Resenha U2BR: EP “Days of Ash”
Resenha U2BR: EP “Days of Ash”
20 de fevereiro de 2026
Resenha U2BR: EP “Days of Ash”
O U2BR disseca faixa a faixa o novo EP “Days of Ash” do U2 — uma análise imperdível para fãs!
Rubens
Newsposter e colunista do U2 Brasil

DAYS OF ASH, UM EP CRU, POUCOS ELEMENTOS SONOROS E MUITA HISTÓRIA PARA CONTAR

O intuito aqui é fazer uma análise nua e crua apenas das sonoridades do novo EP, Days of Ash, sem construir uma reflexão profunda sobre as letras – isso será feito em outro momento por alguém mais capacitado do nosso time. Quero te convidar a ouvir Days of Ash em um fone de ouvido com um pouco mais de qualidade, nos sistemas de som de sua casa ou em algum carro. Esse é o primeiro passo para entender um pouco do que vou trazer nessa breve resenha sonora, instrumental e melódica do novo EP dos irlandeses. Um adendo importante para iniciarmos juntos essa jornada. Raramente temos a chance de ver um EP (Extended Play) do U2. Ironicamente ao que eu acabo de escrever, a primeira vez que o U2 veio ao mundo foi justamente com o EP Three, tão raro de encontrar, que até hoje pouquíssimos fãs têm as versões originais (o EP foi relançado 40 anos depois). Ali, o quarteto dava início a uma jornada de sucesso divulgando três músicas, bem cruas, sem pós-produção, pois era o que existia no momento com o pouco dinheiro que tinham para construir esse material sonoro. Nos anos 80, houve um EP que ficou famoso entre os fãs, sobretudo porque trouxe uma versão estupenda de Bad: Wide Awake in America. Eram também três canções, assim como o material de estreia de 1979. Para finalizar essa história de EP, em 2019 veio ao mundo o The Europa EP com algumas versões ao vivo, dentre elas, uma versão estendida e icônica de New Year’s Day executada durante a turnê Experience & Innocence, em Dublin, em 2018.

Por que é importante contextualizar sobre a relação do U2 com EPs? Justamente porque não faz parte da trajetória da banda, que sempre prezou por lançar álbuns completos de inéditas e/ou bsides, como foi o caso do How To Re-assamble an Atomic Bomb, com bsides nunca divulgados do álbum de 2004.

EPs geralmente são formatos escolhidos por artistas para explorar e divulgar canções novas, em testes, experimentais e/ou como instrumento de marketing. Neste caso do Days of Ash, lançado neste 18 de fevereiro de 2026, muito provavelmente, a hipótese que trazemos é que esse formato pouco utilizado pela banda serviu para experimentar. Isto é, o marketing definitivamente não foi um do propósito deste EP, já que não houve nem sequer uma divulgação prévia do material.

A SONORIDADE MAIS CRUA EM PLENO 2026

Em uma era em que pós-produção musical já é elemento mínimo nas sonoridades de artistas, ouvir um novo material de uma das maiores bandas do mundo com pouca, ou quase nenhuma, pós-produção é no mínimo curioso. Quando te convidei a ouvir esse EP com fones de ouvido e/ou em um sistema de som minimamente adequado, foi justamente para te convidar a entender sobre esse som mais abafado, mais denso, com menos nitidez, provocado durante as seis faixas do material. Experimente ouvir qualquer música recente, por exemplo, Atomic City, ou até mesmo Beautiful Day, um dos últimos grandes clássicos da banda, e em seguida, escute qualquer canção do Days of Ash. A diferença de qualidade entre elas mostra o que quero construir aqui. Mas isso por si só não diz nada, ou diz muita coisa. Ao menos, nos leva a hipóteses diversas, desde uma pressa da banda em lançar algo novo, ou uma ideia de não querer/precisar ser tão relevante neste momento, já que a banda é uma das maiores do mundo e gera informação mesmo quando não pede. Gravar e publicar um material mais cru pode ser proposital, assim como acredito que seja.

AMERICAN OBITUARY

Começando a analisar um pouco da sonoridade de cada faixa do EP, aqui temos um início com duas guitarras, um baixo e uma bateria somente. É como se o U2 estivesse mostrando aos seus fãs, e a quem não é fã também, que eles ainda gostam de distorcer guitarras e trazer elementos mais barulhentos. Não é um grande rock n roll, temos que admitir, mas é a agressividade que eles encontraram para expor a indignidade contra as atrocidades cometidas atualmente nos Estados Unidos, sobretudo com os casos recentes de mortes promovidos por agentes de imigração. Além da letra ser bem forte (Obituário Americano), é um convite à raiva. São os quatro membros de volta, com Larry Mullen Jr., longe das baquetas por anos devido a problemas médicos, desfilando por todas as partes da bateria, sem economizar ritmos. Se ouve em alguns momentos uma segunda guitarra, poderíamos dizer que vem do Bono, mas sabemos que desde 2015 ele não encosta em um instrumento devido a uma queda de bicicleta em Nova Iorque que o impossibilitou de fazer movimentos repetitivos, como tocar violões e/ou guitarras.

