Especial Boy 40: Os primeiros shows na Inglaterra
Especial Boy 40: Os primeiros shows na Inglaterra
15 de setembro de 2020
Especial Boy 40: Os primeiros shows na Inglaterra
Em dezembro de 1979, o U2 realizou em Londres os seus primeiros shows fora da Irlanda. Estes foram um pesadelo para o grupo, em parte pelo nervosismo de tocarem na cidade, parte pela frieza do público e também pela dor que Edge sentia em sua mão machucada.
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Marina
Newsposter e colunista do U2 Brasil

Como nós vimos no capítulo anterior do nosso especial, depois de figurarem em sua primeira capa de revista (a revista britânica “Record Mirror”), Bono comentou:

"Eu quero que as pessoas em Londres vejam e ouçam a banda. Eu quero substituir as bandas das paradas agora, porque eu acho que somos melhores."

Na mesma época, Bryan Morisson, empresário do Pink Floyd, ofereceu 3 mil libras ao U2 pelos direitos de publicação de suas músicas. Embora o valor não fosse exorbitante, os rapazes à época precisavam do dinheiro para viajar à Inglaterra e lá fazer alguns shows – o objetivo era o de impressionar alguém que lhes ofertasse um contrato musical na terra da Rainha. Mesmo assim, a banda acabou por rejeitar a oferta de Morrison e a viagem foi feita com empréstimos cedidos por familiares e amigos.

Assim é que, no intuito de ampliarem sua carreira fora dos limites de casa, em dezembro de 1979 a banda estava em Londres para seus primeiros shows fora da Irlanda. E, como vamos ver na sequência, embora nem tudo tenha ocorrido bem, os rapazes alcançaram seu objetivo com a tour inglesa.

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Um dia antes de viajarem para Londres, ainda em Dublin, Edge e Adam sofreram um pequeno acidente de carro quando estavam a caminho de um ensaio. Embora o acidente não tenha apresentado nenhuma gravidade, a mão de Edge saiu pelo vidro e os cortes afetariam seu desempenho nos shows seguintes. Edge ainda cuidava de seus ferimentos com gelo durante a viagem de ida.

Ao chegar, Edge foi ao hospital, onde recebeu curativos e medicação, inclusive morfina, para aplacar a dor intensa que sentia. No quarto de um apartamento alugado por Paul McGuinness e com a mão engessada, Edge treinava com sua guitarra para tentar descobrir uma forma de poder tocar com a mão naquele estado.

u2-show-1979-12-01-Moonlight-Club-London-02-B.jpgEm 1 de dezembro de 1979, então, a banda fez seu primeiro show em Londres, pela "U2-3 Tour", no Moonlight Club. Estranhamente, alguns materiais promocionais se referiam ao U2 como “Capital U2”.

A banda seguiu se apresentando em Londres no dia 02/12 no Nashville Rooms e, no dia 03, no 101 Club. Neste, um novo erro na menção à banda no material promocional do show: a banda era apresentada como "U.2".

u2-show-1979-12-04-Hope-and-Anchor-London-01-A.jpgNo dia 04/12, apresentaram-se no Hope & Anchor. Também nesse evento a banda foi erroneamente apresentada como "The U2's". Havia um número significativo de pessoas da mídia e da gravadora, mas apenas nove clientes pagantes. Exatamente nesse show, com uma plateia tão importante, Edge acabou por quebrar uma corda, o que levou a banda a deixar o palco e dar por encerrada a apresentação.

A “U2-3 Tour” seguiu com mais uma apresentação em 05/12, no Rock Garden e, novamente, um erro de grafia no material promocional que apresentava a banda: o U2 fora referido como "V2". Uma notícia sobre este show foi veiculada na revista Record Mirror, mencionando que a banda incluiu uma música chamada “Boy Meets Man”. Na verdade, essa referência parece ser um título equivocado para “Twilight”, mas não se sabe a que exatamente o repórter estava se referindo. Assim, talvez, tenha sido essa a primeira apresentação ao vivo conhecida de “Twilight”.

Nos dias 07 e 08, a banda realizou mais dois shows, desta vez no Electric Ballroom. Nesses shows, o U2 fez a primeira apresentação de cada uma das noites e, como foi adicionado de última hora aos eventos, não houve tempo hábil para que a banda fosse mencionada no material promocional.

u2-show-1979-12-11-Bridge-House-London-01-A.jpgA pequena tour inglesa seguiu com shows no dia 10, novamente no Moonlight Club e, no dia 11, no Bridge House. Neste último, novamente a banda enfrentou problemas com sua identificação, pois o material promocional erroneamente rotulou o U2 como “UR”. Havia apenas 18 pagantes na audiência e mais alguns convidados.

u2-show-1979-12-15-Windsor-Castle-London-01-A.jpgDeveria seguir-se uma apresentação no dia 12, na Brunel University. O U2 foi mencionado no material promocional como “U2s”. Este show foi cancelado de última hora por causa de problemas de garganta experimentados pelo vocalista da banda principal do evento, denominada de The Photos. Com isso, o U2 deixava de fazer o show de abertura daquela banda, mas conseguiu o agendamento de um show substituto e extra exclusivamente para si, que seria realizado em 18 de dezembro do mesmo ano, ainda em Londres. Esse show extra, então, seria o encerramento da pequena tour inglesa, que ainda teve apresentações da banda no dia 14, em Dingwalls e no dia 15 em Windsor Castle.

Vale lembrar que nessa passagem por Londres o U2 participou de umas sessões de fotos com Paul Slattery (confira no capítulo anterior do especial) e ainda, mais precisamente em 16 de dezembro, pouco antes do retorno para casa, a CBS Records levou a banda para o Whitfield Street Studio para gravarem mais duas canções com o produtor Chas de Whalley: "Another Day" e "Pete The Chop". Eles esperavam impressionar os executivos das gravadoras com essas canções, mas Bono apresentou problemas vocais que dificultaram as gravações, o que gerou novos desentendimentos com Whalley e fizeram a CBS, naquele momento, desistir de assinar com o U2 um contrato fora da Irlanda.

Ao final dos shows em Londres, a banda sentia-se longe de alguma possibilidade de contrato de gravação – os shows foram aparentemente desastrosos e sequer conseguiam ser corretamente mencionados nos materiais promocionais de divulgação, o que dificultava a identificação da banda. As gravações de canções extras também foram um fracasso. Todos no U2 acreditavam que em todos os shows em que haviam olheiros assistindo, o desempenho da banda foi péssimo, enquanto que, nos poucos shows bons que conseguiram realizar, não havia ninguém relevante no cenário musical para vê-los.

No entanto, felizmente, estavam enganados: Rob Partridge, da Island Records, foi talvez o único que conseguiu acompanhar um desses poucos bons shows e que começou um movimento de bastidores que ensejaria com um novo contrato para a banda. E esse é o assunto do próximo capítulo do nosso especial. Perdeu alguma coisa? Clique aqui.

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