 16 mm, uma antiga câmera 8mm e várias câmeras novas. Com as antigas, eu tinha que medir a luz a cada filmagem e carregar os filmes, que precisavam ser feitos no escuro das bolsas. Eu gosto dos trabalhos manuais.

Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, você participou com o U2 do telethon “America: A Tribute to Heroes” como vocal de apoio durante a canção “Walk On”. Esta é uma das canções preferidas dos fãs da banda e faz tempo que não é executada. Escrita sobre a ativista birmanesa Aung San Suu Kyi, você acha difícil essa canção voltar aos shows depois do U2 se colocar contra ao seu governo? Qual sua opinião sobre o ativismo ligado ao U2 e como você, pessoalmente, lida com isso?

A oportunidade para tocá-la novamente deve aumentar. A não execução da música no momento não tem a ver com os desentendimentos ou política. É que eles têm uma variedade de músicas e outras canções novas para tocar quando eles estão numa turnê promovendo um álbum. U2 é uma banda muito consciente. Eu os admiro por isso e apoio como posso.

Sian, a sua filha, é capa do novo álbum e aparece no telão da turnê durante o encore em “Women Of The World Take Over”. O que você pensa sobre isso e de quem partiu a ideia?

Eu acho que a Sian fez um trabalho lindo. Ela é determinada e focada e muito modesta. Ela teve a personalidade correta para ser aquela pessoa, aquela imagem no álbum. Nada sobe à cabeça dela. Ela transmite experiência e inocência, desafio, compaixão, perseverança.

Uma ideia sempre leva a outra. Ideias vão e voltam. Eu não consigo lembrar exatamente, mas eu acho que foi Gavin Friday quem imaginou que seria perfeito ter Sian na capa e foi Sharon Blankson, parte do time criativo e chefe estilista, quem eu lembro de ter trazido a ideia do capacete. Anton entendeu a mágica. A banda trabalha tão colaborativamente. Eu acho que nós conseguimos pousar em lugares especiais.

Na atual turnê do U2 tivemos a volta do personagem Macphisto. Você participou do processo de composição de cena? De quem partiu a ideia para o resgate do personagem?

Macphisto é um personagem e tanto. Foi acertado trazê-lo de volta neste momento. Ele é capaz de dizer coisas que Bono não diria por si só. Eu não lembro de quem foi a ideia originalmente, mas eu suspeito que foi do próprio Bono. Bono e eu trabalhamos organicamente na coreografia. Ele se mexe e eu o ajudo a definir e refinar.

Você é coproprietária do ARCANE Space (junto com a cantora e artista Frally Hynes), uma galeria em Venice, na Califórnia. A exposição de estreia foi uma coleção de fotografias suas. O que te motivou a abrir esse espaço? E quais os planos para o futuro?

Eu tinha interesse em ter um espaço por um bom tempo, um lugar aonde eu não tinha que esperar para agendar e ter um tempo limitado para mostrar meus novos trabalhos. Não há tempo para perder mais! Eu amo colaborações e conheço muitos artistas trabalhando em diferentes aspectos. Eu queria ter um espaço aonde eu pudesse apresentar e produzir trabalhos, sejam meus ou de outros – e não precisava ser sobre dança. Eu sou interessada em como as pessoas transformam espaço e pensamento e tempo, mentes abertas para experimentar diferentemente. Minha amiga, Frally Hynes, co-parceira no ARCANE Space, me perguntou se eu queria dividir um espaço em que ela estava alugando com um amigo fotógrafo que teve deixar Los Angeles, deixando metade do espaço livre. Eu disse a ela porquê eu estava procurando um espaço e o que eu vislumbrava fazendo. Ela estava pensando nas mesmas ideias. Esse foi o começo do ARCANE Space. Nós estamos transformando o ARCANE Space desde novembro. Nós estamos no meio de uma pausa agora porque ambas estamos trabalhando em outros projetos. Frally Hynes é uma cantora/compositora que acabou de terminar uma pequena turnê abrindo os shows de Rufus Wainwright. Eu trabalhei nesta turnê. Entende-se que para fazer o espaço funcionar tem que estar lá. Nós queremos estar lá. Nossos planos estão muito abertos para o ARCANE Space. É um espaço de fluído criativo. Nós não temos muita certeza quais são nossos planos em longo prazo. Será duradouro a transformação… ARCANE Space é tanto uma ideia quanto um lugar.

