U2BR entrevista: Neil McCormick | U2 Brasil
25 de janeiro de 2013 · U2BR Entrevista
U2BR entrevista: Neil McCormick
Postado por Rômulo
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U2BR: Seu livro, “Killing Bono”, será lançado em português ainda no primeiro semestre de 2013. Você esperava por isso? Deve ser realmente muito especial ver que seu trabalho está crescendo, e alcançado diferentes pessoas, com um livro, e depois filme.. o que você pensa sobre isso? Foi estranho ver “você” nos cinemas?

R: É sempre uma alegria ver meu livro sendo traduzido em outros idiomas. Já está disponível em finlandês e alemão, e em breve, italiano, polonês e português brasileiro. Sinto como se eu tivesse jogado uma pedra no mundo, e ela continua pulando (n.e – como aquelas pedrinhas que joga na água e elas continuam pulando). Eu não invejo os tradutores, porém. Eu tive algumas perguntas bem estranhas. Como você pode explicar um Bono adolescente (e muito irlandês) falando “Up your bum, chum with a big bass drum” em outro idioma? Simplesmente significa “Dane-se tudo!” (n.e – ele realmente falou aquela palavrinha com “F”…), mas uma traduçao literal faz com que isso soe ao mesmo tempo, doloroso e fisicamente impossível. O filme é como outra tradução, outra versão. Sim, foi bem estranho me ver, mas eu sei que não sou eu, e o filme realmente não toma o lugar das minhas próprias memórias.

U2BR: Nós lemos o livro, vimos o livro, mas e em relação à vida real? Como foi crescer não somente com os meninos do U2, mas com outros meninos, como Gavin Friday e Guggi? Até mesmo hoje vocês entram em contato?

R: Bem, espero que o livro tenha dito como foi. Foi realmente uma grande aventura, mas também foi muito normal. Eu conheço esses caras desde a minha adolescência, então nunca pareceu tão especial como é para alguém que os conheceu pela música. Eu ainda estou em contato com U2. Logicamente, nossas vidas se cruzam, tanto profissonalmente como pessoalmente. Minha amizade é primordialmente com Bono, e nos comunicamos principalmente por texto, esses dias, e nos encontramos quando acontece de estarmos na mesma parte do mundo. E eu vejo todos os outros através da amizade. Eu ainda encontro muito com Gavin e Guggi, os dois ainda continuam loucos de um modo impressionante.

U2BR: Vamos falar sobre Frankie Corpse & The Undertakers. Quando caiu a ficha que ser um rockstar não iria dar certo? (apesar de que, vendo o filme, muita gente torceu por vocês dois). Quando a realidade realmente “deu um murro” em sua cara?

R: Não foi realmente um murro na cara, mas sim vários socos devagar, de acordo com uma série de desapontamentos. O pior momento foi quando minha namorada, Gloria, me chamou de perdedor. Eu estava perto dos 30, e ainda tentando um contrato com uma gravadora, mas eu não queria ser um perdedor para ela, e isso realmente me fez perceber que eu precisava me recompor, mesmo que isso significasse desistir da música. Mas, eventualmente, eu parei de perseguir o estrelado. Eu ainda acreditei, por anos, secretamente em meu coração,  que isso iria acontecer algum dia. Eu ainda faço música, na verdade. Eu tenho uma banda que ocasionalmente toca em Londres, chamada “Groovy Dad”… porque somos  legais…e somos pais.. Música é para a vida. E eu ainda estou com Gloria de qualquer modo, então ela obviamente percebeu que eu não era um perdedor completo.

U2BR: Lendo seu livro, nós podemos ver claramente como foi difícil lidar com o sucesso do U2. Eu acho que uma das grandes coisas sobre o livro, é o fato de que nós podemos ver nós mesmos na história. Claro, nós não fomos ao colégio com U2, mas todos temos essa experiência de ver algum amigo sendo vitorioso em nosso próprio sonho, enquanto ficamos ali, tendo que lidar com aquilo. E como foi isso pra você? Corrija-me se eu estiver errada, mas você passou quase 5 anos sem entrar em contato com Bono. O que mudou? Você pode dizer que ver o Bono em uma experiência arrasadora (que foi o funeral de Bill Graham) fez você perceber que Bono não era somente o rockstar, mas sim o garoto com o qual você foi junto para a escola?