THE TEARS OF THINGS

Que música interessantíssima de se analisar. Eu a vejo como faixa de musical. Não só porque é falada em boa parte, mas porque ela é minimalista. Um piano, violão, guitarra com pequenos detalhes, baixo marcado, bateria usando poucos elementos e um sample (sons gravados) no fundo bem discreto. A ideia é passear pela letra conosco. E mais do que isso, a modulação de acordes é típica de uma faixa de musical com elementos fúnebres, tristes e densos. É justamente isso que a música quer passar. Ouça com atenção e imagine um diálogo entre Michelangelo com seu criador, terminando em tragédia – afinal, é sobre isso que a letra fala, mas prometi que não darei ênfases nelas por ora.

SONG OF THE FUTURE

O EP muda o tom aqui. É quando a banda quer reverenciar alguém e esse alguém é uma jovem ativista iraniana, Sarina Esmailzadeh. Nitidamente, nós percebemos essa reverência no refrão, quando fica somente Bono, Larry e Adam. Edge cede seu espaço por um pequeno tempo no refrão para algo maior. Você canta o refrão sem perceber, porque é uma ode à vida e à liberdade. É uma faixa com poucos elementos de estúdio, ou seja, não tem muito overdub (sobreposição de faixas – gravações de vários instrumentos). É uma música fácil de ouvir e de gostar. Um violão fácil, com uma levada simples e bem ritmada, que conduz todo o resto. U2 nos mostra que Sarina Esmailzadeh era tão simples e com muita ambição, como a própria melodia feita a ela.

WILDPEACE

Belíssima escolha de uma ambientação para uma leitura de um poema. Jacknife Lee, produtor desta faixa, carimba sua marca com sons além do convencional. São utilizados efeitos “espaciais” para dar uma sensação de mensagens sendo transmitidas para todos os lugares; U2 gosta bastante disso, já usou em algumas turnês durante os intervalos em que eles deixavam o palco para trocas de figurino, ou quando o show iria mudar de estética sonora.

ONE LIFE AT A TIME

Adam Hook? É você? Uma brincadeira com o lendário baixista do Joy Division e New Order, Peter Hook, conhecido pelo seu baixo desenhado, com agudo, construindo melodias que geralmente somente guitarristas gostam de fazer. Neste caso, em One Life At A Time, Adam Clayton usa deste artifício para iniciar essa canção também pegajosa. O curioso desta faixa é que contém sample na bateria, ou seja, não é o som original das peças, mas sim elementos mais computadorizados, criando uma atmosfera única, horas densa. Depois do primeiro refrão, Larry Mullen Jr. retorna à cena construindo uma levada com muito swing, utilizando cada peça possível de sua bateria. Bono acelera os versos, canta como alguém pedindo desespero por algo, você sente a tensão na voz dele. The Edge também traz seus rotineiros agudos com delays para esta canção, mas bem modesto. Aqui o foco é a ambientação sonora da voz de Bono, com coros recheados de ecos e delays.

YOURS ETERNALLY

O EP se encerra com uma canção mais próxima de um pop moderno, até porque é uma faixa com muitas participações especiais, entre elas o badalado pop star britânico, Ed Sheeran. Quando os versos se iniciam, é uma mistura de stomp-clap-hey, uma derivação de folk, com elementos eletrônicos, palmas, batidas de pé e refrões grandiosos. Quem se destacou muito neste cenário foi Mumford and Sons, banda britânica dos anos 2010. Nesta canção, Ed Sheeran e outros cantores fazem a voz em terça, famosíssima no mundo folk, country e – me perdoem – sertanejo. É uma bela canção pop, com semelhanças dentro do possível com We Are The People, canção feita por DJ Martin Garrix, com participações de Bono e The Edge, famosa durante os jogos de futebol masculino da Euro de 2020. Yours Eternally nos permite imaginá-la no Finnegan's, pub preferido do Bono na Irlanda, sendo executada com os amigos em uma roda de violões, fiddle (não tem na música, mas se encaixa perfeitamente), palmas e coros uníssonos. Aliás, essa música não funciona com uma pessoa somente cantando, ela é feita para todos abrirem os pulmões.

Notícias relacionadas
SIGA O U2BR NAS REDES SOCIAIS


SIGA O U2BR NAS REDES SOCIAIS
parceiros
apoio
ouça a rádio oficial
CONTRIBUA COM O NOSSO PROJETO. CLIQUE AQUI PARA SABER COMO.
© 2006-2026 U2 Brasil PROJETO GRÁFICO: NACIONE™ BRANDING Special thanks to Anton Corbijn and Luke Buckle (Photography)