No ano passado, o ARCANE Space exibiu as fotografias tiradas por The Edge no Deserto de Mojave em 1986, quando o U2 fez uma sessão de fotos para o álbum “The Joshua Tree”. De quem foi a ideia de exibir essas fotografias? Você acha o seu marido um bom fotógrafo?

Eu encorajei Edge a organizar as fotografias dele para a exibição. Elas são lindas e revisitá-las coincidiu com o fim da turnê The Joshua Tree perfeitamente. Era o momento exato e nós tínhamos o lugar certo. Nós também pensamos em coordenar com uma caridade que apoiamos chamada GO Campaign. Toda a arrecadação foi para eles. Sim, eu acho que Edge tem um ótimo olhar para fotografia.

Voltando a questão da Sian na capa do álbum e estar tão envolvida no trabalho do seu marido. Como é a convivência com os fãs do U2? E com a imprensa? Em algum momento você já sentiu a sua privacidade invadida?

Geralmente os fãs do U2 são pessoas consideráveis. De vez em quando, alguém ultrapassa os limites, que pode se tornar estranho e insensível. Mas na grande parte, eu agradecidamente lido muito bem. Eu ando na maioria do tempo fora do radar.

O que você costuma ouvir em casa, com The Edge, e quais são suas referências musicais? Conhece algum artista brasileiro? Quais as suas lembranças das visitas ao nosso país? O que lembra da nossa comida, algo favorito? Algum lugar que quer voltar e conhecer?

Nós escutamos tudo e ultimamente estamos escutando vinil. Temos bastante álbuns antigos que compramos nas poucas lojas que existem ou mercados de rua. Nós temos que trabalhar na nossa coleção. Nós também escutamos streaming e montamos playlists. Eu amo música brasileira, sem dúvida os óbvios, Tom Jobim e Gilberto Gil, mas eu amo samba e a música da Bahia. Eu passei três meses pelo Brasil e trabalhando num filme em Salvador. Foi um momento especial pra mim. Eu amei Salvador, as pessoas, as comidas, especialmente acarajé e atemoia. Eu comi muito enquanto estava lá.

A equipe do U2BR gostaria de agradecer a gentileza e simpatia de Morleigh por aceitar nosso convite e conceder um pouco do seu tempo para responder nossas questões. Nosso muito obrigado, Morleigh!
 

ENGLISH VERSION

 
Make a list of all the stereotypes that seem to belong to a rockstar’s wife, take that list, knead it and throw it away, and perhaps you can have the perfect profile for the wives of U2 members. Ali was never simply “Bono’s wife”. She went to college. She has her own social projects, She is an entrepreneur. Mariana met Adam through his passion for the arts, she being a competent and respected professional among those who work with it. She married the last bachelor of the band, but did not let go of what she used to do. Perhaps the most discreet, Ann Acheson, has been Larry Mullen’s partner since they were students at Mount Temple. As with Bono and Ali, they are already a parenthesis in what is common sense when we think of the life of a member of a rock band. And as Bono always makes evident in their lyrics and interviews, U2 might not have been U2 without the background of these great women. It was with just one of them that we got a more than special interview.

Morleigh Steinberg was born in Los Angeles, the middle daughter of three sisters. Her father, Robert is a lawyer and her mother, Lenny, a renowned interior designer who took her girls to modern dance class from a very early age. Through her high school years she studied many different forms of dance and at 17, she and her older sister, Roxanne, who had just graduated from college went to Paris, to continue studying and to perform in the City of Light.

Having arrived at New York’s JFK airport from her year in Paris, Morleigh had a serendipitous encounter with dancer/choreographer Moses Pendleton, the founder of the modern dance company Pilobolus. He told her that he was starting a new dance company and invited her to come up to his studio. She, along with Daniel Ezralow, Jamey Hampton and Ashley Roland came together to found MOMIX dance company, which for 4 years (from 1983 to 1986) performed together all over the world. However, without any ownership of the MOMIX brand, which was owned by Pendleton, they all felt at that point that it would smart to form their own company. Thus they took the choreography they created, along with making new work, and founded ISO (“I’m So Optimistic”), a modern dance company that combined music, dance and acrobatics. They continued to tour worldwide and choreographed and performed in commercials, fashion shows, film, and music videos.