R: Muitas pessoas têm a experiência de serem eclipsadas pelos seus amigos ou parentes. Essa é uma das emoções universais que impera no livro, no entanto, ver seu amigo virar um dos maiores rockstars no planeta fez tudo um pouco mais estranho. Ficou difíicil para mim, mesmo quando eu entendi que aquilo era um problema meu, e não dele. Apesar de eu não ter visto Bono por alguns anos, foi, em sua maior parte, pelo fato de que eu estava tentando colocar minha vida nos eixos como jornalista e padrasto. A vida era diferente também, naquela época, era antes das mensagens de texto e email, U2 estava fora, viajando com a banda, e eu ainda lutando para acontecer em Londres. Mas, na verdade, estávamos ainda em contato um com outro, através de ligações e mensagens através de amigos em comum, e eu ouvia sobre Bono, algumas vezes, de tempos em tempos, às vezes de forma inesperada. O que eu parei de fazer, foi realmente ter um contato ativo. Não havia mais nenhuma expectativa em ir para o backstage se eles estavam fazendo um show. E eu deixei U2 ir embora, realmente, da minha mente. Encontrá-los novamente, no funeral de Bill, foi um momento interessante porque nós nos sentimos apenas juntos. Apenas bons e velhos amigos, juntos, para homenagear outro grande amigo. Foi, eu acho, uma experiência que me curou, vê-los sobre aquela luz novamente.

U2BR: Em algumas entrevistas recentes, Bono disse que estava com medo de U2 se tornar “irrelevante”. Mesmo com o sucesso, você acha que U2 ainda é como “The Hype” e “Feedback”? Uma banda que está sempre lidando com a pressão de fazer o melhor que eles podem? Talvez a reinvenção é a chave para o sucesso? Saber que você sempre pode melhorar, você sempre pode ser o melhor, agarrando as chances e correndo riscos?

R::Eles são muito impulsivos,e  muito do que vem do Bono, essa inquietação e coragem (como eu mostrei no meu livro, e como falamos um pouco quando eu escrevi U2 by U2 para eles) vem da morte de sua mãe, quando ele era ainda um garoto, e esse vazio que ele sente em seu coração. Não é realmente ago para ser invejado. Mas ele sempre tenta seguir em frente. Nós tivemos várias conversas sobre a relevância do U2. Sempre foi um grande tópico para Bono, mesmo durante a 360º. A última vez que eu o vi foi em Agosto, em Berlin, e ele ainda estava cheio de entusiamos e excitação e orgulho sobre a música que U2 estava fazendo, mas estranhamente, ele não estava com pressa. Ele sabe que o mundo realmente não precisa de outro álbum do U2, então, ele sabe que, quando for lançado, ele precisa dar ao mundo, o melhor álbum que o U2 já fez.

U2BR: Você pode nos dar alguma prévia do novo álbum do U2? Nós pensamos que talvez ele possa ser lançado em algum momento no final de 2013. Você ouviu alguma coisa sobre isso? Tem algo que você pode nos falar? Prometemos que não contaremos a ninguém.

R: Eu jurei segredo. E realmente me ajuda o fato de que eu não sei nada sobre isso.

U2BR: E como você acha que será o futuro da música? Não somente acerca do U2, mas você acha que a mídia física, como os cd’s, irá desaparecer? O futuro é: download de músicas, álbuns digitais, incríveis aplicativos para celular e esses tipo de coisa? Pessoalmente, eu ainda compro cd’s, e inclusive vinis, mas você acha que, em alguns anos, essas coisas somente serão artigos de colecionador?

R: O futuro está aqui. O CD está morrendo, e com ele, vai o album como uma experiência de forma prolongada. Download de singles são apenas o meio do momento. Mas, para aqueles artistas que precisam dessa forma prolongada de expressão (e eu coloco o U2 aqui), eu acho que eles ainda encontram um público que está esperando ansiosamente para ouvi-los.

U2BR: Bem, não vou prolongar mais essa entrevista, então nós chegamos na última pergunta, e eu não posso deixar de agradecê-lo pela oportunidade! Eu o conheci através da banda, mas virei fã do seu trabalho, e não apenas em livros como Killing Bono e U2 by U2, mas eu realmente gosto de ler suas críticas e resenhas. Mas eu realmente não posso deixar de perguntar: No final do filme, o que eram aquelas gravações? Elas foram simplesmente fantásticas, e eu tenho que perguntar sobre aquele ser humano, sem roupas, tocando dentro de uma lata de lixo… Aquilo é simplesmente…arte! (n.e – estou me referindo ao final do filme “Killing Bono”, onde aparecem umas gravações antigas)

R: Bom, aquilo foi de um vídeo que fizemos em um verão quente de 1982, por aí, com nossa banda Yeah!Yeah” – Nós pegamos emprestada uma câmera de vídeo, e fizemos um vídeo para uma música que tínhamos gravado chamada “Is That Yoy”. Estava tão quente, que tiramos nossas camisas. Ahhh, como era bom ser jovem e magro de novo.. Eu realmente acho que você pode achar esse vídeo em algum lugar an internet. Todo o restante está ali.

E esse foi o final da entrevista. Agradecemos novamente a Neil McCormick, que foi muito solícito com essa entrevista longa.  Foi uma honra entrevistá-lo, e espero para fazer isso novamente, em breve.


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