One of the big fans of ISO’s work was Bono. He was first introduced to Morleigh in 1987, when artist/video director Matt Mahurin asked her to work on the U2 video for “With Or Without You”. Dreamy abstract images of Morleigh were projected as the band performed their song. After that she and Bono kept in touch. At the start of U2’s ambitious Zoo TV Bono invited Morleigh to join their creative team. They thought it would be a good idea to have someone who could help with the staging of the band on the complicated set the Zoo TV stage. Bono was also interested in developing different characters and understanding how he would move as they would.  The tour hit the road in the 1990s.

The idea of a belly dancer on stage with U2 came as a joke in the wake of the hit “Mysterious Ways” video, but it turned out to be a fun addition to the live shows. Christina Petro was the first person to dance in the indoor shows. Someone from the U2 crew found her dancing at a theme park while the U2 show was in Florida. She danced for most of the indoor arena shows. When Zoo TV moved to stadiums, Bono asked Morleigh if she would dance in place of Christina.

The Edge split from his marriage to Aislinn O’Sullivan in 1990. They had been together since 1983. After about two years on the road with Zoo TV tour, around the end of 1993 Morleigh and Edge started to fall in love. She eventually moved to Dublin in 1994. In 1997 the couple had their first child, Sian Beatrice Echo, born in Los Angeles. Their second child, Levi, was born in 1999. Due to Irish divorce law, which became legal in 2000s, the couple could only formalize their marriage in 2002, having their civil wedding in a Dublin registry office, (Bono was one of the witnesses,) and then marrying with family and friends in the hilltop mid-evil city of Eze, on the French Cote d’Azur.

A native of Los Angeles, California, Morleigh is an Emmy winning dancer, choreographer. She is also a lighting designer, filmmaker and photographer. As dancer, choreographer, she has toured the world extensively with Momix, ISO Dance and ARCANE Collective, which is her current dance production company, founded in 2011 with fellow dance artist Oguri.  Since it’s inception, ARCANE Collective’s work has been seen at the Guggenheim Museum NYC, REDCAT LA, Project Arts Centre Dublin Ireland, New York Live Arts, and at Grec Festival, Barcelona. She has shot and directed numerous award winning short films, videos, and the full-length documentary Height of Sky. As an extension into the visual arts she created ARCANE Space in 2017, with singer/songwriter, Frally Hynes. She has been touring with U2, working as dancer, choreographer, and creative consultant since 1993.

Did you like the story of Mrs. The Edge? Interesting, but nothing better than reading everything with her own words, and for it move in mysterious ways in our wonderful interview.

Although your career has constantly U2 in its path, your previous professional experiences were involved with David Bowie, Rod Stewart and Sting. Which of them was the most challenging and how their influences has helped your career? 

I spent a good amount of time in my early career working with various artists and I enjoyed the experiences in different ways. I can’t say that any one artist was particularly challenging. It was more the working situations, like long video shots and short rehearsal times that were challenging. Sometimes it was hard getting time working with an artist. Bowie was the best to work with. He had a fantastic work ethic. He understood the theatrical process and need for rehearsal. Some artists just didn’t show up at all for rehearsals. That was challenging. On video projects I often worked closer with the directors than the artists themselves. They would hire me for specific work and I would just do my thing so to speak. I was given a lot of artistic freedom. Every project leads to another in that way all have helped my career.

I presume your first contact with U2 was in the 80’s when you had a role in the “With Or Without You” alternative video. How did you receive this invitation and tell us about this experience.

Matt Mahurin was the director who hired us (my company at the time was called Momix) to work on that video. We had worked together on other projects and he thought I would work well for the U2 video. I loved working with Matt. It was always a very freeform and organic process. We shot up in Connecticut and in a small studio in NY too. He had and still has great artistic vision. I didn’t meet the band until after the video was done. The rest is history.

It is slightly curious to imagine the role of a choreographer in a rock concert, especially in a four-Irish-rock-band. How does it work? What are the challenges or/and curiosities that you can tell us? Are any of them a good dancer?

The band is very conscious of what it takes to put on a good show. There are so many moving parts to keep track of. I help with staging and theatrical ideas. I give them feedback and some direction helping to them to find and get to the right places at the right time at given times during the show. I tell them what works and what doesn’t.

I have worked particularly closely with Bono, who really embodies his performances and the characters he creates. I watch and help clarify what works for him. I rarely give him movement that he hasn’t already created. They are his own movements. I help to sculpt them and remind him what’s working well. I give him things to play with, points to hit. He has so much to think about during a show that he often doesn’t remember what he does in the passion of a live performance. We never get enough rehearsal time but they are all great showmen (and musicians, first and foremost!) and they all work hard. They really care about their shows. They all move well in their own ways. Edge is pretty funky, but I am biased.

Christina Petro was originally the first belly dancer in “Mysterious Ways” in the Zoo TV Tour. You took the role when the tour went to stadiums. How did you receive this invitation to be with them onstage performing? Do you still have good memories from that time that you can share with us? Have you or even the band ever thought of putting you onstage again to dance for a couple of concerts?

I worked on Zoo TV from the start as “choreographer” because the staging was complicated and there were so many elements that needed to come together for that show. Bono took on his characters, The Fly and Macphisto, and wanted to develop them. I helped him with that. There was a lot to discover and have fun with. The work was constantly changing and growing. I watched a lot of shows. When the inside arena tour was done and the stadium tour was about to take off, it just made sense for me to do two jobs. I was touring with my company while touring with Zoo TV.  It was hard juggling the two. I was going from being a performer with my company ISO, to “outside eye” choreographer. I have to admit it felt funny not being on stage so when Bono asked if I would also dance, I said sure. I had never belly danced but I got a few tips and off I went. Costumes helped. Belly dancing is a very complex and intricate form. Traditionally it would be performed in smaller intimate spaces where people would experience it in it’s detail. I actually wasn’t that good at it but I understood how to translate the movement to big spaces.  I had to. I got away with a lot because the venues were huge! I had so much fun performing. It satisfied the performer in me while also working in a non-performing role. It made spending time away from my own company worth it. I also fell in love with my future husband on that tour.

I have, over the years gotten back up onstage in some shape or form, most recently on the Joshua Tree Tour, as a lassoing cowgirl. Again, I found myself expanding my movement vocabulary. I ordered a rope, got online, and practiced in my hotel room until I got the hang of it. I love a challenge!

Who originally was responsible for the idea of the “Trip Through Your Wires” script in the Joshua Tree Tour 30th Anniversary Tour? Were you responsible for helping it or you just performed on the video?  

As you know Anton Corbijn was responsible for the stunning visuals for the majority of that tour. At a certain point, close to the show opening, it was felt that there needed to be a moment that maybe was a bit more fun and sexy. Bono mentioned a girl with a rope. I spoke to Anton about it. With no time to waste, I jumped into the job.

Speaking about filming, you were in charge of shooting “Staring At The Sun” video in Miami, which features the band around various location in there. How was this experience? Had you ever done something similar before? 

That experience was super fun and satisfying. I shot all the footage while the band was doing a series of photo shoots with Anton around Miami. They were preparing for the release of the Pop album. I was asked to document the photo shoots and pick up whatever footage I could, for whatever. When any or all of band members were free, I would pull them aside and shoot them in different scenes nearby where Anton was shooting. I had to work fast so I didn’t interrupt Anton’s shoot.  

Originally I edited all the footage to the “Miami” track, not “Staring At The Sun”. When it was decided they wanted to use the footage for “Staring At The Sun”, we had to shoot pick up shots of Bono singing the vocal, to make it work for that song. We shot all of Bono’s vocal footage in Dublin actually, making it feel like Miami.  Somewhere out there is edit to “Miami”.  I preferred that original edit better.

My grandfather worked in the movie industry as a cameraman for Universal Studios. I grew up around cameras and like to think that I developed a cinematic eye from him. He had an arsenal of cameras that throughout his life he would share with me. I guess it’s kind of in my blood? I love capturing movement on film and taking pictures. I had also had plenty of opportunities working with experienced photographers and crews over the years with my dance work, but that Miami shoot might have been the first time I had done everything on my own. I was working with my grandfather’s old Bell and Howell Hand Crank 16 mm camera, an old 8 mm camera and also several new video cameras. With the old film cameras I had to light meter every shot and load film, which had to be done blindly in a bag.  I loved being so hands on.

After the 09/11, you were one of the backing singers during the performance of “Walk On” for the “America: A Tribute to Heroes” telethon. As you may know, U2 fans adore this song and it has not been played for a while. Once they had a disagreement with Aung San Suu Kyi politics, do you think ‘Walk On’ may ever be played again? Do you have an opinion about the U2 activism and personally how do you deal with it?

The opportunity might arise for the song to be performed again. Their not performing it for awhile doesn’t have anything to do with any disagreements or politics. Its just that they have a very large backlog of songs and new songs to play when they go on tour to promote a record. U2 are an extremely conscientious band. I admire them for that and support them as I can.

Sian, your daughter, is on the cover of the brand new album and she is also on the screen during the encore “Women of the World Take Over”. What do you think about that and whose idea was that?

I think Sian did a beautiful job. She is steadfast and focused and very unassuming. She had the right spirit to be that person, that image on the album. Nothing ever goes to her head. She conveys experience and innocence, defiance, compassion, perseverance.

One idea always leads to the next. Ideas fly back and forth. I can’t remember exactly but I think it was Gavin Friday who thought Sian would be perfect and it was Sharon Blankson, part of the creative team and head Stylist, who I remember bringing back the helmet. Anton captured the magic. The band works very collaboratively. I think we manage to land in special places.

In this new tour Macphisto is back. Have you been involved with ‘his’ return onstage and also the new choreography? Whose idea was that originally?

MacPhisto is a quite the character. It felt right to bring him back at this moment in time. He is able to say things that Bono might not as himself. I don’t remember whose idea it was originally but I suspect it was Bono’s. Bono and I work organically on choreography. He moves and I help to define and refine it.

As a co-owner of ARCANE Space, what are your motivations to have a place like that? And what are the ARCANE’s short and long-term future? 

I had been interested in having a space for a long time, one where I didn’t have to wait to be “booked in” and then have limited time to make or perform new work. There is no time to waste anymore!  I love collaboration and know so many artists working in different mediums. I wanted to have a space where I could present and produce work, mine and others – and it didn’t have to be dance. I am interested in how people transform space and thought and time, open minds to experience differently. My friend, Frally Hynes, co partner in ARCANE Space, asked if I wanted to share a space that she was renting with a photographer friend who had to leave LA leaving his half of the space free. I told her why I was looking for a space and what I envisioned doing. She was thinking along the same lines. That was the beginning of ARCANE Space. We have been transforming ARCANE Space since November. We are on a bit of a break now because both of us have been working on other projects. Frally Hynes is a singer/songwriter who just finished a short tour opening for Rufus Wainwright. I have been working on the tour. It know that in order to make the space work we have to be there. We want to be there. Our plans are very open for ARCANE Space. It is a fluid creative space. We are not sure what our long term plans for it are. It will stay true to being about transformation… ARCANE Space is as much a thought as a place.

In the past, ARCANE exhibited some photos shot by The Edge in the Mojave Desert in 1986, when U2 did a photoshoot for the The Joshua Tree album. Whose idea was to have this photos in an exhibition? Do you think The Edge is a good photographer? 

I encouraged Edge to organize his photographs for the exhibition. They are beautiful photographs and revisiting them coincided with the end of The Joshua Tree Tour perfectly. It was the right time and we had the right space. We also thought to coordinate with a charity we support called the GO Campaign. All proceeds went to the Go Campaign. Yes, I think Edge has a great eye for photography.

Returning to the point of Sian on the new album and at the same time, you are so involved with U2 works, how do you manage with U2 fans as well as the press? Would you say you already had your privacy invaded in somehow? 

Generally U2 fans are pretty considerate people. Every once in a while someone oversteps a boundary which can be awkward and insensitive. But overall I thankfully manage very well. I move most of the time under the radar.

When you and The Edge are at home, what sorts of music do you listen to? Do you particular know any Brazilian artists? And last but not least, do you have some memories while you were in Brazil in the past? Some favorite places or food? Is there any specific place in Brazil that you’d like to know the most?

We listen to all kinds of music and lately have been listening to vinyl. We have a lot of vintage albums that we pick up at the few record stores still open and also at flea markets. We have to work on our collection. We also stream music and make playlists. I love Brazilian music, of course the obvious, Jobim and Gilberto but I love samba and music from the Bahia. I spent 3 months touring Brazil and then working on a movie in Salvador. It was such a special time for me. I loved Salvador, the people, the food, especially Acarajé and the Atimoia or Atemoya – not sure how you spell that. I ate so many of them while I was there.

The U2BR staff would like to thank Morleigh for her kindness and sympathy in accept our invitation and give a bit of her time to answer our questions. Thank you very much, Morleigh!


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Mayara Bernardeli
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Mayara Bernardeli

Parabéns pela entrevista! Realmente não sabia que ela trabalhava tanto com a banda!